Esta é a edição da newsletter Tudo a Ler desta quarta-feira (26). Quer recebê-la no seu email? Inscreva-se inferior:
“O papel do redactor contemporâneo é fazer uma concentração de imaginários”, afirma o martinicano Patrick Chamoiseau em entrevista ao editor Walter Porto. O responsável veio ao Brasil para participar da Flup, a Sarau Literária das Periferias, que acontece no bairro de Madureira, no Rio de Janeiro.
Em um mundo de extremos, onde vozes se recolhem de lados opostos, o responsável escolhe um caminho em que todos são ouvidos. Seu objetivo não é derrubar a língua dominante para colocar outra no lugar, mas perfurar espaço para “todas as línguas do mundo”.
Essa língua dominante, uma vez que explica o redactor, sempre foi a da colonização, que por séculos limitou outros discursos. Mas, se a colonização terminou com as independências, a libertação da linguagem e da cultura é dissemelhante.
Segundo Chamoiseau, todas as fontes linguísticas devem ser valorizadas também. “São coisas que devemos vigilar na bolsa para continuar o nosso caminho”, diz.
Acabou de Chegar
“Salvamento” (trad. Floresta, Zahar, R$ 79,90, 248 págs.) é uma autobiografia construída pelas leituras que formaram Dionne Brand, poeta e ensaísta nascida em Trinidad e Tobago e radicada no Canadá. No livro, ela revisita clássicos britânicos, de Defoe às irmãs Brontë, em procura do colonialismo não relatado nesses livros, mas indicado em seus silêncios. Porquê aponta a sátira Carolina Ferreira, Brand não propõe ceder totalmente o cânone de autores brancos e, sim, adotar uma leitura sátira capaz de reconhecer “as palavras e seus contextos mais amplos”.
“O Uso da Foto” (trad. Mariana Delfini, Fósforo, R$ 69,90, 144 págs) reconstrói o romance que a Nobel francesa Annie Ernaux viveu com o fotógrafo Marc Marie a partir de fotos tiradas durante seus encontros. Pelas imagens, a autora revisita o libido extinguido pelo parceiro e também o cancro de pomo que ela tratava durante a relação. Porquê escreve a repórter Raíssa Basílio, Ernaux mostra que a retrato não congela somente corpos, mas sentimentos.
“Descobrindo a Minha História” (Sextante, R$ 59,90, 48 págs.) trata de ancestralidade a partir da relação entre um avô e seus netos, que ouvem histórias de avós da comunidade do rio Omo, na Etiópia. O livro nasce do libido do responsável Lázaro Ramos de incentivar crianças a conversar com familiares e saber as próprias raízes. “Muitas vezes procuramos heróis longe da gente, enquanto histórias importantíssimas estão na nossa família e a gente não se preocupa em perguntar”, uma vez que ele diz ao jornalista Isac Godinho.
E mais
Às vésperas de seu nonagésimo natalício, Raduan Nassar, que venceu o Camões em 2016, é um dos principais escritores brasileiros vivos. De sua produção, a pesquisadora Masé Lemos destaca o romance “Lavoura Arcaica”, pequeno em número de páginas mas grande em dimensão artística. Lemos descreve a obra uma vez que um “paralelepípedo lírico”, “difícil de ser engolido para os seguidores dos pressupostos rígidos da impessoalidade moderna”.
Conceição Evaristo, autora de ficção celebrada, publicará sua pesquisa de mestrado pela primeira vez. Porquê conta o Quadro das Letras, a dissertação “Literatura Negra: Uma Poética de Nossa Afro-Brasilidade” foi defendida na PUC do Rio de Janeiro em 1996 e chega às livrarias em janeiro pela Pallas com prefácio inédito da própria escritora.
Saiu no Peru a primeira biografia para a qual o papa Leão 14 cedeu entrevista depois de ocupar o missão supremo da Igreja Católica. A autora americana Elise Ann Allen retrata o papa uma vez que um varão moderado e de fácil trato, mas capaz de enfrentar a extrema direita que cresce no mundo e na Igreja. O livro foi lançado primeiro em espanhol, decisão que o repórter Reinaldo José Lopes aponta uma vez que estratégica.
Além dos Livros
Morreu Leonardo Fróes, poeta fluminense, aos 84 anos. Ele se notabilizou por obras uma vez que “Língua Franca”, “A Vida em Geral” e “Argumentos Invisíveis”, que lhe rendeu um Jabuti em 1996. Também foi tradutor premiado e verteu ao português grandes autores uma vez que Virginia Woolf, William Faulkner e Johann Wolfgang von Goethe.
A escritora paulistana Mariana Salomão Carrara venceu pela segunda vez o Prêmio São Paulo de Literatura, agora pelo romance “A Árvore Mais Sozinha do Mundo”. Já na categoria de estreante, o vencedor foi Marcílio França Castro por “O Último dos Copistas”, seu primeiro romance em seguida publicar três livros de contos.
Uma pesquisa publicada na revista americana Publishers Weekly aponta que a maioria dos escritores profissionais de ficção e não ficção usam lucidez sintético no dia a dia. A reportagem de Aline Esteves conta que a maioria desses profissionais usam IA para produzir rascunhos que depois serão editados e somente 7% admitem publicar textos gerados artificialmente sem edição.
