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Roteiroteca vai reunir textos de filmes e séries do Brasil
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Roteiroteca vai reunir textos de filmes e séries do Brasil – 06/10/2026 – Ilustrada

Uma das áreas do audiovisual que mais demanda atenção hoje –seja pela escassez de recursos, pelas condições de trabalho ou pela incerteza quanto a direitos autorais– está prestes a ter um de seus problemas parcialmente resolvido.

Em mesa do Rio Market, fileira do Festival do Rio que concentra conversas e negociações do setor, na manhã desta terça-feira, a Abra, a Associação Brasileira de Autores Roteiristas, anunciou que está documentando e disponibilizando scripts de produções brasileiras na internet, por meio de uma plataforma batizada de Roteiroteca.

A teoria é que textos de longas, curtas e séries produzidos no país fiquem disponíveis de forma gratuita na internet, muito porquê informações pertinentes a essas produções, sanando, assim, um impasse histórico de preservação e disponibilização de roteiros.

Para Andrea Yagui, diretora de formação da Abra, o cinema e a televisão no Brasil costumam ser debatidos a partir do resultado final —ou seja, o filme ou a série—, atropelando a lanço de desenvolvimento do roteiro, um documento que passa por diferentes versões ao longo da produção.

“O roteiro costuma ser tratado porquê uma lanço de passagem. Ele é importante, mas desaparece quando a obra é lançada. A Roteiroteca vem para expressar o contrário, que o roteiro é importante porquê obra em si”, diz ela.

“É um texto que precisa funcionar em diversas dimensões —é um guia técnico, é uma obra artística, é uma peça de venda, porque muitas vezes é o que garante financiamento para um projeto. Logo não é um texto fácil de redigir. Ler um roteiro é muito dissemelhante de ver uma obra audiovisual pronta.”

Para a geração dessa livraria de roteiros, foi preciso um trabalho longo de negociação com os detentores dos direitos autorais, muito porquê de edição. Hoje, há tapume de 20 voluntários, sob coordenação de Yagui, revisando e publicando os documentos na Roteiroteca.

Entre os longas que estão presentes na plataforma nesta estreia estão “A Viagem de Pedro”, escrito por Laís Bodansky, “Kasa Branca”, de Luciano Vidigal, “O Lobo Detrás da Porta”, de Fernando Coimbra, e “O Dia que Te Conheci”, de André Novais de Oliveira. Entre os curtas, há o premiado “Amarela”, de autoria de André Hayato Saito, entre outros.

Séries são mais escassas, por enquanto. Há três delas disponíveis na livraria, com roteiros de diversos episódios —”O Dia que a Minha Vida Mudou”, “Osmar, a Primeira Fatia do Pão de Forma” e “Trago a Pessoa Dulcinéia”.

Por ora, as produções são, em universal, dos últimos dez anos, mas a teoria é ampliar o pilha num trabalho contínuo, buscando também clássicos da cinematografia brasileira para integrá-lo. O trabalho nesses casos, porém, é mais difícil.

“Obras contemporâneas são mais acessíveis. Elas já estão digitalizadas e a prisão de liberação é clara e direta. As produtoras ainda estão operando, os contratos estão salvos, os autores estão vivos. As antigas são um repto maior, mas é uma próxima temporada”, diz Yagui, que destaca a dificuldade enfrentada por pesquisadores, docentes e estudantes do audiovisual no aproximação a roteiros.

Increver os roteiros, porém, pode gerar um novo problema numa internet dominada pelo rápido progresso da lucidez sintético —que, no audiovisual, tem justamente nos roteiristas algumas de suas presas mais fáceis. Questionada se a publicação dos textos pode ajudar a treinar os robôs, capacitando-os ainda mais, Yagui diz que várias medidas de segurança foram tomadas com esse intuito.

Além de avisos explícitos no site e nos arquivos de roteiro, alertando o usuário sobre direitos autorais e proibindo o uso do material para treinar ou desenvolver plataformas de IA, há ainda um sistema de verificação, no aproximação de cada texto, para dificultar a coleta automatizada de informações, e outro que barra os principais robôs de treinamento do mercado.

Agora, o projecto é expandir a Roteiroteca, num trabalho contínuo. Além de buscar textos mais antigos, Yagui também mantém conversas com canais de TV e serviços de streaming, que hoje concentram boa secção da produção de narrativas serializadas. “Essas conversas caminham em outro ritmo, exigem mais níveis de aprovação. Elas estão em estágios iniciais, mas esse teor tem toda a nossa atenção.”

Autores, produtores e outros interessados em fazer a doação de seus materiais de roteiro podem entrar em contato com a plataforma pelo email roteiroteca@abra.art.br.

O jornalista viajou a invitação do Festival do Rio

Folha

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