O publisher da Folha e presidente do Juízo de Governo do Grupo Uol, Luiz Frias, disse na noite desta segunda-feira (30) que está prestes a fechar um convenção de licenciamento de teor com uma empresa de perceptibilidade sintético. Mas não revelou o nome da companhia.
Frias deu a enunciação durante uma gravação ao vivo do programa A Hora, no Festival Uol Prime de Jornalismo. Ele e o diretor de teor do Uol, Murilo Garavello, foram entrevistados pelos jornalistas Thais Bilenky e José Roberto de Toledo no auditório da Faap (Instalação Armando Álvares Penteado), em São Paulo. O evento fez segmento das celebrações de 30 anos do portal.
“Parece que estamos assinando um contrato de teor com… Posso expor ou não posso expor? Em vias de atingir um contrato de teor com [uma empresa de] IA”, afirmou Frias, o que fez Toledo martelar em saber mais detalhes.
“Mal assinarmos, vocês vão ser os primeiros a saber”, emendou.
A revelação veio logo que a perceptibilidade sintético foi mencionada pela primeira vez, e o tema monopolizou quase toda a conversa entre o empresário e os jornalistas. A Folha já tem um convenção de teor com outra empresa de IA.
Frias disse possuir um “consenso praticamente estabelecido” de que a transformação trazida por essa tecnologia será maior do que a Revolução Industrial, na segunda metade do século 18, ou o emergência da própria linguagem.
“Outro consenso também já bastante estabelecido é que, pela dimensão dessa transformação, ela precisa ser abraçada com muitos cuidados”, disse.
Para Frias, a preço do teor jornalístico para as empresas de IA —no treinamento de seus modelos de linguagem, por exemplo— é um indicador de que esse teor não vai desvanecer na era da novidade tecnologia.
“Ficaria preocupado se [essas empresas] não quisessem firmar contratos uma vez que esse a que me referi há pouco”, disse. “A IA tem que trabalhar sobre uma gigantesca base de dados e uma capacidade de processamento também gigantesca. E ela se alimenta muito do jornalismo profissional. E o jornalismo continua investigando, fazendo as perguntas embaraçosas… Ou deveria.”
A apropriação do teor jornalístico por empresas de IA é um dos debates mais acalorados do mercado de mídia mundial. E há duas frentes de embate. Em primeiro lugar, está a apropriação de teor jornalístico para treinar modelos de linguagem sem remunerar por isso. Em segundo, vem o vestuário de os chatbots terem potencial para substituir os mecanismos de procura —o que faz toar o alerta para o protótipo de negócios do jornalismo.
O confronto entre empresas de IA e veículos de prelo tem levado a disputas judiciais pelo mundo. Nos Estados Unidos, por exemplo, o The New York Times processa a OpenAI pelo uso de seus textos sem autorização pelo ChatGPT. Em agosto do ano pretérito, no Brasil, a Folha iniciou uma ação semelhante, requerendo que a dona do chatbot pare de coletar e usar, sem autorização e pagamento, o teor do jornal.
Frias alertou que vê as ações judiciais uma vez que uma instrumento importante quando houver uso indevido de teor das empresas do Grupo Folha.
“Não é verosímil que uma tecnologia se aproprie de um teor que custa custoso para ser feito e o utilize para fins comerciais”, afirmou.
O publisher reconheceu que a novidade tecnologia vai forçar as empresas de mídia a passar por adaptações semelhantes às da quadra do surgimento do Google. Os mecanismos de procura, finalmente, oferecem links e levam tráfico para os veículos de mídia, que podem monetizar a audiência. Já os chatbots entregam o teor completo na sua própria interface.
“Não temos resposta sobre tudo o que vai intercorrer e não sabemos recta a profundidade dessas mudanças. Mas a capacidade de se harmonizar a elas vai ser fundamental”, disse Frias.
Na entrevista ao videocast do Uol, o publisher da Folha também mostrou sua visão de uma vez que a IA deve ser usada pelos jornalistas —sem substituir o julgamento final de um profissional de prelo.
“Percebemos a tecnologia uma vez que uma instrumento, deve ser usada para ajudar em pesquisa, no manuseio de dados volumosos. Mas ela não deve substituir o recato do jornalista sobre o que está escrevendo nem a revisão final do jornalismo”, afirmou.
Diante do debate sobre as mudanças no mercado de trabalho, tema recorrente quando se fala de IA, Frias disse confiar que dois traços fundamentalmente humanos serão cruciais nos empregos do horizonte: resiliência e adaptabilidade.
“A própria história do ser vivo no planeta mostra que a resiliência é um atributo sobretudo humano. E, quanto à adaptabilidade, Darwin dizia que quem sobrevive não é o mais possante ou o mais inteligente, mas aquele que se adapta melhor às mudanças. Isso vale para a espécie humana.”
Frias também se mostrou precatado nas apostas quanto à novidade tecnologia e seus efeitos no mercado de trabalho. Apesar dos discursos de magnatas do Vale do Silício, ressaltou, a adoção corporativa da IA pode ser mais vagarosa.
“No caso do tarefa, quem contrata e investe são as empresas. Elas costumam ser mais cautelosas e avessas ao risco do que o público em universal. Essa mudança será feita com essa salvaguarda. As empresas têm um zelo maior com segurança. Vai intercorrer, mas talvez não na velocidade prevista pelo Elon Musk.”
O publisher concluiu sua fala com uma aposta sobre o horizonte: para ele, “as coisas mais importantes” vão ser aquelas que o ser humano julgar uma vez que tais. “E a capacidade de perceber o que de vestuário é importante talvez seja uma propriedade mais humana do que alguma coisa que a máquina possa superar.”
