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Ney Matogrosso, aos 85, diz que idade não impede de
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Ney Matogrosso, aos 85, diz que idade não impede de nada – 29/08/2026 – Ilustrada

Menos de um mês depois de completar 85 anos, Ney Matogrosso anunciou uma das maiores turnês de sua curso. Com shows em estádios do Brasil espalhados ao longo de 2027, a excursão solidifica o retorno do cantor às multidões, mais de 50 anos depois dos Secos e Molhados, um fenômeno de popularidade nos anos 1970.

“Estou numa demanda [de shows] impressionante, mas já há alguns anos”, ele diz à reportagem no camarim do evento em São Paulo em que anunciou a turnê “85 Anos de Ousadia”. “Veio aumentando. Sempre tive público, só que agora, de repente, teve uma liberada.”

Um dos grandes da MPB, Ney ficou mais divulgado por novas gerações em seguida o sucesso da cinebiografia “Varão com H”, de 2025, vista por mais de 600 milénio pessoas somente nos cinemas. Foi depois de ver ao filme, inclusive, que o renomado fotógrafo David LaChapelle topou fazer um experiência com o artista —o único brasiliano clicado pelo americano— para propalar a novidade turnê.

Mas já desde o pós-pandemia Ney já percebia uma renovação de público, a partir de quando começou a fazer shows em festivais. Depois de trovar no primeiro Rock in Rio, em 1985 —quando foi vaiado por um grupo na frente do palco, que esperava para ver Iron Maiden e Whitesnake—, ele passou a concentrar suas apresentações em espaços menores.

“Eu tinha um patente receio. Vinha de trabalhar só em teatros e fiquei meio receoso de encarar os festivais, mas foi tudo maravilhoso”, ele afirma. “Fiz aquele Rock in Rio, e depois algumas participações com outras pessoas, mas show mesmo em festival não fiz mais. Já tem uns quatro ou cinco anos que faço com regularidade.”

O receio era não saber qual receptividade teria de um público mais espaçoso, formado não somente por fãs. “Você ali com não sei quantas milénio pessoas no festival, tudo pode intercorrer, né? Mas nunca deu zero inverídico comigo”, afirma. “Isso foi um tranquilizador. Agora me sinto seguro de novo.”

Depois dos festivais, passou a ocupar estádios. Primeiro, em 2024, esgotou os ingressos no Nubank Parque, em São Paulo, no portanto maior show de sua curso. No ano seguinte, em fevereiro, disse à Folha que “a experiência foi interessante, mas eu não faria de novo. Sinto muita falta de ter contato próximo com o público”. Onze meses depois dessa enunciação, ele repetiu a ração, lotando de novo o mesmo espaço.

Ney agora diz que gostou muito de ter feito esses megashows —ainda que da primeira vez tenha odiado o indiferente, em noite de termômetros inferior dos 10°C. E também que não se sente mais distante da plateia. “Eu vejo as pessoas, enxergo todo mundo. Quer expressar, de quem está longe você não enxerga o rosto, mas na secção da frente você vê tudo.”

O cantor volta à lar do Palmeiras em janeiro para perfurar a novidade turnê, que chega ao termo no Maracanã, no Rio de Janeiro, em dezembro de 2027. No meio-tempo, tem shows confirmados em Curitiba, na Estádio da Baixada, no Recife, no Classic Hall, e em Belo Horizonte, na Esplanada do Mineirão.

A orquestra será a mesma que o acompanha nos últimos anos e o repertório será parecido com o de sua turnê mais recente, “Conjunto na Rua”. “Até a metade é o mesmo, daí para frente mudou tudo”, diz. “Tem muito rock, muito Cazuza e ficou mais energético. Adoram aquela início, todo mundo canta junto. E eu não podia tirar músicas uma vez que ‘Yolanda’ porque as pessoas amam.”

Sem querer revelar muito do novo show, Ney dá uma pista —vai fechar as apresentações com “Simples Libido”, elaboração de Jair Rodrigues que há anos ele não canta. “Quero perfazer com aquele objecto, para as pessoas irem para lar numa boa. ‘Hoje eu só quero que o dia termine muito’.”

Espargido pelas performances libertinas e pela presença de palco, o cantor afirma que a idade “ainda não é um travanca”. “Eu noto [a passagem do tempo], simples, mas não me impede de zero. Sou um varão magro, sempre fui magro”, diz. “Ainda duplo a perna, me inferior. Nesse sentido não mudou zero.”

Faz uns 20 anos que Ney começou a malhar diariamente, tendo ou não uma turnê exaustiva pela frente. Ele era contrário à prática porque acreditava que permanecer potente era “coisa de americano”. Mudou de teoria quando percebeu que a musculação era mais do que um pouco saudável —era uma urgência.

“Antes minha ginástica era caminhar na areia fofa de cima para plebeu”, diz. “Meu corpo era duro —bunda dura, perna dura, tudo duro. Aí parei de ir à praia e comecei a sentir falta de um manobra. Desde que comecei [a malhar], nunca mais parei.”

Ney não gostou de ser citado por Xuxa no programa Domingão com Huck, na TV Orbe. A apresentadora falou do cantor ao comentar a repercussão dos figurinos —em próprio um maiô cavo— usados na turnê “O Último Voo da Nave”, em que ela retorna aos palcos uma vez que cantora.

“Não é uma sátira —porque senhoril Ney Matogrosso de paixão—, mas a gente vê o Ney com as mesmas roupas, com o corpo mostrando, com a dança e ninguém fala zero. Porque a imagem dele é de varão. A minha imagem é de uma mulher de 63 anos, uma senhora. Não é lítico. Eles veem uma mulher e falam: ‘Olha que ridícula!'”, ela disse.

“Achei que ela não tinha que falar meu nome”, afirma Ney. “Sabe a sentimento que dá? Que ela está tirando dela para jogar para mim. Mas não adianta. Comigo não rola isso. Nunca rolou. Nunca ninguém me disse que eu estava velho, que eu não podia estar no palco cantando. Nunca ninguém implicou com a minha roupa, sabe?”

Depois desse observação, ele disse que não queria mais falar sobre a apresentadora. “Não vou tocar mais nesse objecto. Não vou falar o que vi ali que achei inverídico. Não vou falar.”

Os figurinos de “85 Anos de Ousadia” vão recriar indumentárias famosas que o cantor usou ao longo de sua curso. Elas não serão reproduzidas fielmente, mas repensadas a partir dos modelos originais. Cada um dos dez shows —até agora, cinco foram anunciados— da turnê terá uma roupa dissemelhante.

Um deles será o de “Bandido”, usado nas apresentações do disco de 1976. Naquela quadra, Ney era um símbolo de liberdade e contracultura, um rebelde sob a lente de um Brasil à sombra da ditadura militar e do conservadorismo.

Décadas depois, ele é amplamente reconhecido uma vez que um dos grandes intérpretes da música brasileira. Mas não abandona seu espírito insubmisso. “Entendo que estou sendo absorvido, mas não saio da minha maneira de pensar. Sou o transgressor, não é isso? Sempre fui. Não que eu faça zero para ser, mas tenho uma coisa dentro de mim que é. Talvez por ser fruto de militar, sei lá, às vezes fico querendo entender isso.”

Aos 30 ou aos 85 anos, à margem ou no núcleo da cultura brasileira, Ney quer continuar sendo sinônimo de autonomia. “Estou indo para um lugar mais estabelecido, mas vou lá e faço o que quero. Quina só o que quero. Vou com a mesma liberdade com que cheguei cá”, diz. “Continuo pensando com a minha cabeça. Zero, nem sucesso, muda meu jeito. Não tenho tempo a perder.”

Folha

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