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Shakira volta ao Brasil para materializar sonho pop latino
Celebridades Cultura

Shakira volta ao Brasil para materializar sonho pop latino – 01/05/2026 – Ilustrada

Em 1997, Shakira tinha só 20 anos quando se apresentou na Sarau do Peão de Barretos, tradicional rodeio brasílio, realizado anualmente no interno de São Paulo. Ela já havia lançado três álbuns, sendo que “Pies Descalzos”, de 1996, já havia rendido alguns hits à cantora, caso de “Estoy Aquí”.

Mas a cantora colombiana não estava entre as principais atrações do evento. O ingresso para vê-la custava R$ 10 —alguma coisa perto de R$ 80 em valores atuais—, menos que os R$ 15 para testemunhar ao pagode do Só Pra Contrariar, ao axé de Orquestra Eva e Netinho, ao rock do Skank ou ao sertanejo dos Amigos, com Chitãozinho & Xororó, Leonardo e Zezé di Camargo & Luciano.

Quase três décadas depois, a maior representante do pop latino volta ao Brasil para o que deve ser o maior show de sua curso, marcado para levante sábado (2), de perdão, na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro.

A transmissão do show acontece a partir das 21h20 no meato a cabo Multishow e no serviço de streaming Globoplay. A plataforma será ocasião para não assinantes. Na TV Mundo, a apresentação será exibida em seguida a romance “Três Graças”.

Shakira foi de sensação jovem na Colômbia a estrela de alcance global com uma inconfundível voz grave e anasalada, uma coleção invejável de hits, além de uma habilidade incomum para mexer os quadris e fazer a dança do ventre. E conseguiu isso realizando a fantasia de qualquer ídolo pop da Argentina ao Caribe —o sucesso nos Estados Unidos, utopia para Anitta, veras para Bad Bunny.

Curiosamente, é provável que Shakira não supere os números e a comoção gerada pelas duas americanas que foram atrações do evento que agora ela encabeça, o Todo Mundo no Rio. Madonna, há dois anos, levou 1,6 milhão de pessoas às areias de Copacabana e Lady Gaga, no ano pretérito, reuniu mais de 2 milhões, segundo dados oficiais da prefeitura da capital fluminense. A previsão solene é de que o público se repita, mas as projeções do setor hoteleiro lugar, por exemplo, indicam que a ocupação será subordinado à de 2025.

Isso porque, além de se tratarem de duas das mais famosas cantoras pop de todos os tempos, as americanas não vinham ao Brasil havia anos. Gaga só tinha pretérito pelo país uma vez, em 2012, mesmo ano da logo última vinda de Madonna, que tocou no país também em 1993 e em 2008. Shakira, por sua vez, já trouxe sua atual turnê a São Paulo e Rio há um ano.

Mesmo que Shakira não alcance os números, seu show terá um sabor dissemelhante. A presença da colombiana no Rio, onde desembarcou na quarta, promove uma reunião latina maior do que Bad Bunny fez neste ano ao lotar duas vezes o estádio Allianz Parque, em São Paulo —com um espetáculo declaradamente voltado à união dos povos latinos.

Um sinal disso é a procura de passagens aéreas por estrangeiros. Nesta semana, o número de reservas de bilhetes para turistas internacionais já era 60% maior do que as feitas para Madonna, e quase igual às feitas para Lady Gaga. Os argentinos lideram os números, seguidos por americanos, uruguaios, chilenos e colombianos.

A latinidade celebrada por Shakira também é esteticamente dissemelhante da propalada vaga puxada na última dez pelo reggaeton —estilo defendido por Bad Bunny, J Balvin e Maluma, explorado por Anitta, e o mesmo do megahit “Despacito”, de Luis Fonsi. A cantora colombiana, que começou a trovar quando ainda era jovem, já fazia sucesso nos Estados Unidos em 2004, quando a música “Gasolina” levou ao grande público o ritmo fundamentado em rimas do rap e na batida dembow, gestado no Caribe nos anos 1990.

Shakira vem de antes, e o paradigma latino de sucesso nos Estados Unidos —e também no Brasil— era o ex-Menudo Ricky Martin. “Pies Descalzos”, primeiro álbum da cantora lançado fora da Colômbia, em 1996, traz a artista explorando baladas no estilo pop rock de violões, uma vez que uma espécie de Alanis Morissette latina.

É a mesma sonoridade de “¿Dónde Están los Ladrones?”, de 1998, que emplacou músicas uma vez que “Ciega, Sordomuda”, “Inevitable” e “Ojos Así”, e rendeu um adequado volume do “Unplugged”, o acústico da MTV americana, no ano 2000. Foi nessa idade que Shakira escolheu o Brasil uma vez que um mercado que deveria ser explorado.

A cantora participou de diversos programas de TV, na Mundo e no SBT, e fez mais de 30 apresentações, algumas em praças pouco consideradas por artistas internacionais, uma vez que Uberlândia, no triângulo mineiro, Bagé, no Rio Grande do Sul, e Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo. Uma reportagem de 1997 mostrou uma vez que Shakira se esforçava para estourar no Brasil.

Ela comentou sobre a dificuldade do pop latino entrar em mercados uma vez que o brasílio, o americano e o europeu. Também falou que seu estilo não se limitava ao pop nem à música tradicional da Colômbia, caso da salsa.

“Não sou somente uma cantora de dance music, uma vez que o público brasílio está pensando. Meu trabalho mistura rock, reggae e música romântica. No show, toco gaita e guitarra. Não sou nenhum Joe Sartriani, mas estou aprendendo”, a cantora afirmou.

Não é à toa que ela afirmou em entrevista recente ao Fantástico, da Mundo, que aprendeu a falar em português antes do inglês. Ela, aliás, usa o linguagem falado no Brasil para se expedir com o público em seus shows por cá, o que tem tudo para aproximá-la ainda mais da povaléu em Copacabana.

O sucesso nos Estados Unidos veio somente no início dos anos 2000, com um álbum com músicas em inglês, “Laundry Service”. Puxado pelo hit “Whenever, Wherever”, ela irritou os críticos, que tiravam sarro de suas composições em inglês, mas vendeu o suficiente para se estabelecer na indústria pop do país mais rico do mundo.

Dali em diante Shakira só cresceu, emplacando sucessos nas paradas americanas ao ponto de integrar a escol do pop dos anos 2000, ao nível de uma Beyoncé ou uma Rihanna. Deu voz à música de Despensa de Mundo mais famosa de todas, “Waka Waka (This Time for Africa)”, feita para o mundial disputado na África do Sul, em 2010, e colecionou prêmios e turnês internacionais.

Isso também fez ela vir menos ao Brasil. Com exceção dos shows no ano pretérito e da performance na final da Despensa do Mundo de 2014, no Maracanã, ela só se apresentou no país outras duas vezes —em 2011, com turnê que passou pelo Rock in Rio, e em 2018.

Hoje uma estrela global, ela não vem somente uma vez que um vulto do pretérito glorioso. Posteriormente um divórcio público e conturbado com o ex-jogador de futebol Gerard Piqué, Shakira emplacou o hit “Bzrp Music Sessions, Vol. 53/66” no elogiado álbum “Las Mujeres Ya No Lloran”, que a aproximou do oração feminista.

Ao longo dos anos, seu pop ficou ainda mais multifacetado, absorvendo novos estilos, entre eles o funk de “Choka Choka”, parceria recente com Anitta, e o próprio reggaeton. Mas Shakira, com uma trajetória única na indústria pop, não surfou na atual vaga latina —ela fez a sua própria, que navega pelos oceanos mundo afora desde antes, e segue em paralelo, ao boom reggaetonero da última dez.

Se os shows de Lady Gaga e Madonna tiveram uma aura de celebração da comunidade LGBTQIA+, Shakira deve manter o apelo com esse público e ainda ampliar outro —o feminino. Transformada em uma estátua de 6,5 metros de profundeza em sua cidade natal, Barranquilla, ela vem discursando uma vez que uma representante da força e da sensualidade da mulher latina, aspectos que deve explorar no palco. Seus quadris não mentem.

Folha

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