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SPFW tem Herchcovitch romântico e Forca com roupas punk
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SPFW tem Herchcovitch romântico e Forca com roupas punk – 14/10/2026 – Ilustrada

Meio romântico, meio dark, afirma Alexandre Herchcovitch sobre seu desfile desta terça-feira (13), que abriu a São Paulo Fashion Week. A apresentação na faculdade Instalação Armando Álvares Penteado foi talvez a mais variada desde que o estilista voltou a riscar para a sua marca, há quatro anos.

Isso porque o desfile, levemente inspirado na “belle époque” do final do século 19 e início do 20, mostrou a ampla gama da costura do estilista. Um conjunto trouxe looks góticos e sexy, a exemplo de um maiô corset em pele e borracha que deixava o bumbum à mostra, estilo fio dental, e de um vestido preto levíssimo, semitransparente, com um ornamento de renda em formato de folha recluso no ponta dos seios.

Outra segmento do desfile teve o streetwear que fez o nome do estilista, com blusões de capuz em pelúcia e bermudas, além de partes de cima em que a junção de diferentes tecidos formava um coração. Uma terceira leva trouxe vestidos, tanto em jacquard lurex brilhoso, com faceta de roupa de sarau, quanto em renda bordada num amarelo mais pálido e singelo.

“Não consigo mais fazer uma coisa só, do primícias ao término”, conta Herchcovitch, numa conversa posteriormente o desfile. “É uma liberdade que não posso perder e não quero perder, a de fazer várias coisas diferentes simultaneamente.”

Segundo ele, é importante manter o espírito criativo por questões comerciais, ou seja, para atender clientes distintos, seja quem compra um casaco de pele no verão para usar em outro momento ou os artistas e cantores para quem desenha looks mais extravagantes.

Embora o desfile tenha sido anunciado porquê de outono 2026 e verão 2027, “a estação é irrelevante para mim”, diz. Prova disso foram os looks, estilo Hollywood dos anos 1940, desfilados por Marina Dias e Johnny Luxo —longos casacões em pelúcia e plumas que protegiam o corpo, combinados com sapatos de salto superior.

Ambos de cabelo armado, estilo senhora antiga, Dias e Luxo pareciam encarnar um deboche das mulheres conservadoras, ao contrário dos modelos que mostraram looks de telinha com muita pele à mostra, exalando liberdade e sexualidade. Foi um desfile, segundo Herchcovitch, com muitos personagens.

Esse deboche virou tensão no desfile da Forca. Antes de os modelos entrarem, carros de corrida fizeram manobras e deram cavalinhos de pau no estacionamento do estádio do Pacaembu, onde a plateia estava reunida, numa performance de subida velocidade tão nervosa quanto o segundo vez das eleições no Brasil.

Motores roncavam em volume de estourar o tímpano, o cheiro de borracha de pneu queimado era fortíssimo e pedrinhas do asfalto saltavam em quem estava na primeira fileira devido à violência das freadas, que também destroçavam pedaços das latarias dos carros.

Era um clima ofensivo, que combinou com a coleção apresentada em seguida, a melhor da marca nos seus quatro anos de atividade. Roupas rasgadas ou de paisagem queimado, peças em pele e com tachinhas mostraram a face punk da Forca, etiqueta fresca e com ímpeto de inovar. Coturnos e sapatos com plataforma, mules de sola tratorada e bolsas feitas de pneu foram os complementos certeiros.

Os modelos entraram fumando na passarela de asfalto, com a vocábulo Forca escrita no rosto, no torso ou nas costas, num desfile iconoclasta e zero comportado. Esse casting de término do mundo tinha cabelo moicano porquê os punks e maquiagem preta carregada ao volta dos olhos, numa apresentação com faceta de performance.

“Preservar nosso santuário interno contra o mundo caótico lá fora, que demanda muito da gente, que esgota”, diz Silvio De Marchi, um dos diretores criativos da marca, é a proposta conceitual da coleção, com previsão de chegar às lojas em fevereiro do ano que vem.

A São Paulo Fashion Week acontece no meio do segundo vez de uma eleição que dividiu o país. Cabe exigir da voga, cuja função é produzir roupas bonitas e fomentar a venustidade estética, que se envolva com política? Talvez não, mas isso não impede os estilistas de se manifestarem à sua maneira.

No desfile de Herchcovitch, a deputada Erika Hilton estava na primeira fileira e defendia, em entrevistas, o quanto roupas de voga podem dar segurança a quem as veste. Na Forca, Silvio De Marchi tirou o casaco para os fotógrafos ao final da apresentação e saiu de costas, exibindo uma regata com a estampa de uma grande estrela vermelha. Está dito.

Folha

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