Para criminosos, tudo se arranja com zero burocracia 08/03/2026

Para criminosos, tudo se arranja com zero burocracia – 08/03/2026 – Luiz Felipe Pondé

Celebridades Cultura

A esta profundeza, todo mundo já deve saber que a guerra dos Estados Unidos contra o Irã é exclusivamente colateralmente sobre Israel, apesar do papel necessário que o moderno Estado judeu tem desempenhado, ao longo dos anos, ao combater os tentáculos do regime iraniano sicário através de seus “proxies”, uma vez que o Hamas e o Hezbollah.

Israel tem sorte de que os Estados Unidos precisam, por razões geopolíticas, trinchar as asas da China no Oriente Médio. O Irã era, até ontem, a grande cabeça de ponte da China para desgastar o orçamento militar, a lucidez e a força geopolítica americana.

Ao vender armas superagressivas e tecnológicas para o “governo legítimo dos aiatolás”, o governo chinês —com um Irã hoje totalmente dependente da China, uma vez que Cuba foi um dia da URSS— viu no iraniano uma chance de, quem sabe, concretizar o sonho de engolir Taiwan e a sua super indústria, indispensável para armas e lucros do século 21. Enquanto isso, os Estados Unidos iniciariam negociações sem termo com o Irã, principalmente se um democrata for eleito presidente e o país voltar a ser leniente com terroristas.

Irã, Venezuela e Cuba são, hoje, os tentáculos da China na Guerra Fria do século 21. E o Brasil quer entreter de histrião da golpe nessa tragédia. Sinto vergonha alheia de ver gente grande, e, supostamente, muito formada, “defendendo” a pundonor e legitimidade do regime dos aiatolás, uma vez que se geopolítica fosse uma reinação infantil de polícia e ladrão.

O sofrimento dos seres humanos nunca importou em geopolítica. Judeus, palestinos, africanos, indígenas, só importam quando sopram ventos de alguma modinha humanista efêmera. A história chega a ser monótona na sua repetição de que o que importa é poder, domínio, verba e, uma vez que um resumo disso tudo, o controle do horizonte próximo.

Quando se faz parecer que o que está em jogo em geopolítica são direitos humanos, se presta um enorme desserviço à informação e formação da sociedade. Declarar que direitos humanos importam em geopolítica é uma das maiores fake news divulgadas, mesmo por jornalistas profissionais.

Voltando para o nosso quintal. Outro dia, vindo do aeroporto de Guarulhos em um táxi, tentei usar o celular até perceber que, uma vez que de prática ao passar pelas imediações das penitenciárias, o sinal é interrompido por razões de “segurança”.

O motorista imediatamente reagiu: “Os presos usam o wi-fi da masmorra, porque, finalmente, eles têm recta de continuar seus negócios de lá de dentro, né?”. E continuou de forma desenvolta, uma vez que se defendesse uma tese em sociologia.

Os bandidos têm muito mais recta do que nós, que trabalhamos de sol a sol e somos roubados, assassinados e temos nossas famílias acuadas por eles. Por fim de contas, os bandidos têm um ofício: matar, roubar e vender drogas para os riquinhos. Mais do que um ofício, eles têm o recta de nos matar, roubar e tomar conta do país, com a ajuda da “Justiça”.

Coitados, nós tiramos o recta deles de ir e vir para roubar, matar e vender drogas. Por isso mesmo, eles recebem “bolsa reclusão”. Já que a sociedade os trancafiou de forma injusta na masmorra, zero mais legítimo do que paguemos, com o verba que nos é roubado pelo governo em impostos, uma bolsa para as suas famílias, vítimas do contraditório que é botar bandidos na masmorra. Para os criminosos tudo se arranja, com zero burocracia e muita “pundonor”.

Mas a nossa vergonha alheia não para aí. Nosso STF ainda decidiu que, nesses casos, não importa o que aconteça em termos de abusos de poder, nem de indiferença para com conflitos de interesses que parecem se multiplicar na mais subida golpe. A sociedade brasileira, que já nasceu cansada e corrupta, não fará zero para barrar esses abusos. Nossos representantes são delinquentes institucionais. Nasce assim uma novidade cultura de truculência: uma truculência togada. E com esta ninguém pode —e tudo regado ao “molho” da resguardo da democracia.

Aliás, falando de democracia, não conheço uma em que não se possa xingar seus mais altos mandatários. O argumento da honra, hoje, a termo de proteger abusos das altas patentes do Estado brasiliano, é uma verdadeira opróbrio vernáculo. E desgraçadamente, essa opróbrio vernáculo vem cercada de discursos da “intelligentsia” que defendem todo tipo de ataque, contanto que ajude Lula a lucrar a eleição deste ano.

O tal desfile que fez propaganda de Lula no Carnaval carioca é a prova de que o Brasil está perdido uma vez que lugar de instituições que gozam de alguma credibilidade. Se você for coligado do Lula, você pode mesmo debochar de segmentos religiosos considerados aliados dos “idiotas em defende”.

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Folha

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