Pedro Bandeira: Largar livro chato é um direito humano

Pedro Bandeira: Largar livro chato é um direito humano – 26/12/2025 – Ilustrada

Celebridades Cultura

Um dos direitos mais básicos do ser humano é fechar um livro que está raso, reza Pedro Bandeira. “Você chegou à vigésima página, está um saco? Larga aquele troço. ‘Ah, mas eu tenho que ir até o termo.’ Não tem.”

É por isso que esse responsável, firme há quatro décadas uma vez que um dos mais populares do país, ainda presta tanta atenção a uma vez que conversar muito suas ideias. Não há chave melhor para segurar um leitor na narrativa —ainda mais uma muchacho ou jovem, seu principal público.

“Tem gente que acha que cultura é ninguém lhe entender. ‘Eu sou tão inteligente que ninguém me entende.’ Isso é de uma fidalguia idiota. Eu quero que me entendam. Eu luto para ser entendido”, afirma. “Autores amigos meus, que faziam sucesso universitário e pouco sucesso popular, falavam ‘eu escrevo para mim, leia quem quiser’. Dançou. Dançou, companheiro.”

O plumitivo de 83 anos recebeu o repórter e o fotógrafo da Folha em seu escritório em São Paulo, na primeira semana de dezembro, para participar da série Lugar de Escrita. O projeto visitante autores e autoras consagradas para mostrar seu envolvente de trabalho e discutir seu processo criativo.

Bandeira se divide entre o apartamento no bairro dos Jardins e seu sítio no interno do estado. Vem pousar na capital quando tem compromissos. Ali, ele mostra uma de suas fiéis companheiras, a edição antiga de um calhamaço, o “Léxico de Rimas da Língua Portuguesa”.

Ué, mas Bandeira não é exatamente publicado pela trova. Aí é que está. “Para a muchacho pequena, o verso é muito mais fácil de compreender. Quando você está na tempo de comprar compreensão leitora, ajuda muito, porque a redondilha segue o ritmo originário da língua falada. A prosa livre é mais difícil, não marca o momento de respirar.”

Foi um de seus aprendizados numa curso longa. Uma colega contemporânea que lhe ensinou muito foi Ruth Rocha —ela sempre defendeu que “simplificar a linguagem para a muchacho não é fazer língua de truão”.

“É, por exemplo, procurar mais substantivos adjetivados, que já dizem um pouco. Você diz mandatário, não precisa expor ‘mandatário sério’, ‘mandatário austero’. Mandatário já tem sua própria qualificação. Assim você simplifica a linguagem sem empobrecer zero.”

Esse libido pela informação eficiente já estava inscrito nas funções que Bandeira cumpriu antes de estourar uma vez que plumitivo —professor de cursinho, publicitário, jornalista. Foi uma era importante para se policiar a redigir “com ou sem inspiração”. Hoje, ainda diz redigir todo dia.

A viradela foi com seu primeiro livro publicado, em 1983. “O Dinossauro que Fazia Au-Au” saiu pela Moderna, que o edita até hoje, e abriu alas para alguns dos mais conhecidos livros infantojuvenis brasileiros, uma vez que “O Fantástico Mistério de Feiurinha” e “A Droga da Obediência”.

Oriente último, que começou a popular série da turma dos Karas, acaba de lucrar uma adaptação em quadrinhos e uma edição peculiar para comemorar seus 40 anos de publicação. Foi um best-seller rapidamente adoptado por leitores em idade escolar.

Um jeito de redigir muito para essa fita etária é se pôr no lugar dela, sem olhar de cima para grave. “Você vê uma muchacho de cinco anos de cabeça baixa. Começa a pensar, a partir da verdade dela, o que pode estar acontecendo. Aí pode surgir alguma coisa na tua sensibilidade.”

“Porque eu escrevo para o meu leitor, não para os adultos que me dariam prêmio. O meu leitor tem que entender o que eu estou querendo falar com ele. Aí procuro a linguagem mais precisa. Por exemplo, segundo Piaget, até os 12 anos uma muchacho não entende ironia. Se você fala que estava na Lua, ela vai crer.”

Pedro Bandeira, ainda muito, está num dia de falar pelos cotovelos —se morosidade na entrevista e nas fotos para a Folha por quase três horas. Diz, com qualquer aperto no peito, que não tem mais crianças no dia a dia da família. Sua neta mais velha tem 27 anos e o mais novo fez 13.

Sem ser provocado, fala sobre Bolsonaro —”foi preciso que ele fizesse tudo o que fez para a gente entender que não dá para optar um rostro uma vez que esse”— e Trump —”é o presidente da democracia mais famosa do mundo falando sobre o imigrante da Somália igual Hitler falava sobre os judeus”.

E se detém sobre Monteiro Lobato, dizendo que hoje “tem uma pendência muito grande para ele ser cancelado”. O repórter pergunta uma vez que ele, Bandeira, se sente com a teoria de que gerações futuras vejam seus livros uma vez que datados, precisando de notas de rodapé.

“Pode ser que isso aconteça, mas vai demorar”, torce. “Eu só trato de emoção de muchacho e de juvenil. Pode mudar a linguagem? Isso morosidade. Não sei. Não dá para redigir para o porvir. Mas eu acho que eu escrevo para o porvir quando trato das emoções humanas.”

Folha

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