Pai vira herói, mas mãe faz tudo, diz marcelo rubens

Pai vira herói, mas mãe faz tudo, diz Marcelo Rubens Paiva – 20/06/2025 – Ilustrada

Celebridades Cultura

Numa tarde de sol a pino, os escritores Marcelo Rubens Paiva e Martha Nowill concentraram grande secção do público da Feira do Livro sob e nos entornos da tenda do palco Petrobras nesta sexta-feira (20). A plateia mais enxurrada desse feriado acompanhou a conversa do responsável de “Ainda Estou Cá” e da atriz com a jornalista Micheline Alves, que atuou porquê mediadora.

Amigos de longa data, Nowill e Paiva leram trechos dos livros um do outro. Ela apresentava seu estreante “Coisas Importantes Também Serão Esquecidas” e ele seu “O Novo Agora”, títulos sobre suas recentes maternidade e paternidade. Os autores falaram sobre ter filhos na pandemia, compartilharam pérolas dos pequenos e suas experiências durante o tão temido parto.

“Nem Sylvia Plath, nem Jane Austen, nem Lygia Fagundes Telles escreveram sobre isso”, apontou Paiva, para ressaltar que Nowill escreveu. Com o livro da atriz em mãos, ele arrancou risos da plateia ao ler os medos de uma mãe prestes a parir, receios que um pai não carrega.

Mais risadas ecoaram com a história da participação de Paiva no parto humanizado de sua ex-mulher. “Nem sei se posso falar essas intimidades do parto, mas está no livro, logo posso falar”, disse.

“O Marcelo tem o relato do parto do ponto de vista dele e eu tenho o meu”, apontou Nowill. Ela afirmou ter visto muitas coisas parecidas entre os dois, um tanto de que Paiva disse discordar. “Para mim é muito dissemelhante, a sua é a visão de dentro e a minha é de fora.”

Em seu livro, Paiva se preocupou em evidenciar o papel da mãe, assim porquê fez no comemorado “Ainda Estou Cá”. “No livro eu reconheci o heroísmo da minha mãe décadas depois, porque nesse mundo machista meu pai era o herói quando, na verdade, minha mãe fez tudo”.

A menção a Eunice Paiva arrancou aplausos da plateia lotada. “Em ‘O Novo Agora’ eu reconheci novamente o papel da mãe, porque o pai não faz zero.”

No primórdio do dia, o auditório Armando Nogueira testemunhou um encontro de editores. O jornalista Vitor Pamplona mediou uma conversa entre Jiro Takahashi e Cecília Arbolave.

Takahashi está desde a “antiguidade”, porquê ele mesmo diz, no mercado literário brasiliano. Com mais de 50 anos de curso, ele contou do processo de geração da famosa coleção Vaga-Lume. Já Arbolave é um nome importante no mercado de livros independentes hoje, adiante de projetos porquê a editora Lote 42 e a Mesa Tatuí.

Reunidos na mesa “Para Gostar de Ler” —título que faz referência a uma das coleções idealizadas por Takahashi nos anos 1970—, os editores falaram da valia e do prazer da leitura.

Nascido em uma pequena cidade que não tinha nem uma mesa, Takahashi contou que as pessoas só conseguiam ler quando traziam livros e gibis de fora. Mas hoje a verdade é dissemelhante. O tropeço agora, porquê apontou Arbolave, é escolher um livro em meio a tantas distrações.

“As big techs ficam em outro nível da vida enquanto nós ficamos no soalho da resistência”, disse Takahashi. “A gente está com estilete enquanto eles estão com a motosserra.”

Entre as facilidades tecnológicas de hoje, o repto dos editores é mostrar que ler e manusear um livro é recreativo. Arbolave faz isso pensando na forma, além do teor. “O zelo com o lúdrico e a materialidade tem que ser para todas as idades”, afirma a editora, que inclui em seu catálogo livros com os mais diversos formatos, tintas e texturas.

Em seguida, Humberto Werneck e Luís Henrique Pellanda se reuniram para um papo de cronistas mediado pelo jornalista Ruan de Sousa Gabriel.

Esse gênero é tipicamente associado ao Brasil, disse Werneck, mas “veio da França e se adaptou muito muito ao nosso país”. “Eu comparo com o futebol, que chegou cá, ainda sem a cintura brasileira, trazido da Inglaterra por Charles Miller”, que dá nome à rossio onde aconteceu a conversa.

“No Brasil, existe uma teoria de que quem não lê é inepto e que quem lê é melhor. Mas ninguém está lendo de verdade, nem mesmo as elites”, afirmou Pellanda. Segundo ele, a crônica chegou aos brasileiros porquê “um recurso para entregar literatura para um público não habituado a ler”.

A mesa com a psicanalista e escritora Vera Iaconelli, promovida pela Folha no Tablado Mário de Andrade, ficou lotada no primórdio da tarde. Muitas pessoas acompanharam a conversa de pé ou sentadas no soalho. Mediado pela jornalista Anna Virgínia Balloussier, o encontro marcou a apresentação de “Estudo”, novo livro de Iaconelli.

A obra secção da trajetória da autora porquê analisanda e propõe uma reflexão sátira sobre o papel da psicanálise no Brasil. “O processo de estudar a própria existência nunca acaba”, afirmou. “O sorte do término da minha estudo foi ortografar esse livro.”

Ao longo da conversa, ela enfatizou que o processo analítico exige envolvimento e responsabilidade. “Estudo não é Procon. Uma estudo só começa quando a pessoa se implica”, disse, destacando a valia de reconhecer o próprio papel no divã. “O analisando precisa enxergar seu envolvimento naquilo sobre o que se queixa”, disse ela.

Segundo a autora, o sofrimento e a angústia costumam ser os principais motivadores para iniciar uma estudo. Mas, longe de serem unicamente obstáculos, esses sentimentos podem operar porquê forças propulsoras. “Sem sofrimento, não há o prazer nem o libido de coisas novas”, afirmou, ressaltando o papel fundamental do mal-estar porquê motor de transformação psíquica.

Folha

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