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Poucos conhecem a visão poética de Jay Z, diz Rick Rubin
Celebridades Cultura

Poucos conhecem a visão poética de Jay-Z, diz Rick Rubin – 12/10/2026 – Ilustrada

Quem conhece o produtor músico Rick Rubin pelo trabalho em discos de Red Hot Chili Peppers, Johnny Cash, System of a Down, Slayer e The Strokes, entre centenas de nomes importantes do rock, pop, rap e country, certamente se surpreendeu com sua habilidade porquê entrevistador na minissérie “McCartney 3, 2, 1!”, disponível no Disney+, em que ele conversa com o ex-Beatle sobre sua curso e preferências musicais.

Rubin, 63, parece ter gostado da graçola e agora volta à fardo com outra exploração sobre o trabalho de um nome importante da música pop: “Jay-Z em 8”, série em oito episódios, na Mubi, em que Rubin entrevista o rapper Jay-Z sobre sua vida e curso.

“As pessoas pensam em Jay-Z porquê um grande varão de negócios ou porquê um bilionário, mas poucos conhecem a profundidade e visão poética da escrita dele”, afirma Rubin à reportagem, por email.

Rodada em preto e branco, a série esmiúça toda a curso músico de Jay-Z, que comenta e explica as motivações por trás de suas canções mais famosas, detalha amizades e trabalhos com artistas porquê Tupac, Biggie Smalls e outros, e revela porquê a sua vida inspirou letras porquê “Meet the Parents”,

“What More Can I Say” e “Brooklyn’s Finest”.

Jay-Z conta ainda, por exemplo, que se arrepende de ter escolhido “Change Clothes” porquê música de trabalho do LP “The Black Album” em vez de “Encore”.

Tudo isso num formato simples —unicamente Rick Rubin e Jay-Z sentados numa sala, conversando e ouvindo música, sem inserções de cenas de registro ou depoimentos de outras pessoas. A única instrumento que Rubin utiliza para ilustrar a conversa são trechos de letras do artista.

Rubin já trabalhou com grandes nomes do rap, porquê Public Enemy, LL Cool J, Run-DMC e Beastie Boys, e é capaz de falar do gênero com a propriedade de um profissional. Mesmo assim, ao longo da série, demonstra surpresa com várias das histórias de Jay-Z, porquê ele afirma em entrevista à Folha.

Por que você decidiu realizar essa exploração profunda sobre o trabalho de Jay-Z? Uma vez que a música dele te impacta?

Fiz uma série com Paul McCartney, “McCartney 3,2,1!” [a série está na Disney+], em que analisamos Paul porquê músico. Por mais óbvio que possa parecer, poucos livros ou filmes sobre os Beatles são focados na musicalidade da filarmónica. Os trabalhos tendem a ser sobre o processo de formação ou sobre a Beatlemania, portanto olhar para Paul unicamente porquê um músico jogou uma luz dissemelhante sobre ele.

Depois dessa experiência tão reveladora, pensei ‘quem é um artista que não é sempre analisado pelo que faz criativamente?’ Jay-Z foi a primeira pessoa que me veio à mente. As pessoas pensam em Jay-Z porquê um grande varão de negócios ou porquê um bilionário, mas poucos conhecem a profundidade e visão poética da escrita dele. O propósito de “Jay-Z em 8” é explorar a dificuldade desse artista e aprender mais não só sobre ele, mas sobre o hip-hop em universal. Fiquei comovido pelo que foi revelado e desvelado durante o processo. No salão em que gravamos, eu era basicamente a única plateia, mas agora todos poderão compartilhar a experiência.

Durante suas conversas com Jay-Z, você menciona que a maioria das pessoas não entende ou não sabe considerar o hip-hop. Uma vez que um produtor que trabalhou bastante com alguns dos nomes mais importantes do gênero, poderia explicar o que as pessoas não estão captando?

A maioria das pessoas ouve música num nível superficial: a batida, o ritmo, as rimas, o gancho. O que é pouco usual sobre rap é a dificuldade e o volume das letras. Uma música pop típica tem quatro linhas nos versos e quatro linhas no refrão. Usualmente, uma música pop tem três versos, às vezes dois, e o refrão se repete. Isso talvez dê um totalidade de 16 linhas numa música. O rap pode ter o duplo ou o triplo disso.

O volume de informação contida numa música de hip-hop é muito, muito maior do que numa música pop. Exclusivamente os fãs mais obsessivos de hip-hop captam toda a dificuldade, os duplos sentidos e metáforas que passam batidos por um ouvinte casual. Há tanta coisa contida nas letras de Jay-Z que até fãs dele estão dizendo que aprenderam coisas novas ao vê-lo comentando os próprios versos.

Quais as maiores qualidades de Jay-Z porquê produtor?

Ele é um rabino da escrita. Tanto o teor das letras porquê as palavras que ele usa para descrever esse teor são completamente únicos.

Uma vez que você dividiu os oito episódios? Havia alguma ordem planejada para a conversa? Por que a série tem um ritmo muito fluido, parece um papo de dois amigos conversando?

As conversas foram longas e sem roteiro. Não havia nenhuma consideração sobre porquê elas seriam divididas em um formato apresentável. Logo que a filmagem terminou, tivemos a teoria de dividi-la em seis episódios, porquê fizemos com McCartney, mas o material era muito denso, os episódios eram mais longos, e ficou difícil fazer caber toda aquela informação em seis episódios. Quando diminuímos um pouco a duração dos episódios, acabamos com oito episódios. Esse é o trabalho de um produtor músico: encontrar o formato que melhor serve ao material.

Houve alguma revelação em próprio de Jay-Z que lhe surpreendeu? Você pareceu bastante emocionado com a descrição dele para o reencontro com o pai que o havia despovoado.

Jay-Z dividiu tanta informação pessoal que é difícil computar tudo. A série me deu uma compreensão totalmente novidade sobre sua vida, seu trabalho e suas habilidades e, por meio das histórias que ele contou, me proporcionou uma novidade surpresa e compreensão do hip-hop.

Durante sua curso, você teve a chance de saber e trabalhar com alguns dos grandes, de Neil Young a Jay-Z, de Paul McCartney a Johnny Cash. Há alguma propriedade em geral a todos esses artistas, além do óbvio talento músico?

Talvez a primeira coisa que eu possa indicar seja a moral de trabalho. Todos eles tinham uma moral de trabalho que ia da saudável à obsessiva. Eles se sentiam compelidos a dividir sua música supra de muitas outras coisas em suas vidas. A vida na estrada é muito difícil, e todos esses artistas escolheram deixar os confortos de suas casas para dividir sua música com plateias. Nós vemos isso do ponto de vista do fã porquê uma celebração, mas para o artista é exaustivo viajar todo dia de país para país.

Li seu livro “O Ato Criativo: Uma Forma de Ser” e gostei bastante. Mas quando veremos a série “Rick Rubin em 8”, com uma exploração do seu trabalho porquê produtor?

Muito obrigado. Nunca pensei nisso, mas, se existisse uma maneira de isso sobrevir sem a minha participação, eu certamente ficaria curioso para ver e tentar entender porquê as coisas aconteceram. Se alguém se dispuser a fazer, eu topo.

Folha

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