Esta é a edição da newsletter Tudo a Ler desta quarta-feira (28). Quer recebê-la no seu email? Inscreva-se inferior:
Fernando Haddad e China Miéville, autores que lançaram livros ambiciosos recentemente, partem de lugares muito distintos para abordar o capitalismo de hoje. Um olha para a economia política; o outro, para seus efeitos culturais e imaginários. Nos dois casos, o diagnóstico aponta para um mundo fragmentado.
Em “Capitalismo Superindustrial” (Zahar, R$ 99, 456 págs.), o atual ministro da Rancho analisa porquê a incorporação da ciência porquê fator de produção tornou a inovação e a obtenção de lucro inesperado permanentes. Segundo Haddad, a inovação levou à fragmentação maior de classes, porquê aponta a reportagem de Felipe Gutierrez.
Parafraseando Liev Tolstói, ele afirma em sua estudo que “todas as classes proprietárias se parecem na felicidade, cada classe não proprietária é infeliz à sua maneira”.
Esse quadro ajuda a entender a leitura feita pelo jornalista China Miéville sobre o presente. Ao declarar que “a barbárie anda vibrante” no mundo, o jornalista aponta para um envolvente político e cultural moldado pela desigualdade, no qual o autoritarismo encontra espaço para crescer.
No romance de ficção científica “A Cicatriz” (trad. José Baltazar Pereira Júnior, Boitempo, R$ 119, 528 págs.), Miéville mostra porquê as distopias espelham uma veras em que o capitalismo gera riqueza contínua, mas também temor e o vislumbre de um porvir minaz. O britânico deu entrevista ao repórter Reinaldo José Lopes.
Acabou de Chegar
“Feito Bestas” (trad. Letícia Mei, Mundaréu, R$ 56, 104 págs.), da francesa Violaine Bérot, acompanha o resgate de uma rapariga desconhecida da serrania dos Pirineus. Narrado por um coro de vozes que depõe à polícia, o livro deixa que o leitor chegue às suas próprias conclusões —tanto sobre as condições que levaram a rapariga até ali quanto sobre os dilemas de maternidade que surgem ao longo da trama. Segundo o crítico Alex Castro, é um romance impressionantemente largo e profundo apesar de suas poucas páginas.
“Sepulcros de Caubóis” (trad. Josely Vianna Baptista, Companhia das Letras, R$ 79,90, 192 págs.) reúne três narrativas póstumas e inéditas do comemorado jornalista chileno Roberto Bolaño. Os textos heterogêneos e inacabados, porquê aponta o crítico Élvio Cotrim, soam familiares aos leitores do responsável pela repetição de seus traumas. São histórias sobre jovens errantes, destinos trágicos, violência política e a experiência do exílio latino-americano.
“Conversa Infinita” (trad. Julián Fuks, Quina, R$ 67,90, 352 págs.) surgiu do entendimento do psicanalista prateado Mariano Horenstein de que a psicanálise é um campo de fronteira com outros discursos: “A maioria dos psicanalistas que fizeram alguma diferença tem tido uma interlocução com outras disciplinas”, diz em entrevista a Giulia Peruzzo. Horenstein coloca sua visão em prática nas 19 entrevistas que compõem o livro, buscando entender porquê personalidades da estirpe de Caetano Veloso, Marina Abramovic e Anish Kapoor enxergam a psicanálise.
E mais
O jornalista prateado Julio Cortázar terá sua trova publicada pela primeira vez no Brasil. Uma selecta de seus poemas está sendo traduzida e organizada pela escritora e professora Paloma Vidal para a Companhia das Letras e deve ter muro de 300 páginas. Segundo o Pintura das Letras, o volume ainda não tem um título definido e tem previsão de transpor no segundo semestre deste ano.
Há muitos debates em torno dos significados de antissemitismo, mas, porquê aponta a reportagem de Anna Virginia Balloussier, o roupa de ele ainda subsistir parece indiscutível. Livros recentes de Mark Mazower, professor da Universidade Columbia, e do pesquisador brasílio Gustavo Binenbojm partem de visões opostas sobre porquê funciona o preconceito contra judeus e chegam a conclusões próximas: não é um fenômeno do pretérito e não é individual de um campo político.
Além dos Livros
Depois de “Moca com Deus Pai” dominar as vendas de livros no Brasil ao longo dos últimos três anos, o devocional do pastor Junior Rostirola foi desbancado pela série de variegar “Bobbie Goods” no ano pretérito. Os livros da ilustradora Abbie Goveia ocupam os quatro primeiros lugares do ranking de lançamentos mais vendidos de 2025.
Um temporal de saraiva e vento que assolou São Paulo no início do mês causou um inundação grave na editora Reformatório, na zona setentrião da capital. A estimativa é de que muro de 30% do estoque tenha sido perdido, com prejuízos avaliados em aproximadamente R$ 60 milénio. Em entrevista à Folha, o possessor da editora, Marcelo Nocelli, relatou o ocorrido e disse que boa segmento dos livros foram salvos pelo shrink, o plástico fino que envolve os exemplares.
A poeta mineira Adélia Prado, de 90 anos, foi internada na última semana depois um acidente doméstico. Depois uma queda, ela sofreu fraturas no fêmur e lesões no cotovelo e no punho. Prado segue em reparo no Hospital São Judas Tadeu, onde passou por duas cirurgias, e tem quadro firme.
