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Os sertanejos são bolsonaristas? 25/09/2026 Gustavo Alonso
Celebridades Cultura

Os sertanejos são bolsonaristas? – 25/09/2026 – Gustavo Alonso

É curioso que os sertanejos não estejam em evidência nesta eleição presidencial ao lado de seus candidatos favoritos. Quem acompanhou o posicionamento político de boa segmento dos artistas do sertão nos últimos anos há de se lembrar de alguns momentos-chave do suporte proferido de alguns deles.

O cantor Eduardo Costa foi o mais enfático apoiador bolsonarista em 2018. Quando o ex-capitão foi eleito, o cantor pulou na piscina de sua morada aos berros, empolgado com a vitória. Desiludido com a política, em 2021 ele gravou a música “Zelo”, uma sátira contundente ao governo na pandemia: “Zelo que eles passam/ só de quatro em quatro anos/ Depois o povo morre/ em galeria de hospital”.

Na semana da independência de 2021, o cantor Sérgio Reis pediu o fechamento do STF e defendeu uma greve de caminhoneiros com finalidade golpista. Reis acabou se tornando claro de operação da Polícia Federalista autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes.

Em abril deste ano, ele se filiou ao DC (Democracia Cristã) para tentar uma vaga ao Senado. No entanto, sua candidatura não foi homologada. O DC tem candidato próprio à presidente, a desconhecida Clariana Barão, o que colocou Reis numa sinuca. Uma vez que concordar Bolsonaro se seu partido tem candidato próprio? Serjão preferiu o silêncio.

Em 17 de outubro de 2022 vários sertanejos visitaram o portanto presidente Jair Bolsonaro para provar suporte. Liderados por Gusttavo Lima, artistas de peso porquê Chitãozinho, Zezé Di Camargo, Fernando, Marrone, Leonardo, Sula Miranda e o locutor Cuiabano Lima estiveram no Palácio do Alvorada.

Era de se esperar que os sertanejos estivessem empolgados com a campanha de Flávio Bolsonaro em 2026. Não é o que acontece. Há um curioso marasmo entre os artistas do sertão, que andam medindo com muito zelo seu suporte. O que nos leva a perguntar: os sertanejos são de traje bolsonaristas?

Também entre os sertanejos, porquê em toda sociedade, ninguém está empolgado com o repeteco de candidatos polarizados. Parece ter um libido de opção política que, paradoxalmente, não se concretiza.

Muitos dizem que o sucesso dos sertanejos é fruto direto do agronegócio. Neste ano há uma candidatura que representa diretamente os desejos do agro: Ronaldo Caiado. No entanto, o goiano não decola nas pesquisas. O cantor Gusttavo Lima, que tinha sido sondado por Caiado para se filiar ao seu partido e formar placa presidencial com o governador de Goiás, pouco dá as caras na campanha.

É simples que a música sertaneja e o agronegócio têm muitas sintonias. Mas não se pode reduzir um ao outro. Esse é um erro que muitos progressistas fazem, o que atrapalha a correta estudo conjuntural da cultura brasileira, principalmente da música sertaneja.

Quando houve aquela visitante de sertanejos a Bolsonaro em 2022, chamei atenção para a exiguidade de pares das duplas. Chitãozinho foi, mas Xororó não. Zezé foi sem a companhia de Luciano. Fernando foi, mas não levou o parceiro Sorocaba. Marrone estava lá, mas Bruno não. Já se via que o bolsonarismo não era unanimidade nem entre os sertanejos.

Com a aproximação das eleições, alguns artistas procuraram ares diferentes do bolsonarismo. Zezé Di Camargo demonstrou simpatia pelo candidato Aldo Rebelo no início do ano, seduzido com o nacionalismo do ex-comunista. Mas a candidatura de Rebelo flopou e Zezé parece não ter encontrado outro que o empolgue.

Os sertanejos talvez não sejam bolsonaristas até debaixo d´chuva. Mas podem ser atraídos para o radicalismo de direita. Em breve teremos o segundo vez. Os sertanejos continuarão escondidos, sem grandes manifestações políticas? É improvável, pois a pressão de todos os lados provavelmente os forçará a tomar partido.

Na semana passada uma série de artistas da MPB e atores que conhecemos através da TV Orbe declararam voto em Lula. Gilberto Gil, Caetano Veloso, Xamã, Sophie Charlotte, JotaPê, Malu Mader, Leona Cavalli, Paulinho da Viola, Zezé Polessa, Paulo Betti, Paula Burlamaqui, Maria Flor, Betty Gofman, Fernanda Abreu, Duda Beat, Tony Bellotto e Enrique Diaz participaram da campanha “Bora Lula”.

Esta semana Lula realizou um evento com artistas na Fundição Progresso, no Rio de Janeiro, onde recebeu suporte de Chico Buarque, Zeca Pagodinho, Lenine, Daniela Mercury, Chico César, Zélia Duncan, Moska, Russo Passapusso, Tati Quebra Barraco e mais outros tantos atores e atrizes. Nenhum era sertanejo.

Não haveria espaço para uma Lauana Prado, que já declarou voto em Lula em outros momentos? E Roberta Miranda, que se assumiu bissexual há alguns anos e provavelmente se sentiria coagida num novo governo Bolsonaro?

Espanta que tantos artistas tenham se posicionado com Lula já no primeiro vez, forçando um segundo vez antes da hora. Polariza-se previamente, escanteando-se possíveis aliados. Muitos supostos progressistas assumem um tom de “verdadeiros conhecedores da história”, e se empolgam em acusar o Brasil sertanejo, evangélico e popularzão de idiotas úteis do bolsonarismo.

Com o progresso do processo eleitoral, o “pobre de direita” é claro dos progressistas raivosos, sobrenome que virou até título de obra de intelectual dessa esquerda limitada.

Diante disso, não é impossível que os sertanejos, empurrados para a escolha final, optem por Flávio. Ainda assim, o bolsonarismo não parece estar no DNA deles. E quem os vê assim somente empurra os sertanejos para levante lado cada vez que se abstém de buscar diálogo.


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Folha

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