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Por que tampas de garrafa d'água são proibidas em shows?
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Por que tampas de garrafa d’água são proibidas em shows? – 06/11/2026 – K-cultura

Fãs encontraram uma solução para entrar com tampas de garrafa d’chuva nos shows do BTS na última semana, em São Paulo. Barrado na ingresso de eventos, o objeto foi personalizado porquê chaveiro, para passar camuflado na revista.

Nos meses anteriores à apresentação, no estádio Morumbis, tutoriais nas redes sociais ensinavam porquê personalizar a tampinha e lojas online ofertavam o resultado temático, feito com sensação 3D.

A Made in Korea Minas, em Belo Horizonte, vendeu em outubro muro de 200 tampinhas produzidas com a tecnologia. A teoria veio de uma cliente, que comentou sobre a proibição de garrafas lacradas. “Uma vez que somos fãs e vimos essa urgência, replicamos o projeto em impressora 3D para que mais pessoas tivessem entrada e pudessem aproveitar o show com tranquilidade”, diz a proprietária. Cada um saía por R$ 15.

A farmacêutica Mariana Lorencetti, 24, viu anúncios de chaveiros, mas achou dispendioso para um item que podia ser descartado. Logo criou o seu próprio. Testou diferentes materiais e fez dois moldes até atingir. “Mas valeu a pena”, diz a fã, que conseguiu entrar com o lacre. Ela afirma que a revista no estádio foi corrida e viu pessoas entrando com a garrafa tampada.

Ao pesquisar o que levar para o seu primeiro show na vida, o do BTS, Lorencetti viu relatos sobre permanecer sem chuva devido à regra. “Porque derrubava da garrafa na correria para pegar grade, ou porque não dava pra colocar a garrafa na bolsa ou no pavimento e aproveitar o show com as mãos livres”, diz. “Logo levei isso porquê um problema.”

“Não conheço muito muito os motivos que levaram à proibição. Entendo que seja uma medida de segurança importante, mas também entendo o lado dos fãs por quererem a praticidade de poder velar a garrafa tampada sem terror de derrubar em si ou nos outros”, opina a fã.

As buscas por chaveiros temáticos do BTS cresceram 63% de abril, quando a turnê foi anunciada, a outubro na Shopee. Já as vendas aumentaram 138% em outubro, segundo levantamento da plataforma. Não dá para saber, porém, se as pesquisas visavam os chaveiros-tampas.

Um site que disponibiliza modelos de sensação em 3D de perdão mostra 788 downloads em dois meses de um design temático do BTS que pode ser rosqueado em garrafa. A teoria, no entanto, não é exclusiva do k-pop. Perfis em redes sociais e plataformas porquê Shopee e Mercado Livre ofertam o resultado com temas variados.

ENTENDA A REGRA

O decreto federalista 13.109, sancionado em agosto deste ano, estabelece que os responsáveis pela organização de shows, festivais e outros eventos em espaços abertos ou fechados devem permitir a ingresso de consumidores com garrafas e outros recipientes de uso pessoal que contenham chuva potável para consumo.

A medida afirma ainda que a organização pode estabelecer restrições quanto aos materiais das garrafas e outros recipientes, desde que limitadas ao necessário para prometer a segurança e a integridade física dos consumidores. Isso deve ser divulgado previamente ao público.

A Live Nation, responsável pelos shows do BTS no Brasil, confirmou que as tampas eram proibidas, mas não respondeu o que motivou a interdição do item.

A produtora informou previamente ao público que era permitida a ingresso de chuva mineral para consumo próprio, em garrafas ou copos de até 600 ml, sem tampa, desde que não fossem de vidro, metal ou materiais que oferecessem riscos à segurança. Anunciou também que todos estariam sujeitos à inspeção e revista corporal, e objetos não autorizados seriam descartados.

Uma garrafa d’chuva enxurrada e fechada vira um objeto que pode ser arremessado, o que coloca a segurança de espectadores, profissionais e artistas em risco. Por isso, as tampas são removidas. É o que explica Mara Natacci, advogada especializada em entretenimento.

“Numa eventual recontro, a garrafa enxurrada vira arma e machuca as pessoas”, diz. Ao remover a tampinha, se a garrafa for arremessada, a chuva escorre, o objeto perde peso e machuca menos, afirma a advogada.

Os shows têm sido pacíficos, diz Natacci, mas já houve casos de brigas e confusões em que garrafas eram arremessadas. “Algumas medidas são tomadas para resguardar a segurança de todo o público”, afirma.

A questão remonta a um incidente que ocorreu há 25 anos, quando Carlinhos Brown sofreu uma “garrafada” durante apresentação no Rock in Rio. A partir de logo, a ingresso de garrafas de chuva em shows foi vetada.

A regra, porém, foi modificada quando uma fã de 23 anos morreu durante show da cantora Taylor Swift no Rio de Janeiro, em novembro de 2023. Ana Clara Benevides sofreu uma paragem cardiorrespiratória e morreu depois passar mal no Engenhão, onde os termômetros registraram uma sensação térmica de 60°C.

O Ministério da Justiça sancionou na estação medida provisória que autorizava a ingresso de garrafas d’chuva de uso pessoal em shows e festivais. Outrossim, exigia que a produção disponibilizasse bebedouros ou distribuísse embalagens individuais de chuva de perdão e com fácil entrada. Ao mesmo tempo, o lugar também pode comercializar a bebida. Foi essa medida que se transformou em decreto federalista em agosto deste ano.

Em estádios e locais de grande aglomeração, o que pode ou não entrar é determinado pela Polícia Militar do Estado de São Paulo. No caso da chuva, o órgão afirma em nota que as medidas devem considerar a particularidade de cada evento, conciliando a garantia de entrada à hidratação com a prevenção de riscos à segurança coletiva.

“A retirada das tampas possui caráter preventivo e não significa que toda garrafa com tampa represente, isoladamente, risco concreto à segurança”, afirma a Polícia Militar paulista. O objetivo é minimizar a chance do objeto ser utilizado para ser arremessado, reduzindo o potencial de lesões.

O órgão não atua em casas de shows, e a definição do tipo de embalagem permitida depende de cada estabelecimento, explica Natacci. Ainda assim, o lugar é obrigado a disponibilizar bebedouro ou distribuição gratuita de chuva.

A tampinha é geralmente descartada durante a revista na ingresso do espaço onde é realizada a apresentação. “A pessoa não entra até descartá-la ou esvaziar a garrafa”, diz a advogada. A proibição ainda pega fãs de surpresa, que costumam reclamar da exigência e questionam sua praticidade.

Procurado para falar se considera a medida abusiva e quais são os direitos do consumidor, o Procon-SP se limitou a manifestar que não constam registros de reclamação de consumidores sobre a proibição de ingresso de garrafas com tampa em 2026.

Natacci lista opções permitidas, porquê copo d’chuva plástico pequeno lacrado ou embalagens flexíveis, porquê squeezes. A lógica é pensar se aquilo é arremessável e pode ocasionar ferimentos, ela resume.

Folha

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