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SPFW une Turma da Mônica ao punk e se inspira
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SPFW une Turma da Mônica ao punk e se inspira no Japão – 17/10/2026 – Ilustrada

A Turma da Mônica ganhou correntes, pele e botas de plataforma no desfile de Dario Mittmann, enquanto João Pimenta transformou peças tradicionais da alfaiataria masculina em bodies e macacões, em seus desfiles na 61ª edição da São Paulo Fashion Week.

Os últimos dias do evento viram ainda as peças criadas pela estreante Hisha, que apostou em roupas ornamentadas, e a Handred, que combinou volumes amplos e transparências numa apresentação marcada por referências asiáticas.

Mittmann levou à passarela uma coleção criada em parceria com a Mauricio de Sousa Produções e a Panini para as comemorações dos 90 anos do instituidor da Turma da Mônica. O desfile colou seus personagens a uma estética de rebeldia juvenil, com roupas largas, jeans, rendas e acessórios metálicos.

Os desenhos contrastavam com o peso das correntese e os acabamentos de aspecto desgastada, numa tentativa de aproximar o universo infantil do punk e do gótico.

Os modelos caminhavam sobre uma passarela formada por gibis, diante de esculturas da Mônica grafitadas. As ilustrações apareciam em diferentes peças, enquanto outros looks apostavam em pele, moletons, fivelas e aplicações que davam às roupas um vista mais ofensivo.

Alguns personagens também ganharam versões sombrias, porquê o coelho Sansão e o fantasma Penadinho, transportados para uma versão adulta do universo criado por Mauricio de Sousa.

Algumas peças remetiam ainda ao extrato de tomate Elefante, que tem Jotalhão porquê mascote, ampliando a dimensão mercantil do desfile. A passarela, os gibis, as esculturas e os produtos associados às parcerias deixavam pouco espaço para que a coleção se afastasse do material promocional que lhe serviu de ponto de partida.

O fechamento tornou explícita essa relação, com uma versão de Mônica com correntes e xadrez na passarela.

João Pimenta, por sua vez, encontrou na alfaiataria masculina um campo para experimentações menos literais. Com um casting formado por modelos negros e indígenas com franjas loiras, o estilista apresentou uma coleção em preto, branco e cinza que toma o smoking porquê ponto de partida para questionar as convenções da roupa formal.

O desfile embaralhou as funções habituais das peças. O paletó podia terminar porquê um macacão, enquanto a secção de cima de um terno se ajustava ao corpo porquê um body, deixando as pernas descobertas. A fita tradicional do smoking surgia deslocada para o quadril, e gravatas mariposa assumiam formas rígidas e bastante alongadas nos pescoços.

Em outras produções, coletes apareciam sobre blazers, invertendo a ordem esperada das camadas. O estilista também trouxe para a superfície elementos normalmente escondidos na confecção, porquê linhas de costura, entretelas e etiquetas.

Os tecidos mais leves e as estruturas menos rígidas afastavam as peças da alfaiataria tradicional, frequentemente associada a materiais pesados e cortes formais. Pimenta preservou a elegância do smoking e mostrou que ela não depende de seguir à risca suas regras de construção.

Em sua estreia na SPFW, a Hisha, marca de Giovanna Resende, ganhou visibilidade com roupas de ornamentação. Recentemente, assinou um dos looks de Anitta em seu último projeto músico.

Na passarela paulistana, a estilista voltou a apostar nas transparências, rendas, corsets, minissaias e tops inspirados na lingerie, acompanhados de aplicações criativas de pedrarias, que exibiu na Rio Fashion Week, no primeiro semestre.

Houve tentativas de mudar a silhueta, principalmente em peças com mangas bufantes, saias balonê, golas altas e estruturas. Essas mudanças, porém, apareceram em meio a produções que repetiam a fórmula já associada à marca, com pele à mostra e ornamentação volumoso.

A Handred apresentou uma coleção que explorou volumes amplos, gravatas estampadas, calças balão e sobreposições. Tecidos transparentes revelavam partes do corpo sob peças mais estruturadas, enquanto elementos de aspecto formal equilibravam a amplitude das silhuetas.

As referências asiáticas apareciam nas formas e no styling, e a apresentação no Teatro Cultura Artística ganhou outra dimensão com a participação de percussionistas japoneses tocando tambores e binóculos para que os convidados do teatro vissem de perto as peças.

André Namitala, o diretor criativo da marca, se inspirou no Japão para gerar a coleção. Ele viajou ao país no início deste ano e conta que queria transcrever nas roupas apresentadas na SPFW “a questão de agito e pausa” que viu por lá, um lugar com “milhares de impulsos diferentes”, mas que também convidava à contemplação.

Uma secção da coleção, chamada “Vapor em Curso”, foi pensada enquanto ele frequentava as casas de banho públicas do país, com o vapor quente da chuva a deixar seus pensamentos fluírem.

Namitala trouxe na mala sedas japonesas —em versões mais e menos brilhosas—, com as quais confeccionou algumas peças desfiladas, que estarão disponíveis para venda na loja da marca em São Paulo.

Segundo ele, a venda das peças de passarela é um momento mercantil importante para a Handred, tanto que a etiqueta já desfilou uma vez nascente ano, também na Rio Fashion Week, no que foi considerado um ponto cimalha do evento.

O Japão serviu também de inspiração para as modelagens, mais amplas, que ele labareda de “alfaiataria de metrô”, por ter visto senhores nipônicos mais velhos vestidos com ternos oversized e com bolsos utilitários em suas viagens pelo país. Nas peças é verosímil observar calças balão, transparências e recortes maiores que a silhueta dos modelos.

A música e o espaço ajudaram a erigir uma atmosfera distinta daquela de uma passarela convencional. Nas roupas, o oversized não se limitou a aumentar as proporções e foi combinado a materiais transparentes e elementos mais alinhados, mostrando que a silhueta volumosa pode conviver com certa formalidade. A apresentação apostou, assim, no diálogo entre vestuário e performance para dar unidade à coleção.

Folha

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