Uma doença imprevisível. É mal a médica dermatologista da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), Enilde Borges Costa, define a calvície areata. No mês devotado à doença, que acomete murado de 2% da população mundial, segundo a SBD, a Filial Brasil traz histórias de pacientes que convivem com a queda de cabelo. 
A calvície areata é uma doença autoimune, caracterizada pelo ataque do organização ao folículo piloso, e provoca episódios de queda de cabelo que podem se manifestar em qualquer lanço da vida. É generalidade, inclusive, que ocorram de forma cíclica: seguidos do incremento do cabelo na extensão afetada, e um novo incidente de queda.
“O próprio organização, por circunstâncias variadas, ataca o folículo do pelo e não permite que se forme um fio salubre que possa permanecer no sítio”, explica a dermatologista Enilde.
Segundo a médica, a doença pode nascer de três formas:
- a queda do cabelo em pequenas áreas do epiderme viloso;
- a calvície areata totalidade, quando há queda do cabelo de todo o epiderme viloso;
- a calvície areata universal, quando a pessoa perde todos os pelos do corpo.
O diagnóstico é feito no próprio consultório médico, com o examinação galeno das áreas sem pelos. Segundo a dermatologista, não há, até o momento, nenhum examinação, laboratorial ou de imagem, que possa ajudar no diagnóstico.
Porquê a doença não provoca nenhuma lesão, cicatriz ou ferida no epiderme viloso, o que se nota é exclusivamente a falta de cabelo naquela extensão. Enilde explica que retrair uma pequena mecha e notar que o cabelo sai com facilidade, por vezes, é um teste simples que auxilia o dermatologista a fechar o diagnóstico, assim uma vez que perceber a falta de pelos na barba, cílios e sobrancelhas, por exemplo.
Questões emocionais
Muito relacionada a questões emocionais, a calvície tem um componente genético. Há quem diga que a doença “acorda”, o que pode suceder por um quadro infeccioso, por exemplo, que mexe com o sistema imunológico, ou por outra doença autoimune.
“Pelo concepção universal, ela não é uma doença psicossomática. Mas ela pode ser cíclica, vir em episódios. E esses episódios podem ser desencadeados por várias coisas. Inclusive, uma situação bastante intensa de estresse. Mas tem outros fatores desencadeantes”, explica Enilde.
A dermatologista alerta que focar exclusivamente na questão emocional uma vez que uma desculpa, muitas vezes, provoca um sentimento de culpa no paciente, que passa a se sentir a desculpa das crises.
A revisora de livros Beatriz Santos, que convive com a calvície desde 2008 e mantém o perfil @debemcomaalopecia no Instagram, conta que os primeiros médicos pelos quais passou bateram muito na tecla de a queda de cabelo estar relacionada a um pouco emocional. Ela tinha entre 15 e 16 anos, estava concluindo o ensino médio e a hipótese era de uma preocupação excessiva com o vestibular.
“A primeira coisa que me perguntavam, quando eu chegava no consultório, era: mas o que aconteceu? E eu não conseguia pensar em zero. Era engraçado e incômodo”, lembra. “Se [o estresse] fosse desculpa, a gente sairia do envolvente estressante e o cabelo voltaria. Mas ele não volta”.
Tratamento
A queda do cabelo foi invenção em um salão de venustidade, onde Beatriz foi fazer um penteado para o matrimónio de um primo. Com o cabelo cacheado e volumoso, ela não tinha percebido uma falta de oito centímetros perto da nuca. A partir daí, conta que viveu uma saga para encontrar um médico que entendesse a exigência.
Ela lembra que passou por alguns tratamentos com corticoide via vocal e aplicações de injeção diretamente no epiderme viloso. O corticoide usado não era o mais indicado e trouxe efeitos colaterais. Aliás, as aplicações eram muito dolorosas.
No consultório da dermatologista Enilde Borges da Costa, um corticoide mais adequado foi receitado, assim uma vez que pomadas e cremes, e o cabelo voltou a crescer em algumas áreas.
Posteriormente um ano desse novo tratamento, entretanto, Beatriz realizou um examinação de densidade óssea, necessário em tratamentos com esse tipo de medicamento. O examinação revelou que a jovem, de exclusivamente 17 anos, na quadra, estava com osteopenia, uma exigência que revela a perda gradual da tamanho óssea.
“Fui para um reumatologista e ele me assustou bastante. Falou para eu pensar muito muito, porque, se eu continuasse tomando corticoide, eu estaria numa cadeira de rodas com 45 anos. Eu lembro que saí de lá chorando, fiquei uns três dias pensando e resolvi que eu iria parar de me tratar”, conta.
A dermatologista explica que o corticoide pode ser usado em diversos esquemas, de forma injetável ou vocal. No entanto, se usado por muito tempo, pode resultar em muitos efeitos colaterais uma vez que a perda de densidade óssea, e, por isso, o paciente é escoltado com frequentes exames laboratoriais.
Em 2012, quatro anos em seguida o primeiro incidente, Beatriz perdeu todo o cabelo, inclusive de outras partes do corpo. Desde logo, convive com a calvície areata universal.
A convívio com a doença foi melhorando ao longo dos anos. Ela aprendeu a se maquiar para traçar a supercílio, por exemplo. Também já usou peruca, mas não se adaptou. Atualmente, a revisora não faz zero para esconder ou esconder a falta de pelos. E, com a ajuda de terapia, está de muito com a sua exigência.
“O que eu acho que aconteceu comigo, e que eu acho que acontece com a maioria das pessoas que consegue permanecer muito, é que a vida vai se expandindo para outros lados. Logo, a calvície não é o principal, não é o meio. A pessoa não passa o dia pensando naquilo, ela não fica o tempo todo preocupada se estão olhando. Porquê que você faz isso? Desenvolvendo outras coisas, indo ler livros, indo ao cinema, conversando, criando uma vida mais rica, mais completa em outros lados”.
Base emocional
Para ajudar a acomodar pacientes que em um primeiro momento buscam se esconder, a dermatologista Enilde criou o Calvície Areata Grupo de Base (AAGAP), que se reúne uma vez por mês, em São Paulo, e mantém um espaço ativo de escuta e troca de informações pelo Whatsapp.
Beatriz frequentava o grupo com os pais e nutre um carinho privativo pelo espaço. Assim uma vez que Juliana Fernandes, que esteve presente na segunda reunião, há 23 anos, e hoje auxilia no protecção dos pacientes e na governo do grupo.
Juliana, que tem 45 anos e trabalha no setor imobiliário, teve o primeiro incidente de calvície quando tinha 10 anos. A mãe, ao pentear o cabelo, percebeu a falta. Ela começou o comitiva com um dermatologista e, com o tratamento, o cabelo voltava a nascer. Foi assim até os 17 anos, até que os medicamentos começaram a não fazer mais efeito.
Ao conseguir o primeiro serviço, com convênio médico, foi aconselhada a pedir uma segunda opinião. E, nesse consultório, ela ouviu que o cabelo poderia não crescer mais.
“Desde o início, na minha cabeça, na cabeça da minha mãe, era um pouco pontual, uma falta que você passa o remédio e nasce. Nunca foi explicado para a gente sobre ser autoimune, ser uma doença genética, todas as particularidades. Não tinha internet para a gente ‘dar um Google’ e poder saber o que era”.
Mesmo depois de entender melhor a exigência, Juliana conta que gastava todo o salário com medicações que não surtiram efeito. Porquê perucas e lenços não caíram no seu palato, ela decidiu enfrentar a situação sem esconder a calvície areata universal. Com a ajuda do grupo de esteio e de uma terapeuta, ela aprendeu a mourejar e a admitir a própria diferença.
“Fiz quatro anos de terapia contínua, semanalmente. E isso me ajudou muito, me ressuscitou. Eu brinco que a minha mãe me pariu uma vez e essa minha psicóloga, uma segunda vez. Descobri que eu nunca tinha tido autoestima, mesmo com cabelo. Aprendi a mourejar e admitir a diferença. Me olho no espelho e me acho normal. Estou mais da metade da minha vida sem cabelo, é originário.”
Abraçar a diferença
Juliana conta que, praticamente todos os dias, novos pacientes chegam ao grupo de esteio. Familiares também buscam a rede, sobretudo as mães, uma vez que Regina Ramos, psicóloga e mãe de um juvenil que teve o primeiro incidente de queda de cabelo aos 8 anos de idade. A calvície dele logo evoluiu para a universal e, desse primeiro incidente, já saiu totalmente sem pelos. Depois disso, nenhum tratamento teve eficiência.
A família acompanha as pesquisas sobre a doença, mas pondera os efeitos colaterais, sobretudo por se tratar de um jovem em formação. E, até o momento, a escolha tem sido por preservar a saúde e trabalhar os impactos emocionais da perda do cabelo.
“O melhor tratamento, o que talvez fosse mais provável para a gente, era trabalhar muito a autoestima, a autoimagem, porque isso eu conheço e sei que a gente consegue. Eu esperava poder ajudá-lo nesse vista”, explica.
Ajudar o fruto a se fortalecer também é o objetivo de Paloma Monteiro da Lava, mãe do pequeno Levi, de 5 anos. Assim uma vez que o fruto da Regina, Levi teve um incidente que logo evoluiu para a calvície areata universal.
A queda de cabelo começou depois de um quadro de febre subida que durou dois dias. O diagnóstico veio em maio de 2025, e Levi está no terceiro tratamento, sendo escoltado de perto por uma dermatologista. Até o momento, não teve nenhum efeito paralelo, e a família já decidiu que, se a medicação afetar a saúde do pequeno, o tratamento será suspenso.
Paloma conta que o fruto sempre lidou com a doença melhor do que ela, sobretudo pela idade. Ela resolveu, logo, ser porta-voz dele, falando sobre a calvície e conscientizando as pessoas nas redes sociais e em espaços em sua cidade, que fica no Paraná. Ao mesmo tempo, ela trabalha a autoestima e o fortalecimento emocional do fruto.
“Eu percebi, nesse tempo, que as pessoas que têm calvície se escondem. E não quero que ele faça isso. Logo, eu tento encorajá-lo a se admitir do jeito que é e ensinar que dá para ele fazer o que todo mundo faz, só que mais adequado”.
Entre as adaptações na rotina, Paloma conta que Levi sempre carrega um boné na mochila, óculos escuros e uma fralda de tecido, para impedir que o suor caia no olhinho dele. No dia a dia, as crianças da mesma idade não tratam Levi de forma dissemelhante. Já entre os maiores, ela percebe uma resistência.
“Por isso, eu palato de expor nas minhas redes sociais que nós, pais, precisamos falar com nossos filhos que existem pessoas diferentes, com cores diferentes, cabelos diferentes”.
Isso não impede que haja desafios. Paloma conta que a solidão do diagnóstico também chega até ela, que se pergunta: “eu preciso preparar o meu fruto para tudo, mas quem me prepara?”.
“Esta semana mesmo, eu estou em conversa com a diretora da escola, para que não aconteça o dia do cabelo maluco. Nós tivemos uma má experiência no ano pretérito, ele chorou muito porque não tinha cabelo uma vez que as amiguinhas. Foi muito frágil e triste para nós”, lembra Paloma, que conta que a diretora acolheu o pedido e serão feitas outras brincadeiras com as crianças.
De toda essa experiência, surgiu a campanha “Eu sou mais que fisionomia”. Nas redes, Paloma compartilha informações sobre a doença, promove debates e encontros para diminuir a desinformação.
Com o trabalho na internet, já conheceu famílias e tem realizado ligações com outras crianças com calvície – uma forma de o fruto se reconhecer. A campanha é principalmente para ele.
“Eu tenho que ajudá-lo a ser possante, fazê-lo entender que [a falta de cabelo] é uma exigência e que não é por que ele não tem cabelo que não pode fazer o que o outro faz”, completa.
Promoção de direitos
Desde 2022, tramita na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 801/2022, que altera o Regime da Pessoa com Deficiência para incluir a calvície areata. A proposta já passou pela Percentagem de Resguardo das Pessoas com Deficiência e, atualmente, aguarda discussão na Percentagem de Saúde da Câmara dos Deputados.
O projeto menciona a influência de amparar legalmente as pessoas, sobretudo pelos impactos emocionais e psicológicos da queda do cabelo. A inclusão no rol de deficiências físicas traria benefícios e direitos, ampliando a promoção de políticas públicas para essa população.
Apesar disso, Beatriz Santos e Juliana Fernandes são contrárias à aprovação da lei. Elas argumentam que a calvície não as impede de viver uma vida normal.
“Ela é uma doença autoimune. É uma deficiência? Não encaro assim. Eu faço tudo. Namoro, passeio, viajo, trabalho. Para mim, a deficiência existe na sociedade, não na gente”, acredita Juliana.
Beatriz diz que ficou incomodada com a apresentação da proposta. “Eu não concordo com a proposta, conceitualmente mesmo. A calvície é uma doença autoimune que desculpa a queda de cabelo. Ela não desculpa dor, não desculpa zero físico. A única coisa que ela altera é a fisionomia. Mas não altera o funcionamento de um órgão, por exemplo. Zero”, pondera.
Ela ainda questiona se outras doenças autoimunes também seguiriam a mesma traço e levanta a dificuldade em se estabelecer os parâmetros sobre o que seria consequência da calvície mas, não necessariamente, causada por ela.
Já a psicóloga Regina Ramos defende a ampliação de políticas públicas de atendimento. Em São Paulo, por exemplo, ela cita uma lei municipal aprovada em 2025 que instituiu um protocolo de atendimento aos pacientes diagnosticados com calvície areata.
Entre as diretrizes, estão a realização de exames e encaminhamento para comitiva psicológico gratuito.
“O recta ao tratamento e ao tratamento especializado é maravilhoso. O dispêndio da medicação é caríssimo. Logo, que as pessoas possam ter aproximação, eu acho necessário”, afirma.
Paloma, mãe do Levi, acredita que o projeto de lei pode trazer mais conhecimento e visibilidade para a doença. Aliás, para ela, a proposta pode prometer direitos ao fruto, sobretudo na vida adulta. “Lá na frente, um rapaz com calvície universal pode não conseguir um serviço por desculpa da fisionomia”, argumenta.








