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Um Nobel de Literatura é a coroação do trabalho de uma vida, mas a vida continua depois do prêmio. Sabendo disso, ao receber a medalha em 2023, o norueguês Jon Fosse não foi só tomado de alegria e realização, mas de refrigério, pois seu trabalho mais custoso já estava escrito.
“Heptalogia”, livro que chega agora ao Brasil, é sua obra mais longa e ambiciosa —e que só poderia ter sido escrita antes da reputação estrondosa que resulta do prêmio sueco. Uma vez que Fosse diz ao jornalista Guilherme Magalhães: “O que tenho vivido depois do Nobel são interrupções constantes”.
Habituado a fazer da escuta secção primordial de seu processo de escrita, o responsável agora recebe convites para dar entrevistas, palestras, simpósios. “É evidente que recuso quase tudo. Mesmo assim, só para responder aos pedidos, gasto muito tempo”, ele contou em rara entrevista à Folha.
Se há realização com o Nobel, ela é ofuscada pelo insatisfação de Fosse pelo lado B do reconhecimento. Entre expectativas, cobranças e interrupções constantes, o norueguês diz se ver passar “de sujeito a objeto”.
Apesar das distrações, desde o prêmio o responsável escreveu peças de teatro, uma romance e trabalha no primeiro romance de uma novidade trilogia.
Acabou de Chegar
“O Polonês” (trad. José Rubens Siqueira, Companhia das Letras, R$ 79,90, 144 págs.) é a mais recente romance de J.M. Coetzee, responsável sul-africano de 85 anos. A obra, segundo a sátira Ligia Gonçalvez Diniz, é um retrato quebradiço sobre vetustez e morte. O protagonista é um pianista idoso que se apaixona por uma espanhola mais jovem. A relação entre os dois, mediada por línguas estrangeiras, traz uma reflexão sobre o que se perde e o que se ganha com a tradução.
“Mediano Europa” (trad. Daniel Pellizzari, Companhia das Letras, R$ 149,90, 768 págs.) é a primeira ficção do americano William T. Vollmann publicada no Brasil. É considerada a obra mais conseguível de um responsável de estilo ácido e temáticas complexas, tratando dos impactos dos regimes nazista e soviético. “É um ’tour-de-force’ magnífico, em que personagens históricos têm suas vidas contadas ora com realismo espezinhado em minuciosa pesquisa, ora em ficção desabrida”, escreve o crítico Igor Gielow.
“Suttree” (trad. Daniel Galera, Alfaguara, R$ 119,90, 560 págs.) chega ao Brasil mais de 40 anos depois sua publicação e acompanha Cornelius Suttree, varão que abandona a família rica para viver porquê um pescador entre pessoas desafortunadas. O romance do americano Cormac McCarthy faz do ordinário uma poema, de forma que lembra o “Ulysses” de James Joyce. Mas, porquê aponta a sátira de Gabriel Trigueiro, essa grandeza às vezes escorrega para o excesso e o nonsense.
E mais
Aos 83 anos e com 42 anos de curso porquê repórter infantojuvenil, Pedro Bandeira prepara o lançamento de seu primeiro livro adulto para o próximo ano. O que coloca o novo livro nesta categoria é a inspiração no clássico “Dom Casmurro” de Machado de Assis. Na obra de Bandeira, o famoso detetive Sherlock Holmes se dedica a investigar se Capitu traiu Bentinho. A linguagem do responsável, porquê destaca o Pintura das Letras, segue simples porquê em seus outros livros.
Em dezembro de 1985, Níquel Náusea fazia suas primeiras aparições na Folha, onde se manteria porquê um personagem recorrente até os dias de hoje. Ao longo dessas quatro décadas, porquê explica a reportagem de Henrique Artuni, o personagem do cartunista Fernando Gonsales satiriza hábitos do mundo bicho e humano em tom que passou de revoltado para pueril. O livro “Níquel Náusea: A Origem do Espécime” (Z Edições, R$ 70, 102 págs.) relembra a trajetória do rato que parodia o americano Mickey Mouse.
Libero Malavoglia, quadrinista e ilustrador veterano, lança a HQ “Aislam: O Príncipe & A Semente” (Z Edições, R$80, R$270), o primeiro volume de uma trilogia que mistura fantasia e filosofia. O responsável combina linguagem cinematográfica a referências em quadrinhos porquê Moebius, Jack Kirby e Hugo Pratt para recontar a história de um jovem encontrado por uma trupe circense e que guarda na memória mitos do mundo todo.
Além dos Livros
Dois homens armados invadiram a Livraria Mário de Andrade neste domingo (7) e roubaram oito gravuras de Matisse e cinco de Portinari que estavam em exposição. Os assaltantes renderam uma segurança e um parelha de visitantes, retiraram as obras e fugiram em direção ao metrô Anhangabaú. As peças, consideradas raríssimas, tinham seguro e as imagens de segurança foram entregues à polícia. Um dos suspeitos foi recluso.
Um estudo da Câmara Brasileira do Livro revelou que o mercado editorial tem muro de 54 milénio empresas, que empregam 70 milénio pessoas. De 2024 para 2025, surgiram 3.000 novas empresas, enquanto o número de empregos se manteve inabalável. Segundo o levantamento, o setor do livro se concentra no Sudeste com poderoso presença de pequenos negócios.
A Flip 2026 acontecerá de 22 a 26 de julho. As datas foram anunciadas na última semana com mais de seis meses de antecedência, um tanto que ocorre pela primeira vez desde a pandemia e deve facilitar o planejamento de editoras e visitantes. A edição terá curadoria da sátira literária Rita Palmeira.
