O lulanistão e seu patriotismo é deprimente 13/07/2025

O Lulanistão e seu patriotismo é deprimente – 13/07/2025 – Luiz Felipe Pondé

Celebridades Cultura

Agora somos todos patriotas. A máxima “o patriotismo é o último refúgio dos canalhas” é um tanto que nós, brasileiros, deveríamos ter junto ao nosso coração.

Em 2022, “patriotas” era um termo que os bolsonaristas usavam para si. “Patriotas” invadiram a Terreiro dos Três Poderes. Chegou a hora de a galera do outro lado da babaquice pátrio expressar que o Brasil nunca usará uma camisa azul, vermelha e branca? Toda a intelligentsia zoava os patriotas bolsonaristas. Agora vestem a camisa da seleção brasileira com orgulho.

O “Lulanistão” deprime. Ser obrigado a conviver com o ridículo do novo patriotismo é vexante. Quando se pensa que atingimos o fundo do poço, vamos mais fundo. O crítico literário americano Lionel Trilling (1905-1975) dizia que o historiador romano Tácito (século 1º d.C.) escrevia uma vez que um intelectual sem nenhuma esperança para com a Roma dos ditadores. Seria uma obrigação moral dos historiadores brasileiros ortografar agora sobre o Brasil sem nenhuma esperança?

“Agora somos todos o STF!” A direita, sempre burra, atirou no próprio pé. Trump deu uma sobrevida a um regime, o lulismo, que respira por aparelhos. A chance de trespassar do coma foi dada de bandeja pelo Trump. Ao contrário de xingarmos o presidente americano —e não me venham com expressões ridículas uma vez que “estadunidense”—, a galera do outro lado da babaquice pátrio deveria conflagrar velas para ele. Bandeiras americanas queimadas na Paulista! Oh! Finalmente o Brasil foi lembrado pelos americanos. O vira-lata em nós tem um dia de cachorro de madame. Banho e tosquia numa clínica de pets chiques.

Na verdade, o Trump ter lembrado de taxar o Brasil significa que, depois de um longo e tenebroso inverno, os ianques lembraram que nós existimos. Da irrelevância geopolítica absoluta, temos nossos 15 minutos de glória internacional.

E uma vez que conseguimos tal proeza? Lambendo as botas de Putin, indo comemorar o termo da Segunda Guerra Mundial na pátria da grande guerra patriótica —os russos chamam a Segunda Guerra Mundial assim. Lula, ao lado da fina flor das democracias mundiais, lambendo as botas dos chineses, com a patrão da diplomacia pátrio rogando para que eles nos ensinem a tutelar nossa democracia dos seus inimigos —assim uma vez que os chineses defendem a democracia deles, evidente. Lambendo as botas do regime teocrático iraniano, pátria do reverência aos povos, vítima da “agressão americana e sionista”. Gozando com a teoria de produzir uma moeda que “desdolarize” a economia global.

Enfim, temos a nossa “crise dos mísseis em Cuba”. Lula quer fazer do seu quintal “Lulanistão” a cabeça de ponte dos regimes não democráticos do mundo. Glória pátrio, finalmente. Lula quer transformar o Brasil no representante do “eixo da resistência global” contra a prenúncio americana à liberdade. Sendo esta, evidente, defendida por China, Rússia e Irã.

A liderança brasileira é regredida. Bolsonaro, por sua vez, exige que o Supremo agilize seu processo, contando, evidente, com o poder do seu colega rico, Trump. A miséria da política pátrio atinge seu orgasmo. Deveríamos fazer um minuto de silêncio para a vergonha pátrio. A incompetência é o combustível do Brasil nos últimos tempos.

É verosímil que Trump, de indumentária, esteja preocupado com o Bolsonaro —essa outra face do ridículo pátrio? Ainda dispêndio a crer, apesar de que o presidente americano reforça muito a suspeita de que o mundo seja mesmo um circo. Descobrir que pode se meter num processo jurídico de outro país é coisa de gente de perceptibilidade duvidosa mesmo. Somos sim a república das bananas, mas deixamos evidente que as bananas são nossas e não do Trump.

Enquanto os brios da pátria verdejante oliva acordam —para um pesadelo—, o país continua no buraco. O governo federalista continua gastando rios de verba para manter o populismo vivo e atuante no “Lulanistão”. Patinamos na nossa incompetência. A soberania pátrio —essa sentença que no Brasil de hoje tem tanta segurança semiologia quanto a termo “virilidade místico”— está quase perdida para o violação organizado, mas os novos patriotas acham que as big techs é que são a prenúncio a essa pretensa soberania.

A ditadura também falava em soberania pátrio. As forças armadas também falavam em soberania pátrio. Todos ridicularizados. Agora é “cool” falar dela. Aliás, ela vai muito obrigado na tão cantada em prosa e verso Amazônia, território colonizado em grande secção pelo mesmo violação organizado, esse sócio do mercado, do governo e de todos nós, enquanto nos matam, nos roubam e nos perseguem nas ruas a pauladas. Sarau no “Lulanistão”. Cantemos nosso hino.


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Folha

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