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Pinacoteca de SP tem mostra interativa para crianças 09/06/2026
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Pinacoteca de SP tem mostra interativa para crianças – 09/06/2026 – Ilustrada

Qual é a primeira coisa que se ouve quando uma garoto entra numa sala enxurrada de obras de arte únicas, algumas valendo milhões de reais? Muito provavelmente, serão as súplicas de um monitor ou segurança para que seus responsáveis não a deixem tocar em zero.

Se um pouco assim acontecesse, a novidade exposição da Pinacoteca de São Paulo perderia a razão de ser. Os adultos é que são coadjuvantes em “Para Crianças: Experiências com a Arte desde 1968”, que abriu no termo de maio e encerra em outubro, no termo de semana seguinte ao Dia das Crianças.

A mostra, segundo Ana Maria Maia, cocuradora ao lado de Lorraine Mendes, não existe sem esse público nem sempre benquisto em museus. “Em vez de arruinar, ele faz a obra subsistir, ele completa a obra.”

O espírito da coisa transparece num caderno de atividades proposto no lugar daqueles catálogos com texto cabeça que geralmente acompanham grandes exposições. Ilustrado por Talita Hoffmann, que já fez capas de livros infantis para gente porquê Luiz Ruffato e os colunistas da Folha Tati Bernardi e Antonio Prata, o livro sugere várias brincadeiras que interagem com o trabalho dos 11 artistas na mostra, alguns muito conhecidos dos adultos, porquê Lygia Pape e Ernesto Neto.

Fica o invitação na página 18: escreva um temor, um medinho e um medão que você tem hoje —adultos, que os têm aos montes, também podem registrá-los. O tirocínio espelha “O Nome do Susto”, instalação que a mineira Rivane Neueschwander criou em 2017.

É um exemplo rotundo de “porquê trazer as crianças porquê agentes artísticos ativos das obras”, diz Maia. “É bonito de pensar porquê elas são colaboradoras dos artistas. Neueschwander chamou as crianças para narrar para ela quais eram seus maiores medos, e depois para riscar capas que as protegem desses medos. Portanto já começa esse tirocínio de imaginação e de geração.”

A instalação atual conta com tapume de 20 dessas capas, algumas que podem ser vestidas pelos visitantes, outras unicamente para reparo. Há um protótipo que remete a zumbi e ao pânico de sentir saudade.

Em texto do Museu de Arte do Rio, onde o projeto já foi exposto, a artista é creditada por proferir “interstícios da vocábulo e da imagem”, disponibilizando “seu instrumental poético para um mergulho na história e experiência do outro”.

Já o material da Pina fala a língua da garotada: “Junto com elas, [Neueschwander] pensou em formas que os medos teriam. Ela portanto chamou amigos artistas para transformar esses medos em capas. Quando estamos vestindo o temor, podemos ter mais coragem e vencê-lo!”

Também dá para recriar em morada uma miniversão de “A Rapaz e o Artista”, armada pelo paulista Marcello Nitsche 49 anos detrás. Mencionada na exposição de agora, a obra só existia com a participação do público mira, que primeiro atravessava uma grande e colorida bolha inflável e depois era convidado a pintá-la. Para refazer os “sopros de cor”, bastam um recipiente, uma colher de chá, chuva, detergente, tinta guache, copo descartável e folhas grandes de papel, mais a ajuda de um adulto.

“Para Crianças” será, junto com uma do sul-coreano Nam June Paik, a maior exposição do ano na Pina. O planejamento começou há três anos, numa parceria com o germânico Haus der Kunst. O museu de Munique também apresentou a mostra.

Há uma obra, mas, que só será vista por cá: um banco de areia gigante, geração da paulista Graziela Kunsch, que em 2022 foi a única brasileira na Documenta de Kassel, a maior mostra de arte do mundo.

Não se trata de uma areia qualquer. Ela não é úmida porquê a que encontramos em tantos parquinhos por aí, que acaba virando castelinhos.

A areia na Pina é fininha, muito seca, não para de pé nunca —porquê a que preenche uma ampulheta. Foi de propósito. Sobre ela, a artista espalhou objetos pessoais ou garimpados em antiquários: panelas, moedores, funis. “A areia escorre pelos furos, não gera objeto qualquer. A garoto repete a ação porquê pesquisa. A arte não precisa produzir um objeto, pode ser processo, e para mim divertir é o processo”, diz a mãe de uma moçoila de sete anos, que começou a pesquisar a puerícia justamente posteriormente a filha nascer.

Kunsch conversou com a Folha na pré-abertura da exposição, enquanto duas crianças pequenas disputavam uma bandeja da família da artista. Tudo muito se uma coisa ou outra terminar não voltando para morada. Esses itens, segundo ela, “dão essa classe de espírito”, para não ser tudo tão asséptico, um quadrilha de utensílios sem personalidade.

Não faz muita diferença saber quem nasceu primeiro, o ovo ou a penosa, o repertório artístico ou a farra. Tudo vira uma coisa só em instalações que incentivam até riscar no pavimento do museu, sugestão do nipónico Ei Arakawa-Nash em “Mega Please Draw Freely” (mega, por obséquio, desenhe livremente).

Também vale divertir de Lego. O dinamarquês Olafur Eliasson pensou numa grande mesa com vários blocos brancos que as pessoas podem montar e desmontar à vontade, de modo que sua obra está sempre se metamorfoseando em um pouco novo.

Maia, a curadora, observa que muitas propostas de arte para crianças partem do princípio de que tudo deve ser necessariamente sarapintado, chamativo e frenético, “numa intenção puramente de entretenimento”. Para ela, esse excesso descamba em um pouco “totalmente saturado”, e aí a brecha para reflexão se fecha. “Será que deixa espaço para a imaginação da garoto?”

Tem muita cor na Pina, sim. Mas tem também o “espaço da sutileza, da incerteza, da indecisão, do vazio”, diz. “É muito interessante a gente pensar porquê esses supostamente opostos podem e devem conviver em qualquer experiência voltada para as crianças. É essa teoria de que elas trazem a sua sensibilidade para completar a obra.” A criancice só pode estar de farra.

Folha

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