Retrospectiva celebra Fellini e Joaquim Pedro de Andrade – 14/07/2026 – Ilustrada
A Cinemateca Brasileira promove, a partir desta quarta (15), a “Retrospectiva Joaquim Pedro de Andrade e Federico Fellini”, com um diretor incontornável do cinema novo brasílico e o diretor italiano mais famoso de todos. O que suas obras teriam em geral, além da surpresa do brasílico pelo italiano?
“O Padre e a Moça” tem um tanto do primeiro Fellini, aquele mais ligado ao neorrealismo, período que se encerra com “Noites de Cabiria”. “Macunaíma” tem elementos fellinianos, porquê a loucura introduzida em sua estrutura, o onirismo e o paisagem circense de alguns trechos.
Podemos expressar que o caráter episódico de “Guerra Conjugal” tem parentesco com as estruturas em blocos narrativos independentes que Fellini burilou a partir de “A Gula Vida”. E que “Os Inconfidentes” segmento de uma visão da história semelhante à que observamos em “Satyricon” —sátira e banhada em trova da melhor estirpe, com escolhido siso estético.
Independentemente das semelhanças, qualquer pretexto é válido para a exibição de filmes desses dois grandes cineastas, ainda mais que as novas gerações tendem a subestimar a força do cinema novo e a desprezar a capacidade de invenção de Fellini, tratando-o porquê excessivamente autoindulgente.
Analisando a programação e os percursos individuais, notamos que o primeiro dia coloca, já na primeira sessão, o filme mais famoso de Andrade, “Macunaíma”, de 1969. Importantíssimo por exacerbar o pendor para a parábola típico da estação e perfurar um caminho de maior estabilidade nos dois longas seguintes do diretor, “Os Inconfidentes”, 1972, e “Guerra Conjugal”, 1975, suas obras incontornáveis.
Na segunda sessão, “A Gula Vida”, de 1960, inaugura a tempo seguinte de Fellini. Sem amarras com o neorrealismo, o cineasta pode se exercitar num tipo de estrutura que já estava proposto em “Noites de Cabíria”, de 1957, e que será a assinatura do diretor até o término de sua curso.
A quinta-feira é toda dedicada a Fellini. Temos “A Trapaça”, 1955, um filme mais clássico da primeira tempo, “Os Palhaços”, de 1970, feito originalmente para a televisão, mas exibido em 35 mm, e “Roma de Fellini”, 1972, da tempo em que o nome do responsável vinha junto do título, porquê uma grife.
“Roma” é o espelho de “Satyricon”, de 1969. São dois painéis históricos de Roma, um da antiguidade, outro no prelúdios dos anos 1970. Em um dos momentos mais tocantes do primeiro, vemos pinturas descobertas numa escavação para o metrô. Essas pinturas o conectam ao final de “Satyricon”, que mostra os personagens de Petrônio, tal porquê Fellini os mostrou, eternizados em pedra.
O terceiro dia promove um sanduíche de Joaquim Pedro, com seu filme mais problemático, “O Varão do Pau-Brasil”, de 1983, espécie de tropicalismo tardio que perdeu o bonde do final dos anos 1960, entre o primeiro de Fellini, “Abisso de um Sonho”, de 1950, e seu filme mais confessional, “Amarcord”, de 1974.
A obra-prima muitas vezes incompreendida, “Satyricon”, passa no dia mais poderoso da mostra, 22 de julho, uma quarta-feira magnífica para o testemunha que tem a obra desses diretores em subida conta. “Satyricon” é felliniano por primazia. Quem governanta o cinema do diretor, governanta nascente filme, que tem na retrato de Giuseppe Rotunno um marco estético do cinema da estação.
O outro filme do dia é zero menos que “Guerra Conjugal”, um dos mais belos do cinema brasílico, na estação incompreendido e muitas vezes indiciado de machista, quando, na verdade, é um retrato duro e poético do machismo da classe média brasileira, com adaptações de contos de Dalton Trevisan.
Joaquim Pedro confiou na capacidade do testemunha de compreender a sátira sem a urgência de deixá-la evidente. Os grandes cineastas retratam o problema com finura de reparo: cabe ao testemunha o julgamento.
A curso de Fellini é muito maior que a do cineasta brasílico, e vários de seus filmes em exibição foram restaurados. Evidentemente, há mais sessões dedicadas ao cineasta italiano, porquê a de “Os Boas Vidas”, 1953, um de seus filmes mais amados, e “A Estrada da Vida”, de 1954, um dos mais sentimentais. Além, simples, dos excelentes “Oito e Meio”, 1963, e seu contraponto feminino, “Julieta dos Espíritos”, de 1965. Oriente último é importante por ser o primeiro matizado de Fellini.
Além da magia presente em “Experiência de Orquestra”, de 1978, talvez seja importante primar dois outros longas magníficos da penúltima tempo de sua curso, ambos presentes na programação e geralmente subvalorizados em sua filmografia.
Primeiramente, “A Cidade das Mulheres”, de 1980, continua a derrocada do “másculo” latino iniciada no necessário e muitas vezes incompreendido “Casanova”, de 1976. Se nascente último é a grande pouquidade da retrospectiva, o primeiro nos mostra Fellini no auge de seu poder de imaginação, num momento em que o cinema italiano começava a entrar em crise.
Pouco depois de “A Cidade das Mulheres”, Fellini realizou o incrível “E la Nave Va”, de 1983, com o desnudamento de seu mundo sintético e uma tocante homenagem tanto à ópera quanto ao cinema taciturno. É outro trabalho de gala do rabino Rotunno.
O brasílico, porém, é muito muito representado. Além de todos os seus longas, a retrospectiva dedica duas sessões a seus curtas, incluindo episódios de filmes coletivos. Não se compreende o trajectória desse importante cineasta sem saber obras porquê “Pele de Gato”, “Cinema Novo”, “Aleijadinho”, “Brasília – Contradições de uma Cidade” ou “Garrincha – Alegria do Povo”.





