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Robert Pattinson tem sua melhor atuação em novo Primetime
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Robert Pattinson tem sua melhor atuação em novo Primetime – 06/09/2026 – Ilustrada

Será que qualquer ator tão bonito quanto Robert Pattinson já interpretou tantos personagens feios por dentro?

Ele levou alguns anos para encontrar papéis que combinassem com ele depois que a franquia “Ocaso” o transformou em um ídolo juvenil, mas filmes porquê “Bom Comportamento”, “O Farol”, “Mickey 17” e “Morra, Paixão” o consolidaram porquê um dos grandes nomes do cinema de arte contemporâneo.

Ele também brilhou em filmes mais convencionais e de grande visibilidade, mormente em “Batman”, mas, em universal, prefere não ser o protagonista heroico, escolhendo em vez disso os papéis menos favoráveis que se possa imaginar: é uma verdadeira galeria de perdedores, mentirosos e sujeitos repulsivos à extremo do colapso.

Ele parece se divertir interpretando personagens desagradáveis —e, porque se diverte tanto com isso, nós também nos divertimos.

Assim tem sido o ano de Pattinson, com atuações para saborear em “O Drama” e “A Odisseia” (e “Duna: Segmento Três”, ainda por vir). Mas nenhum filme parece combinar tanto com seu estilo maliciosamente excêntrico quanto “Primetime”, uma sátira sombria e surreal da mídia que estreou neste sábado (5) no Festival de Veneza.

Primeiro longa de ficção de Lance Oppenheim, que antes dirigia documentários, “Primetime” certamente será candidato ao Oscar, embora possa ser um concorrente duvidoso.

O filme é inspirado na história real de Chris Hansen, jornalista americano vencedor do Emmy, e no seu programa de televisão mais famoso, “To Catch a Predator” (Capturando um Predador, em tradução livre), exibido na rede de televisão NBC de 2004 a 2007.

O programa realizava operações de flagrante contra homens possivelmente pedófilos, que faziam planos para exorbitar sexualmente de menores.

Os integrantes da equipe se passavam por adolescentes em conversas online com homens adultos e, depois, marcavam encontros com eles. Quando os homens chegavam às casas de suas supostas vítimas, porém, o elegante Hansen aparecia tranquilamente, escoltado de uma equipe de câmeras, e perguntava, com uma polidez devastadora, no que eles estavam pensando.

O próprio Hansen não participou da produção de “Primetime” e criticou o filme sem sequer tê-lo visto. Isso não o impediu de tirar qualquer proveito da situação: ele pagou para exibir anúncios antes de todas as sessões do filme nos cinemas americanos, incentivando os espectadores a observar depois ao seu próprio serviço de streaming.

Mas o mais provável é que ele não goste muito da maneira porquê é retratado.

O roteiro, escrito por Ajon Singh, apresenta “To Catch a Predator” porquê o marco do término de uma era da televisão —”Friends”, fenômeno das séries de comédia, encerrou sua trajetória de dez temporadas em 2004— e do início de uma novidade e sombria era dos reality shows.

Enfim, o que poderia ser mais sombrio do que transformar a exposição de criminosos sexuais em entretenimento eletrizante?

O Hansen do filme fica eufórico quando seu programa é transferido para um horário superior, no início da noite, se vangloriando de que poderá ser visto por mais espectadores do que “Lost”.

Mas será que ele deveria mesmo estar pulando de alegria por prender e humilhar pessoas na televisão, por mais abomináveis que elas sejam?

E será que ele ou sua produtora, fria e implacável (interpretada por Merritt Wever), se importam com os “iscas” adultos usados pelo programa (Skyler Gisondo e Phoebe Bridgers), que têm a perturbadora tarefa de fingir que são pré-adolescentes?

Não há zero de radical na mensagem de “Primetime”: ao lado de Ink, novo longa do diretor Danny Boyle, é um dos dois filmes em Veneza que lamentam a chegada de uma novidade forma de sensacionalismo midiático.

O que o torna tão envolvente é que não se trata de um drama convencional, mas de uma comédia de humor sombrio, exagerada e alucinante. Em vez de detalhar o pretérito de Hansen ou a geração de “To Catch a Predator”, o filme nos joga no meio de um pesadelo febril em que tudo é perfeitamente crível e, ao mesmo tempo, perturbadoramente estranho.

Pattinson encarna esse tom vertiginoso. Porquê em tantos de seus filmes, sua atuação em “Primetime” é exagerada e teatral sem não se tornar afetada. Ele mergulha completamente na estranheza do personagem. Interpreta Hansen porquê um sujeito escorregadio e repulsivo, às vezes bufão em sua autoconfiança, às vezes sinistro e às vezes à extremo da loucura.

Em entrevista à BBC ontem, em Veneza, Oppenheim descreveu sua versão de Hansen porquê uma mistura de Jerry Maguire e Drácula.

A chave talvez esteja no trajo de que Pattinson nunca nos pede para simpatizar com o personagem. Na verdade, parece perfeitamente à vontade com a teoria de que o detestemos. Ainda assim, é um prazer assisti-lo.

Esta é a melhor atuação até agora do ator mais intrigante de sua geração.

Levante texto foi publicado originalmente cá

Folha

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