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Rosalía faz show sensorial e diz realizar um sonho no
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Rosalía faz show sensorial e diz realizar um sonho no Rio – 11/08/2026 – Ilustrada

Mesmo que com a rouparia do cristianismo, Rosalía rejeita a teoria de verdade absoluta ou da sublimidade e costura o misticismo de mulheres dedicadas à fé absoluta com uma cidade construída no sincretismo religioso e no mistério no show da turnê “Lux”, apresentado pela primeira vez nesta segunda-feira (10), no Rio de Janeiro.

O espetáculo da cantora espanhola cria rachaduras por onde as luzes entram e nos atingem em referto enquanto estamos cercados pela hiperestimulação do mundo e das redes.

As concepções de mundo “real” e “divino” não se colocam distintas num show extremamente sensorial. Na turnê de “Lux”, quarto álbum da artista, lançado em novembro de 2025, tudo se ancora na possibilidade de identificação com ídolos que parecem reais e admiráveis, conectados com a esfera humana da arte.

Rosalía testifica um trabalho interno fidedigno que se expande ao entorno, em uma traço limítrofe entre esses dois estados de espírito. O mais importante do show é a travessia, a experiência de dentro, do som, do corpo e do que se assiste.

“Eu seria muito colega dela” ou “quero que ela seja minha amiga” foram frases ouvidas na pista. O universo simbólico criado em torno do álbum foi adotado positivamente pelos fãs engajados, que compareceram usando véus, saias e acessórios que lembram o catolicismo —crucifixos, tules e imagens de santos.

Uma fileira se formou para esperar a exórdio dos portões desde as primeiras horas da tarde, em um momento clássico nos shows de divas pop. A apresentação aconteceu em uma noite chuvosa, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio, com a Estádio Farmasi lotada, em uma prova da lealdade construída entre a cantora catalã e o público brasílico, que enfrentou o indiferente e limitações de transporte para ver o espetáculo.

Na primeira segmento da apresentação, uma caixa é desmontada, forma uma cruz no solo do palco e revela uma bailarina delicada, que, carregada nos braços dos dançarinos, ansiava “habitar entre os dois mundos”. Era Rosalía.

Assim porquê em sua última turnê, a estrutura visual dos painéis de LED e um cenário de filmagem compõem o visual do show. As câmeras, em diferentes posições, do basta, de cabeça para reles, em preto e branco e de dentro de uma caixa transparente, formam a atmosfera cinematográfica.

Entre os destaques do show está o cover de “Can’t Take My Eyes”, em que a cantora, dentro de uma moldura, simula ser uma pintura que ganha forma completa na imagem dos painéis. Isso antes de interagir com fãs levados ao palco. Entretanto, tirar fotos parece ter cooptado a atenção dos selecionados para o momento próximo à cantora.

No palco, um quadro nivelado exibe todas as letras das músicas ao público, em português. A orquestra replica a qualidade sonora de um concerto, porquê no álbum. O balé que a acompanha mistura passos do flamenco aos do balé clássico, pliés e saltos, rebolado e movimentos singelos.

Não dá para qualificar o show a partir do auge, porque Rosalía o distribuiu em distintas partes altas e eletrizantes, sem meios-termos.

O ato 1 injetou a emoção necessária com “Sexo, violencia y llantas”, “Reliquia” e “Porcelana”. Em “Divinize” não houve pirotecnia, fogos e luzes difusas. Exclusivamente lenços esvoaçantes e um visual simples, com muita técnica. Ao trovar, ela introduziu a frase “agradeço por estar com vocês” e se emocionou ao olhar para o público.

Antes da performance de “Mio Cristo Piange Diamanti”, a cantora começou o diálogo, totalmente em português, que se estenderia com o público durante todo o show. Em tom de galhofa, ela relembrou que esteve no Rio de Janeiro para a audição peculiar de “Lux” e também nas férias, mas nunca tinha vindo para fazer um show.

“Que honra para mim que vocês tenham me trazido para essa cidade tocada pelos deuses. Aliás, chegou meu momento de consumir de novo pão de queijo, pavê, e feijoada. Tenho sonhado muito com isso. Obrigada por gostarem da minha música, significa muito para mim. Nem nos meus melhores sonhos eu poderia imaginar que a vida me traria até o Rio”, disse.

Entre os cinco atos que compõem a sarau, há o pausa “Imita lá pose!”, em que a câmera procura fãs na plateia e sugere que eles imitem pinturas do telão, porquê o quadro “O Grito”, de Edvard Munch.

Esperado pelos fãs, o momento do confessionário, em que ela ouve histórias de famosos, teve a cantora Marina Sena porquê convidada. Rosalía disse ser fã da artista.

Alguns fãs esperavam que fosse a atriz Letícia Colin, que protagoniza a romance “Quem Governanta Cuida”, da Orbe, em que a fita “Sexo, Violencia y Llantas” faz segmento da trilha sonora. Marina combinou com o tom carismático do ato e contou uma história envolvendo um ex-namorado e a proposta de uma relação oportunidade que não funcionou.

“Vocês não vieram só para chorar, também vieram pra mexer essa bunda”, disse a cantora antes de iniciar o ato 2. Com figurino preto, ela cantou o single “Berghain” e esquentou o público com hits do álbum “Motomami”: “Saoko” e “La Reputação”.

Em “La Perla”, mencionou ex-namorados, em uma suposta ironia sobre seu velho noivado. A performance de “Sauvignon Blanc”, em seguida, retomou a venustidade da apresentação, com a voz da artista, o som do piano e cenário com papéis dourados picados.

Depois, com a frase “bora botar pra quebrar”, veio um apagão e uma surpresa: um pêndulo, suspenso no meio da pista, se movendo no escuro para os lados, enquanto piscava e soltava fumaça. A performance de “CUUUUuuuuuute” levou a redondel ao delírio, ao som de uma balada techno misturada com bateria de escola de samba e leques batendo. O sucesso internacional “Despechá” também não ficou de fora.

Ao fechar e agradecer, Rosalía demonstrou porquê os atos de falar em português, trovar sobre o libido, dividir o palco com uma brasileira e transformar a própria imagem em objeto de devoção e identificação são capazes de erigir uma experiência que renega a intervalo entre artista e público, fazendo de “Lux” um espetáculo sobre sentimento e aproximação.

A segunda apresentação de “Lux” será nesta terça (11), na Estádio Farmasi.

Folha

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