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Regina Casé mistura ciência e humor em espetáculo 21/07/2026
Celebridades Cultura

Regina Casé mistura ciência e humor em espetáculo – 21/07/2026 – Mise-en-scène

Quando caminhamos pelas ruas da cidade, sabemos nomear as espécies de árvores que vemos pelo caminho? Será uma sibipiruna, uma tipuana ou um manacá-da-serra? As pessoas muitas vezes reconhecem com facilidade animais exóticos da savana africana, mas silenciam diante da flora que sombreia suas próprias calçadas. Essa desconexão com o meio envolvente revela um sintoma da nossa quadra: a crença de que a humanidade está separada da natureza, porquê se o mundo proveniente fosse exclusivamente um cenário distante, e não a nossa própria vivenda.

É justamente para encurtar essa intervalo, trocando a frieza dos dados pelo calor do afeto, que Regina Casé retorna aos palcos em 2026 com o espetáculo “Viva! Vida!”, marcando um reencontro aguardado posteriormente mais de três décadas de carência física do teatro.

Sob a direção de Daniela Thomas e Estevão Ciavatta, a atriz costura astrofísica, biologia evolutiva e as complexidades da nossa rotina hiperconectada. Longe de toar porquê palestra acadêmica enxurrada de termos difíceis ou um manifesto ecológico, a peça se constrói no olho no olho e no desabafo sincero. O humor vira a chave principal para digerir temas urgentes sobre o orientação do planeta e a nossa própria graduação diante da imensidão do universo.

No palco, Regina assume a termo para aproximar a termodinâmica e a crise climática global da nossa sensibilidade, desarmando o peso da ciência com o frescor de uma crônica do cotidiano. Ela rebate o purismo de quem critica seu ativismo com o argumento simples de que a arte existe justamente para cruzar fronteiras e exercitar a nossa capacidade de se colocar no lugar do outro.

A própria origem do projeto traz essa mistura entre o estudo e a vivência de vivenda. Tudo começou quando Ciavatta, seu companheiro, começou a pesquisar para um documentário sobre processos de desertificação e envolveu Regina em conversas com cientistas porquê Antônio Superior e Fábio Scarano. Fascinada pela verso que existia na fala dos pesquisadores, ela percebeu que aquele conhecimento precisava lucrar o mundo.

Visualmente, o cenário concebido por Daniela Thomas ajuda a dar corpo a esse sentimento, sem recorrer a caminhos óbvios. O palco se transforma em uma paisagem abstrata com estruturas rochosas áridas que lembram o solo de Marte, um lembrete taciturno do que acontece com um mundo que desiste da vida.

No meio, um mundo terrestre azulado fica suspenso e recebe o toque quebrável, quase de mãe, da atriz, simbolizando a extrema fragilidade do nosso ecossistema. A mergulho ganha profundidade com a tela de LED do Estúdio Radiográfico, que projeta poeira cósmica e constelações, em perfeita sintonia com a luz acolhedora de Beto Bruel e a trilha viva do pianista Amaro Freitas, do qual jazz contemporâneo conversa com as nossas raízes afro-brasileiras.

A venustidade de “Viva! Vida!”, todavia, está na recusa em deixar quem assiste na posição de testemunha passivo. Vinda da escola do grupo “Asdrúbal Trouxe o Trombone”, que sacudiu o teatro brasílio nos anos 1970 com o improviso e o olho no olho com o público, Regina subverte as regras logo na introdução da peça.

Em vez de pedir que os celulares sejam guardados, ela convida todos a usarem os aparelhos. O celular passa a fazer secção do jogo: serve para rir do nosso próprio vício do dedo e do isolamento das telas, mas também vira um motor de imprevistos. Ao descer até a plateia para espionar os perfis reais do Instagram das pessoas, Regina transforma o contingência em roteiro vivo, provando que a imensidão do cosmos e a nossa vidinha conectada caminham lado a lado.

Três perguntas para…

… Regina Casé

Uma vez que a gente faz para reaprender a olhar para o que está perto? Uma vez que reatar esse cordão umbilical com a terreno no meio do caos urbano?

Para reaprender a olhar para o que está perto precisamos lembrar de quando a gente era pequeno, que tinha aquela curiosidade danada, que você podia permanecer uma hora olhando para um parafuso. Na vivenda da minha avó, por exemplo, tinha um negócio que enroscava na cristaleira e eu podia passar o dia só olhando para ver porquê é que aquilo funcionava. Eu acho que é isso.

Tem que ativar a curiosidade de quando você era moço, que às vezes você perdeu. Já para reatar o nosso cordão umbilical com a Terreno no meio do caos urbano eu acho que a gente deve pensar em todos os elementos que existem, né? Do firmamento até o queimada, a chuva, a terreno, o ar e pensar “Quanto tempo eu não coloco o pé na terreno? Quanto tempo eu não entro dentro d’chuva? Quanto tempo eu não tomo banho de chuva ou não olho para o firmamento?”

Acho que você pode ter até um pequeno quotidiano para ir marcando, do mesmo modo que as pessoas que desejam emagrecer fazem, quando elas vão anotando tudo o que comem. Logo é meio isso, você vai fazendo um quotidiano para você.

Para você, onde é que a ciência e a verso se encontram? Uma vez que transformar conceitos que parecem tão distantes e acadêmicos em um tanto que mexe com o nosso afeto e com o nosso coração?

Elas se encontram naturalmente, sem precisar marcar na pracinha ou em qualquer lugar porque a linguagem científica, às vezes, é tão formosa que você acha que aquilo ali já é uma releitura poética. E não é. É a ciência por si só. E eu acho que a verso é uma ciência também, uma ciência de olhar para o ser humano e olhar para as coisas do mundo de um outro jeito.

Por exemplo, no espetáculo “Viva! Vida!” aparece uma célula super ampliada, tamanho gigante e todo mundo acha que aquilo é uma arte que alguém fez sobre uma célula, mas não é, aquilo é uma célula mesmo. Ela por si só é uma obra de arte.

E eu acho que o único jeito de transformar conceitos que parecem distantes e acadêmicos, o único jeito de chegar nas pessoas, principalmente com tema peludo, é pelo humor e pela emoção. Quando você faz o faceta chorar, você quebra ela; quando você faz ele dar uma risada, ele está na sua mão.

Você sempre teve uma relação possante com o improviso. Em uma quadra em que tudo parece tão programado e editado, porquê manter o espaço para o contingência e para o erro vivo na nossa vida?

O teatro é o melhor lugar para isso. Inclusive, eu não lembrava que era tanto, porque tem gente que fala: “Ai, você vai na plateia? Ah, portanto eu não vou porque eu tenho pânico…” Você imagina eu, se eu pego alguém na plateia para falar, é um corpo a corpo, um a um.

Mas quando eu me jogo na plateia, são milénio pessoas do Teatro Sérgio Cardoso e eu correndo um risco danado. Mas é uma delícia decorrer esse risco. Nós somos seres humanos, somos iguais e a gente vai se entender.

Teatro Sérgio Cardoso – Rua Rui Barbosa, 153, Bela Vista, região meão. Quinta a sábado, 20h e domingo, 19h. Até 2/8. Duração: 90 minutos. Classificação indicativa: livre. Ingressos com democratização de entrada a partir de R$ 25 (meia-entrada) em sympla.com.br

Folha

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