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Negacionismo impulsiona sarampo nos EUA e representa ameaça ao Brasil
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Negacionismo impulsiona sarampo nos EUA e representa ameaça ao Brasil

Mudanças recentes no calendário vacinal dos Estados Unidos, impulsionadas por discursos antivacinação do governo Donald Trump, ajudam a explicar por que o país está passando pelo pior surto de sarampo em mais de três décadas. Mais de 4,4 milénio casos já foram confirmados oriente ano, com três mortes. Entre os infectados, 98% não estavam totalmente vacinados. 

A avaliação do diretor do Programa Vernáculo de Imunizações do Brasil, Eder Gatti, é que os Estados Unidos passam por um período de retrocessos que prenúncio todo o continente.

“O governo americano, além de chancelar discursos negacionistas, tem um secretário de Saúde, que é o equivalente ao nosso ministro, declaradamente antivacina”, destaca.  

“Espero que o mundo não olhe isso uma vez que exemplo. Eles estão colhendo frutos. A vacina contra o sarampo é uma vacina de bloqueio. Quem se vacina não pega nem transmite. O descontrole de casos lá [nos EUA] está muito relacionado a esse exposição crescente negacionista”, complementa o diretor do PNI. 

>> Novidade York declara estado de emergência por surto de sarampo

 


Placa de alerta sobre o sarampo afixada na entrada do Cohen Children's Medical Center, em New Hyde Park, Nova York, EUA
14 de março de 2025
REUTERS/Shannon Stapleton
Placa de alerta sobre o sarampo afixada na entrada do Cohen Children's Medical Center, em New Hyde Park, Nova York, EUA
14 de março de 2025
REUTERS/Shannon Stapleton

Placa de alerta sobre o sarampo afixada na ingresso do Cohen Children’s Medical Center, em New Hyde Park, Novidade York REUTERS/Shannon Stapleton/Proibida reprodução

Casos importados

O aumento da ocorrência em outros países aumenta a pressão sobre o Brasil, que registrou 61 casos da doença oriente ano, a maioria com origem importada. Uma vez que não há transmissão sustentada da doença em território pátrio desde 2024, o país permanece certificado uma vez que dimensão livre do sarampo, mas a manutenção desse status tem sido desafiadora. 

“O nosso certificado foi conquistado em 2016 e perdido em 2019, porque houve a reintrodução da doença na região Setentrião. Ela se espalhou pelo país e teve um grande surto em São Paulo, com 19 milénio casos”, lembra Eder Gatti. 

“Há uma diferença de postura e resposta muito evidente, que se observa pelos resultados”, ele garante. 

Em 2023, ano anterior à reconquista do certificado, os índices de vacinação da tríplice viral, dentro do calendário essencial infantil, foram de 88% na primeira ração e de 66% na segunda. Já em 2024, a cobertura subiu para 96% e 78%, respectivamente. Neste ano, as taxas preliminares são de 95% na primeira ração e 80% na segunda. 

“Apesar do contexto internacional, o Brasil segura a sua certificação e espero que a gente consiga manter esse cenário, porque a gente está falando de uma doença que mata crianças, justificação abortos e complicações obstétricas. É uma doença que tem um índice de obituário muito maior para as populações mais vulneráveis, indígenas e pessoas em situação de pobreza”, alerta Gatti. 

 


Pessoa com sintomas de sarampo. Foto: OMS
Pessoa com sintomas de sarampo. Foto: OMS

Garoto com sintomas de sarampo. Foto: OMS

Perda de crédito

Em agosto, o governo americano reduziu de 17 para 11 o número de imunizantes recomendados para todas as crianças. Trump também estipulou que a vacina tríplice viral, que protege contra o sarampo, a caxumba e a rubéola, aplicada desde a dezena de 1970, seja separada em três imunizantes distintos, um para cada doença, administrados em ocasiões diferentes. 

De pacto com o diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Juarez Cunha, as novas recomendações foram motivadas por questões políticas e não têm base científica, além de serem inviáveis. As vacinas individualizadas contra o sarampo, a caxumba e a rubéola, já não são fabricadas há quase 20 anos. Mesmo assim, o dano é súbito. 

“Isso leva a uma grande confusão na população, porque a Ateneu Americana de Pediatria continua recomendando as vacinas exatamente uma vez que eram antes, e, por outro lado, tem um órgão governamental fazendo uma série de mudanças. E a crédito é fundamental para a gente ter sucesso na vacinação”, avalia o diretor da SBIm. 

De pacto com o diretor do PNI, a reconquista do certificado só foi verosímil graças a um trabalho coordenado pelo Ministério da Saúde, com governos estaduais e municípios, para melhorar a vigilância e os índices de vacinação.

O diretor da SBIm também enfatiza o risco trazido pelo aumento da ocorrência nos Estados Unidos e em outros países americanos. De pacto com a Organização Panamericana de Saúde (Opas), os casos no continente já passam de 56 milénio, com pelo menos 80 mortes. 

“O sarampo é uma das doenças com a maior facilidade de transmissão quando encontra alguém suscetível, que não foi adequadamente vacinada, e existem pessoas, recém-nascidos, ou com qualquer problema de isenção, que não podem tomar essa vacina. Mas, se 95% das pessoas ao volta estiverem vacinadas, eu tenho um envolvente protegido, uma isenção coletiva”, ele explica. 

Cunha considera que a vigilância no Brasil tem respondido muito rapidamente aos casos, para bloquear a transmissão. Mas esse esforço tem um dispêndio enorme.

Sempre que há suspeita de sarampo, as autoridades sanitárias são acionadas para confirmar a infecção, isolar o doente e monitorar todas as pessoas com quem ele teve contato. Também é feito um bloqueio vacinal, com reforço da vacinação em toda a comunidade. 

No estado de São Paulo, onde a maior segmento dos casos foi confirmada, quase 4 milhões de doses extras de vacina foram aplicadas somente oriente ano. No Amazonas, que teve casos confirmados em setembro e outubro, chegando a 17 no totalidade, já foram quase 192 milénio doses aplicadas. 

O diretor da SBIm destaca que a vacinação contra a doença precisa ser mantida com cobertura de 95%, não unicamente em situações de risco.

“Muitas vezes, a vacina é vítima do próprio sucesso. Ela diminui tanto a doença, que as pessoas acham que não precisam mais se vacinar. A gente labareda isso de complacência, que é a falsa sensação de segurança”.

 


São Paulo (SP), 18/08/2026 - Posto de vacinação contra o Sarampo na Estação Metrô Tucuruvi em São Paulo. Fotos: Paulo Pinto/Agencia Brasil
São Paulo (SP), 18/08/2026 - Posto de vacinação contra o Sarampo na Estação Metrô Tucuruvi em São Paulo. Fotos: Paulo Pinto/Agencia Brasil

Vacina tríplice viral previne contra o sarampo. Fotos: Paulo Pinto/Agencia Brasil

Desinformação

Mesmo que as mudanças promovidas pelo governo Trump não tenham sido reproduzidas pelo Brasil de nenhuma forma, Juarez Cunha pondera que elas reverberam entre a nossa população, mormente pelas redes sociais, além de estarem relacionadas a discursos de desinformação propagados no mundo todo. 

Ao justificar a ordem de fracionamento da tríplice viral, Donald Trump disse que isso acarretaria redução nos casos de autismo. No entanto, a associação entre as vacinas e transtorno do espectro autismo já foi descartada por diversos estudos científicos. 

Outra decisão do governo americano também já está causando problemas isolados no Brasil. Pela ordem executiva dada em agosto, a vacina contra a hepatite B, dada logo posteriormente o promanação, deixou de ser recomendada para todos os bebês americanos e passou a ser aplicada unicamente em crianças de basta risco, ou por decisão combinada do médico e da família. 

“A gente já observa, em privativo nas maternidades particulares, pais não autorizando a fazer a vacina da hepatite B ao nascer. Se nós, adultos, nos infectarmos com esse vírus B, temos 90% de chance de não ter uma doença crônica, que pode se tornar cirrose e cancro de fígado. Na moço, é exatamente o contrário: a chance de se tornar crônica é de 90%”, alerta Cunha. 

Fonte EBC

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