Novo Minions homenageia e dessacraliza gigantes da comédia – 01/07/2026 – Ilustrada
Não é de hoje que os Minions sabem que Hollywood funciona na base do caos. Ainda no início de “Minions e Monstros”, os simpáticos personagens amarelos invadem Los Angeles por possibilidade, enquanto sequestram um trem desgovernado e perseguem um ladrão de banco que parece saído de uma história de faroeste.
Para a surpresa das criaturas, o bandido, na verdade, é um ator. Na sede para encontrar um vilão para servir, elas não percebem que o salteador faz secção de um filme gravado na região. Má sorte mesmo só o da cidade, que na confusão vê uma avenida inteira destruída pelo trem raptado, em plena dez de 1920.
A sequência é muito divertida, enxurro das boas sacadas de humor físico que definiram a reputação dos Minions nas últimas duas décadas. Mas ela também vem com um pormenor atípico, desses que ajuda a prosseguimento a substanciar ao público a grande pândega que são as aventuras desses personagens.
Isso porque os Minions, durante o seu passeio de ruína, acabam por azucrinar também Charlie Chaplin, Buster Keaton e Harold Lloyd, os três grandes nomes da comédia da era de ouro de Hollywood.
O estranho encontro termina com os Minions massacrando o trio, ao se apropriar de algumas das cenas mais icônicas de seus filmes. Os personagens espantam Chaplin das engrenagens da máquina de “Tempos Modernos”, derrubam a frontaria da morada de “Navegante de Encomenda”, de Keaton, e quase fazem Lloyd desabar do relógio de “O Varão Mosca”.
A piada até soa porquê homenagem, mas serve melhor porquê dessacralização. É porquê se naquele momento os seres amarelos fossem alçados ao patamar de grandes mestres do humor, tão desenfreados e anárquicos quanto os antecessores que rebaixam por acidente.
Nessa provocação rasteira, “Minions e Monstros” aproveita para seguir os passos desses artistas e organizar melhor a comédia dos personagens, sobretudo a nível narrativo. A prosseguimento da vez é construída em torno do humor, com a história amarrando os mais diferentes cenários por meio de desculpas simples, em um vai para lá e vem para cá sucessivo.
O fiapo de trama é um filme dentro do filme, que funciona porquê a grande invenção do momento das criaturas. A sequência também escolhe novos protagonistas nos minions Henry, James e Ed, bagunceiros que prosperam a partir da invasão do grupo em Hollywood.
Graças a eles, a tropa amarela vira um fenômeno da era silenciosa de Hollywood, mas se dá mal em seguida com a chegada do som à indústria. Para volver o problema, o trio resolve produzir uma façanha por conta própria e, no processo, liberta monstros perigosos de um velho livro de feitiços.
Porquê o tema do longa é o próprio cinema, o roteiro bate todo tipo de referência no liquidificador. Além dos três comediantes hollywoodianos, os tais monstros citados envolvem uma miniatura de Cthulhu, a assustadora indivíduo inventada pelo noticiarista H.P. Lovecraft, que serve de vilão à história.
O filme também inventa uma subtrama com um forasteiro robótico, que lembra o estranho ser metálico do clássico “O Dia em que a Terreno Parou”, e seu romance com uma moça do movimento feminista da quadra. Já o prólogo revisita a origem dos Minions em tom de odisseia, com gigantes, múmias e feiticeiros aparecendo no caminho dos bichinhos.
Entre sets de filmagem e criaturas místicas, “Minions e Monstros” dá a sentimento de que ruma para a bagunça completa, mas nunca perde o gingado. Muito porque a prosseguimento sabe apostar no humor dos personagens, com a trama dedicada às esquetes e esgotando piadas em vez de forçar o curso por acontecimentos bombásticos.
A prosseguimento assim vira uma sequência imensa de “nickelodeons”, os filmes da alvorada do cinema americano, ligando historietas das criaturas sem discrição.
Nisso, labareda a atenção a decisão do diretor, Pierre Coffin, de reduzir o ritmo da façanha. Levante terceiro “Minions” claramente abdica da hiperatividade sensorial que definiu a série “Meu Malvado Predilecto”, usando muito menos das montagens aceleradas que definiram o predecessor de 2022, por exemplo.
O juntura funciona, e os Minions ganham de vez o protagonismo que parecem rodear a esmo e sem sucesso desde a sua invenção em 2010. O filme ora ou outra corre o risco de permanecer desanimado, em privativo quando deixa de lado o glamour hollywoodiano, mas o público ganha tempo para se envolver com os protagonistas.
Com isso, a animação diverte também pelas especificidades e intransigências de cada criaturinha, seja em suas teimosias, limitações ou belos sonhos infantis —matéria-prima da contação de histórias do cinema.




