Sofia Coppola revê ‘Maria Antonieta’ com mostra e filme – 04/10/2026 – Ilustrada
Depois de 20 anos, a rainha jovem de Sofia Coppola voltou para mansão, em Versalhes. Em 2006, “Maria Antonieta”, o extravagante e pintado filme da diretora americana, dividiu o público com seus sapatos Manolo Blahnik e sua trilha sonora contemporânea.
Desde logo, porém, o longa se tornou um clássico, e Versalhes celebra seu 20º natalício com uma exposição no Petit Trianon, o pequeno palácio da propriedade real ofertado à rainha para uso pessoal na dezena de 1770, onde segmento de “Maria Antonieta” foi filmado.
Com curadoria de Hélène Delalex e Laurent Salomé e em papeleta até 24 de janeiro, a mostra reúne novamente os figurinos de Milena Canonero, vencedores do Oscar, além de objetos de cena, esboços e fotografias. Nos aposentos particulares de Maria Antonieta, manequins recriam alguns dos planos do filme.
E Coppola também está revisitando “Maria Antonieta” nas telas. Enquanto fazia o filme, 20 anos detrás, alguém observava tudo atentamente —sua mãe, Eleanor, que gravou quase centena horas de imagens dos bastidores com o objetivo de produzir um documentário.
Eleanor Coppola morreu em 2024 sem concluir o projeto, mas a filha o terminou por ela. O filme “Making Marie Antoinette”, uma invólucro do tempo sobre a produção e sobre uma jovem diretora encontrando seu caminho, chegará aos cinemas dos Estados Unidos em 23 de outubro.
Em uma entrevista recente por vídeo, Coppola, de 55 anos, falou sobre voltar a Versalhes e testemunhar no TikTok a montagens de “Maria Antonieta” ao som de hip-hop. A seguir, trechos editados da conversa.
Você ficou surpresa quando Versalhes entrou em contato para propor esta exposição?
Sim, fiquei muito surpresa —foi porquê se nos oferecessem o Petit Trianon para pendurarmos nossos cartazes. Foi surreal estar lá novamente, na verdadeira mansão de Maria Antonieta, com os figurinos da nossa versão.
Achei muito interessante que os curadores estivessem interessados nos materiais de preparação e na pesquisa, logo fiquei animada para transfixar as caixas que eu guardava na mansão da minha família, no Vale de Napa. Anne Seibel, a diretora de arte, também guardou muitas coisas, e Milena Canonero, nossa grande figurinista, localizou diferentes peças e reuniu os acessórios para trazer tudo de volta. Chegamos até a recriar segmento da iluminação usada no filme.
O que você lembra de porquê se sentia durante as filmagens?
Foi muito estressante e avassalador, porque eu nunca tinha assumido alguma coisa daquela dimensão. Havia muita gente envolvida para tornar aquilo verosímil, muitos figurantes e integrantes da equipe. Acho que eu tinha aquela espécie de ingenuidade da juventude —não creio que toparia alguma coisa assim hoje.
Mas eu tinha uma visão muito clara na cabeça e estava realmente tentando fazer um tipo dissemelhante de filme de era. Os filmes com os quais cresci tinham grandes “tableaux”, baseados em pinturas. Eu sempre sentia que estávamos olhando para a história de longe, e queria que leste filme desse a sensação de que você voltou no tempo e está vivo junto com os personagens.
Quando visitei os verdadeiros aposentos particulares de Maria Antonieta, fiquei impressionada com o vestimenta de o tecido ter uma cor turquesa tão vibrante. Naquela era, isso nunca aparecia em filmes de era: eram sempre tons terrosos, opacos e empoeirados.
Você ficou surpresa com a controvérsia sobre os anacronismos no filme quando ele foi lançado?
Foi decepcionante ver que algumas pessoas ficaram realmente ofendidas. Para mim, é difícil imaginar que a música moderna tenha sido tão ofensiva para as pessoas, e hoje isso é muito geral. Eu sabia que era um pouco atrevido e rebelde uma americana narrar aquela história, mas nunca sabemos de verdade porquê as coisas serão recebidas.
Você morou na França por alguns anos depois de “Maria Antonieta”. Qual é hoje sua relação com o país?
Meu marido (Thomas Mars, da margem Phoenix) é, na verdade, de Versalhes. A mansão da família dele ficava muito perto do Petit Trianon. Eles se mudaram de lá há alguns anos, mas passávamos as festas ali, o que era incrível. Minha filha Romy nasceu em Paris, e sou muito grata por ainda poder passar qualquer tempo lá. Cresci assistindo aos filmes da nouvelle vague francesa e sempre me senti acolhida pela cultura francesa.
A reputação do filme parece ter mudado consideravelmente desde seu lançamento. Você percebe isso?
Sem incerteza. Sinto que ele conquistou um público totalmente novo entre os jovens. Minhas filhas me mostram essas montagens no TikTok ao som de hip-hop, e eu adoro. Foi uma surpresa divertida, porque, em universal, seus filmes deixam de ser comentados depois de qualquer tempo. Muitas mães e filhas dizem que assistem juntas, e há homens que vêm até mim e dizem que foi com esse filme que saíram do armário.
O documentário que você editou com base nas filmagens da sua mãe, “Making Marie Antoinette”, será lançado nos EUA em outubro. Por que demorou tanto para voltar a ele?
Na era, somente uma segmento muito pequena foi usada porquê extra do DVD, e seguimos com nossa vida — eu estava tendo filhos e me esqueci daquilo. Logo, durante a pandemia, minha família estava toda reunida em mansão, em Napa. Minha mãe pegou as imagens para revê-las, e eu nunca as tinha visto antes. Para mim, foi incrível ver todos os detalhes que ela captou, todo o trabalho artesanal: os figurinos, as perucas, as flores.
E ela queria muito fazer alguma coisa com esse material. Ela morreu há dois anos, mas, no termo da vida, era muito importante para ela que concluíssemos esse filme. Prometi que faria isso. Trabalhei muito neste último ano com um editor e com uma amiga da minha mãe, tentando imaginar porquê ela gostaria que o filme fosse feito —embora seja difícil para mim ter distanciamento, porque apareço nele, e é constrangedor ver a mim mesma tão jovem.
Por quê?
Não pareço tão segura ao me impor. Sou uma jovem diretora ainda tentando encontrar meu caminho. E pensei que talvez fosse interessante para outros jovens interessados em cinema ver que existe um processo de evolução porquê pessoa criativa.
Também sou eu me vendo pelos olhos da minha mãe, vendo-a observar a filha trabalhar. Foi muito emocionante trabalhar nisso, e senti que era um presente que ela havia deixado para mim.





