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Review: Castlevania Belmont's Curse tenta renovar franquia 13/10/2026
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Review: Castlevania Belmont’s Curse tenta renovar franquia – 13/10/2026 – Ilustrada

Era uma vez um ser remotíssimo, com um pretérito de glórias e tormentos, que, de tempos em tempos, vai detrás de sangue vivo para rejuvenescer. A sina do Drácula parece, hoje, ter um pouco a ver com os rumos da franquia quarentona “Castlevania”, que volta à rossio, nesta quinta (15), com “Belmont’s Curse”.

É o primeiro jogo original para valer da série desde 2014, quando saiu “Lords of Shadow 2”, uma façanha malajambrada em 3D, já sem a força do fundador Koji Igarashi. Nesses 12 anos, a Konami preferiu emprestar a marca para máquinas de “pachinko” —uma espécie de cassino com bolinhas metálicas, muito popular no Japão— e um game online hoje interrompido.

No meio-tempo, boas coletâneas reviveram títulos do GameBoy Advance e do Nintendo DS. Agora, a missão do estúdio gaulês Evil Empire, “Belmont’s Curse” consegue fazer o imprescindível —mostra que o coração de “Castlevania” ainda bate, mesmo que sem o vigor de antes.

É um prazer voltar à pele de uma caçadora de vampiros para explorar os labirintos do forte do Drácula num bom e velho jogo de plataforma explorativo em 2D com visual tridimensional. O pacote se destaca com o belo visual no estilo “cel shading”, que deixa as figuras tridimensionais no limiar entre uma iluminura e um esboço entusiasmado, e a trilha medieval futurista de Danny Asadi, com coro, cravo e sons eletrônicos pesados.

Ainda assim, é difícil não sentir que um pouco da franquia pioneira foi superado por indies dos últimos anos que beberam na sua natividade, porquê “Hollow Knight”, “Blasphemous”, “Bicho Well” e “Dead Cells” —levante último com expansões feitas pela própria Evil Empire. A sensação cresce nas muro de 20 horas de façanha, sobretudo quando desafios de plataforma interrompem o fluxo.

Falando em sangue novo, o jogador encarna a jovem Rose Belmont, filha de Trevor —de “Castlevania 3″—, que viaja com o pai a Paris, em 1499, posteriormente um suspeito pedido de ajuda do clérigo lugar. O terror já está comendo solto na cidade e, simples, tudo não passa de uma emboscada para ressuscitar o Drácula.

Rose quer vingança posteriormente o conde ter precito o sangue de sua mãe, a feiticeira Sypha Belnades, e, consequentemente, também da jovem. Antes de morrer, Sypha deixou à filha um baralho de tarô, cujos mistérios ela só descobre agora.

O enredo dos jogos tende, no universal, a exageros e a uma risca temporal confusa que atravessa milênios. Cônscio disso, a história de “Belmont’s Curse”, econômica, é eficiente em apresentar seus personagens a um novo público, sem perder a chance de aprazer fãs de longa data.

Há conexões com figuras mais ou menos lembradas, porquê o antepassado Leon Belmont de “Lament of Innocence”, Alucard, do festejado “Symphony of the Night” e personagem da série da Netflix, a Morte, a Medusa e vilões obscuros, porquê Carmilla e Isaac, agora repaginados em visual infernal sexy ao estilo do game “Hades”. Há até espaço para gente porquê Joana D’Arc, Rei Artur e Leonor da Aquitânia.

Em seguida as divertidas batalhas com chefes, eles são aprisionados em cartas de tarô equipáveis que dão poderes a Rose, porquê a conhecida cruz-bumerangue da franquia, feitiços de queimada, teletransporte etc., que consomem pontos da barra de magia e são integradas ao combate fluído.

O grande diferencial de “Belmont’s Curse” é o uso do chicote não só porquê arma, mas para Rose transpor se pendurando e balançando entre ganchos espalhados pelas paredes e tetos. A habilidade funciona muito no universal, mas por vezes os controles podem parecer lentos e frustrantes em seções que exigem mais precisão.

O recurso se integra melhor aos combates, já que o jogador pode usar a habilidade para se apanhar nos inimigos e transpor voando na direção deles. Esse dinamismo, que remete à fluidez de “Dead Cells”, difere dos habituais protagonistas “travadões” da série, mas, depois de algumas horas, as batalhas tendem a se repetir em ciclos de porradaria e tratamento —é verosímil ingerir até três poções que restauram vida—, sobretudo pela flutuação limitada de oponentes.

Rose vai passar pelas ruas, catacumbas, cemitérios até a Catedral de Notre-Dame de Paris antes de encarar as torres do forte de Drácula. Cada região esbanja personalidade e segredos para serem descobertos gradativamente com a conquista de novas habilidades —porquê uma esquiva aérea, pulo duplo e uma aura para galgar paredes e defletir ataques.

Depois de algumas horas mais lineares, “Belmont’s Curse” solta a mão do jogador e deixa que ele explore o mundo com mais liberdade, o que também pode levar a muitos becos sem saída. Quem conhece o gênero já está habituado, mas algumas vezes fica a sensação de que o design do planta tem suas imperfeições, obrigando o jogador a voltar a pé por caminhos extensos e sem perdão.

Quando engrena, porém, a jornada vale a pena pelo seu tino de progressão similar ao de “Symphony of the Night”. A personagem brilha ao subir de nível, por exemplo, e a variedade de armas —há sete categorias ao todo, de espadas a lanças e manoplas— e acessórios —que mudam seus status de ataque, resguardo, vida etc.— permite que cada jogador se encontre no que preferir. Muitos desses itens, no entanto, chegam só no termo, deixando pouca chance de testá-las sem refazer trechos.

Felizmente, por termo, “Belmont’s Curse” não quer fazer secção da vaga de jogos dificílimos, inspirados por “Dark Souls”, focados mais em punir do que em contentar. Se morrer, é só levantar e seguir de novo. Na mesma toada, a Evil Empire conseguiu trazer “Castlevania” de volta à vida, sem incerteza, mas não à vanguarda.

Folha

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