'Sobrevivência': filme de Ben Affleck chega ao 1º lugar da Netflix com reflexão sobre política
Ben Affleck fala sobre seu filme ‘Sobrevivência’
“Sobrevivência”, longa dirigido, coescrito e estrelado por Ben Affleck, chegou ao primeiro lugar na Netflix. No longa, que estreou no dia 8 de outubro, Ben interpreta um candidato a prefeito de Los Angeles que parece ter a vida perfeita: um enlace aparentemente feliz com Abigail (Kerry Washington), uma ótima mansão e um porvir promissor.
Isso até o dia em que o rebento do par passeia com a babá Cecília (Adriana Sossego) e o namorado dela, Ramón (Luis Gerardo Méndez), e não volta para mansão. A partir disso, começam a chegar nuances: quem são essas pessoas? Quais são as suas prioridades e privilégios? O quão perfeita é a vida deles sob a superfície?
“Temos o hábito de mentir, temos o hábito de apresentar uma falsa verdade, e portanto a questão é quanto é que estamos fazendo isso um com o outro”, explicou Affleck ao g1.
Tudo isso, simples, é atravessado por um contexto de política, mídia e relação com comunidades latinas (ponto importante, já que o filme se passa em Los Angeles). Para Affleck, a expectativa é de que o filme não só envolva os espectadores latinos, porquê todos enxerguem “um pouco verdadeiro” na história.
Ben Affleck (Mark) e Kerry Washington (Abigail) em ‘Sobrevivência’
Divulgação/Netflix
“O que eu espero é que, ao assistirem a isso, reconheçam um pouco verdadeiro, um pouco que observe o mundo porquê ele é, com circunstâncias que muitas vezes são muito difíceis e, em alguns casos, impossíveis — principalmente para alguns dos personagens latinos do filme. E que [o filme] não tente mascarar essas situações, nem torná-las mais leves, nem explorá-las exclusivamente para me ocultar de virtude e glória por ser alguém que aponta essas questões”.
Segundo Ben, para chegar a um resultado mais verdadeiro, Kerry, Adriana e Luís trouxeram suas contribuições ao roteiro. “Eu dizia: ‘Vocês escrevem estas cenas, vocês contribuem para estas cenas, vocês criam isto e trazem a voz de vocês para isto’. E eu achei muito mais verdade.”
“É difícil mostrar um sistema, mas você pode mostrar uma pessoa. Você pode se identificar com uma pessoa e com as circunstâncias em que ela está. As pessoas são tratadas porquê pessoas, não porquê arquétipos, não porquê símbolos de alguma coisa, o que significa que elas podem ser um bocadinho mais complicadas e não encaixam exatamente no estereótipo, porque ninguém se encaixa”.
O que está em jogo na política
Para além do candidato interpretado por Affleck, o filme não fala tão diretamente sobre política, mas reflete sobre o tema ao retratar a vida desses personagens. Dá para sentir isso principalmente em uma frase dita pelo personagem de Luís: “Nosso rebento está nas mãos desses políticos gringos”, diz em espanhol.
Luís revela que essa fala foi muito importante para ele. “Não se trata exclusivamente da situação retratada na obra, mas fala sobre o mundo atual. A vida de cada rebento e filha neste mundo está nas mãos desses políticos”.
“Não estou falando exclusivamente desta situação específica, mas de aquecimento global, questões políticas, guerras, injustiças… Logo, é uma fala muito importante e diz saudação à situação vivida por qualquer pessoa que não nasceu nos EUA, mas vive [nos EUA]. Por exemplo, principalmente em Los Angeles, nossos personagens correm riscos enormes o tempo todo e são os que têm menos proteção. Eles só têm seus corações e sua força, e estão juntos nessa, e isso é muito comovente”.
Luis Gerardo Méndez as Ramon e Adriana Sossego (Cecilia) em ‘Sobrevivência’
Divulgação/Netflix
Para Affleck, o filme mostra porquê a política, “em grande segmento”, é sobre o que se escolhe revelar.
“A política, em alguns aspectos, a nível sítio, é porquê se tratasse de estreitar mãos e fazer relações. Mas na verdade, a política, em grande segmento, é sobre o que eu mostro a todo mundo sobre o meu enlace. ‘Olhem para mim, votem em mim porque eu tenho um enlace tão ótimo e sou um varão de família'”.
“A verdade é que eu não sei se o enlace de alguém realmente pode sustentar o tipo de escrutínio de ‘eu consigo ver cada coisinha’, e por isso, temos o hábito de mentir, temos o hábito de apresentar uma falsa verdade, e portanto a questão é quanto é que estamos fazendo isso um com o outro”.
Cena do filme ‘Sobrevivência’, da Netflix
Divulgação/Netflix
Fonte G1





