Notícias Favoritas

O seu portal favorito de notícias na Internet

Quilombolas Cobram Do Governo Agilidade Na Titulação De Terras
Brasil

Quilombolas cobram do governo agilidade na titulação de terras

Lideranças quilombolas presentes no encontro Aquilombar 2024, em Brasília, cobraram o governo federalista sobre o que consideram uma vez que lentidão do processo de titulação dos territórios das comunidades negras rurais, apesar de reconhecerem alguns avanços na tarifa do movimento durante o atual governo.

O coordenador executivo da Fala Pátrio de Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq), Biko Rodrigues, afirmou à Sucursal Brasil que o processo de titulação dos territórios ainda está engatinhando.

“A gente entende que [o atual governo] pegou um país totalmente devastado e que o ano pretérito foi um ano de reconstrução, inclusive, das políticas públicas. Mas neste ano de 2024, a gente esperava mais. A gente espera mais desse governo”, disse.

Brasília (DF) 16/05/2024 O coordenador da Coordenação Nacional de Articulação de Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ), Biko Rodrigues, durante ato no II Aquilombar, Jornada de Lutas dos Quilombolas do Brasil
 Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Brasília (DF) 16/05/2024 O coordenador da Coordenação Nacional de Articulação de Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ), Biko Rodrigues, durante ato no II Aquilombar, Jornada de Lutas dos Quilombolas do Brasil
 Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Coordenador Pátrio de Fala de Comunidades Negras Rurais Quilombolas, Biko Rodrigues, ofídio mais destreza na titulação de terras quilombolas – Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Sucursal Brasil

A segunda edição do maior evento quilombola do país recebeu nesta semana caravanas de diversos estados, somando mais de 1.000 pessoas, segundo a organização do encontro. Com o tema Ancestralizando o Horizonte, o Aquilombar 2024 encerrou uma série de atividades nesta quinta-feira (16) com uma marcha na Esplanada dos Ministérios, e com a entrega de uma missiva com a tarifa do movimento a representantes do governo federalista.  

A liderança quilombola Biko Rodrigues defendeu que a demarcação dos quilombos deve ser encarada uma vez que política de preservação do meio envolvente e citou a catástrofe climática que afeta o Rio Grande do Sul e a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), prevista para ocorrer em Belém, em 2025.  

“Nós somos a fronteira que impede o agronegócio e a mineração de completar com o campo brasílio. Mesmo sendo uma fronteira tão importante para a preservação da sociobiodiversidade, somos considerados invisíveis, mesmo estando em todos os biomas”, alertou.

O argumento de Biko é fundamentado em dados que têm indigitado que terras quilombolas são mais preservadas do que outros territórios. 

No palco, diante do público quilombola presente em Brasília e de representantes do Executivo, a principal liderança do movimento pediu ao governo federalista “sinais” de que a política de titulação de terras deve andejar.  

“Não tem uma vez que a gente tratar uma reparação de bilhões, com milhões. Hoje nós temos R$ 137 milhões [de orçamento para titulação de terras quilombolas]. Mas a política quilombola é uma política que exige muito mais do que milhões, porque é uma política histórica de reparação”, destacou.

De conformidade com Biko, os recursos do orçamento deste ano para titulação de terras daria para regularizar exclusivamente três quilombos, uma vez que o governo precisa indenizar quem ocupa as áreas reivindicadas pelas comunidades de remanescentes de escravizados no Brasil.

“O proporção de influência de uma política dentro do governo é quanto o governo prioriza aquela política no investimento de recursos, mas também na quantidade de pessoas para dar conta da demanda”, acrescentou a liderança à Sucursal Brasil.

Titulações em breve

Presente no evento com quatro ministros, entre eles, a da Paridade Social, Anielle Franco, o da Secretaria-Universal da Presidência, Márcio Macêdo, e a da Cultura, Margareth Menezes, o governo entregou certificados de reconhecimentos de territórios pela Instalação Palmares e também relatórios técnicos do Incra para alguns quilombos. Os documentos são etapas burocráticas prévias à definitiva titulação de uma terreno.

Também presente no encontro, o ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, prometeu que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai anunciar novas titulações “em breve”, logo que a situação do Rio Grande do Sul permitir.

“O presidente Lula vai entregar os títulos, os decretos e a mudança na estrutura do Incra em um período muito próximo. O presidente Lula, nesses dias, está com toda a atenção no Rio Grande do Sul”, disse.

Teixeira acrescentou que o Incra voltou a ter orçamento com os tapume de R$ 138 milhões para regularização dos territórios quilombolas. “Nós, junto com vocês, vamos concluir essa cessação inconclusa e reparar os povos de origem africana”, completou.

Brasília (DF) 16/05/2024  O ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, participa de ato no II Aquilombar, Jornada de Lutas dos Quilombolas do Brasil
 Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Brasília (DF) 16/05/2024  O ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, participa de ato no II Aquilombar, Jornada de Lutas dos Quilombolas do Brasil
 Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, diz que o presidente Lula vai entregar os títulos de reconhecimento de quilombos, II Aquilombar – Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Sucursal Brasil

No início de abril, o Incra reconheceu e delimitou as terras do Quilombo Pitanga dos Palmares, na Bahia, onde a liderança Mãe Bernadete foi assassinada em agosto de 2023. Apesar desse progressão, a titulação ainda não foi finalizada. Em março de 2023, três territórios foram titulados pelo governo federalista. Em novembro, outros cinco territórios foram titulados. O governo chegou a prometer 300 titulações até o final do procuração.

Sem paciência

Brasília (DF) 16/05/2024  Participante de ato no II Aquilombar, Jornada de Lutas dos Quilombolas do Brasil
 Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Brasília (DF) 16/05/2024  Participante de ato no II Aquilombar, Jornada de Lutas dos Quilombolas do Brasil
 Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

II Aquilombar, Jornada de Lutas dos Quilombolas do Brasil – Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Sucursal Brasil

De conformidade com o Observatório Terras Quilombolas, existem 1,9 milénio terras quilombolas em processo de regularização no Brasil. Dessas, 172 estariam com a titulação concluída, representando tapume de 9% do totalidade dos processos que iniciaram a tramitação. 

No atual ritmo, o Brasil levaria mais de 2,1 milénio anos para titular todos os territórios quilombolas com processos no Incra, segundo cômputo da organização Terreno de Direitos.

O quilombola Jhonny Martins, da executiva pátrio da Conaq, lembrou à Sucursal Brasil que o governo sempre pede paciência para a regulação dos territórios. “A gente está há quase 500 anos esperando, lutando, e tendo paciência para que as coisas aconteçam. Logo, a gente não tem mais esse tempo de paciência, a gente quer a efetividade das ações”, reclamou.

Ainda segundo a liderança, uma das dificuldades do movimento é dialogar com o Congresso Pátrio, que aprova o Orçamento da União. “A gente tem muitas comunidades que estão no meio do agro, do agro pop, do agro tech. É uma dificuldade muito grande, porque é o agro que sustenta o Congresso Pátrio”.

Jhonny disse ainda que a segunda principal demanda do movimento é em relação à violência nos quilombos, devido ao proeminente número de lideranças assassinadas. De conformidade com a Conaq, em dez anos, 30 lideranças do movimento foram assassinadas. 

“Quando um quilombola tomba, o Estado tem a mão enxurro de sangue. Se o quilombo fosse titulado, a gente não teria esse tipo de agressão”, disse.

Juventude

Brasília (DF) 16/05/2024  Sthefany Jesus da Silva, do Mato Grosso do Sul, participa de ato no II Aquilombar, Jornada de Lutas dos Quilombolas do Brasil
 Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Brasília (DF) 16/05/2024  Sthefany Jesus da Silva, do Mato Grosso do Sul, participa de ato no II Aquilombar, Jornada de Lutas dos Quilombolas do Brasil
 Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Sthefany Jesus da Silva, de Mato Grosso do Sul, participa de ato no II Aquilombar – Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Sucursal Brasil

Também marcou presença na marcha do Aquilombar 2024 a juventude do movimento, que enfrenta outros desafios, uma vez que o de mantê-los unidos em torno da luta pela titulação das terras.

A estudante de 22 anos de idade Sthéfany de Jesus Silva, do Quilombo de Furnas do Dionísio, de Mato Grosso do Sul, reclama que, a principal dificuldade é a falta de serviços públicos na zona rústico, que faz a juventude ir para as cidades.  

“Muitos jovens não procuram o movimento para saber uma vez que é [atuar no movimento]. Logo, os maiores vão passando e não passam a cultura para juventude. Uma vez que eles vão falecendo, segmento da juventude fica sem esse conhecimento ascendente que queremos preservar”, disse.

Fonte EBC

LEAVE A RESPONSE

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *