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Talento de Rafael Câmara impressiona chefe da Haas 07/11/2026
Esporte

Talento de Rafael Câmara impressiona chefe da Haas – 07/11/2026 – Esporte

Ayao Komatsu, patrão da Haas, teve a oportunidade de indicar seu compatriota Ryo Hirakawa para assumir uma vaga de titular na equipe em 2027. Mas preferiu o brasiliano Rafael Câmara. Durante uma seletiva feita pela escuderia no Autódromo Internacional do Algarve, em Portimão, Portugal, o pernambucano foi mais rápido do que o concorrente e ainda mostrou uma habilidade que surpreendeu Komatsu.

“Existem muitas coisas que você pode ensinar a um piloto, mas a sensibilidade que ele tem ou não tem para sentir a aderência não é um tanto que se ensina. Ou o piloto tem isso ou não”, disse o nipónico à Folha.

Para ele, essa é uma das características que diferenciam o brasiliano.

“Quando nós fizemos o teste de 40 voltas [em setembro], as condições eram muito desafiadoras e mudavam o tempo todo. A maneira uma vez que ele pilotou de entendimento com as condições mostrou, para mim, que ele tem uma sensibilidade muito boa para perceber a aderência, o comportamento do sege e dos pneus”, afirmou Komatsu.

“Independentemente das mudanças nas condições [da pista ou do carro], ele consegue levar o sege ao limite”, acrescentou.

A capacidade de adaptação será ainda mais importante neste domingo (8), quando Câmara fará sua estreia na F1 diante da torcida brasileira, no GP de São Paulo, às 14h (de Brasília). Contratado pela Haas para assumir um dos carros da equipe em 2027, ele teve sua estreia antecipada depois a saída do francesismo Esteban Ocon, que entrou em rota de colisão com a escuderia americana.

Câmara poderia ter estreado no término de semana pretérito, mas a equipe preferiu escalar Hirakawa no GP do México, deixando para o Brasil a primeira oportunidade do pernambucano. Komatsu, no entanto, tenta evitar que a expectativa em torno do piloto aumente a pressão, que já é grande.

A orientação é que ele não se preocupe com tempos de volta, posições ou comparações com os rivais e com seu companheiro de equipe, o britânico Oliver Bearman. A teoria é que Câmara se concentre em entender o comportamento do sege e transmitir suas impressões aos engenheiros, já pensando em sua sequência uma vez que titular em 2027.

Mais do que um resultado específico, o patrão da Haas espera que o brasiliano tenha um término de semana limpo.

“A meta é terminar a corrida”, afirmou Komatsu. “O objetivo é muito evidente: simplificar tudo para que Rafa possa se concentrar naquilo que faz de melhor, que é pilotar o sege com sensibilidade.”

No treino classificatório, o brasiliano avançou ao Q2 e vai largar na 11ª posição. Largando no meio do pelotão, chegar incólume ao término da primeira volta costuma ser um repto. Em 2025, Gabriel Bortoleto, também em sua primeira corrida em Interlagos, abandonou a prova depois uma batida na volta inicial.

Câmara tem a experiência do companheiro uma vez que referência, mas também seu próprio jeito de mourejar com momentos de grande expectativa. Dudu Volume, ex-agente do brasiliano e irmão de Felipe Volume, trabalhou com o pernambucano do kart até o início de sua trajetória nos carros de fórmula, em 2022. Nesse período, identificou habilidades que agora poderão ser vistas na F1.

“O Rafa tem um talento procedente contraditório”, disse Dudu, antes de referir um incidente no qual o piloto tinha 14 anos. “Era um menino que era menor que todo o mundo numa corrida de 12 horas, estava com a mão toda estourada de bolha, com um kart pesado, e mesmo assim ele conseguia se superar, com muita raça.”

O empresário vê em Rafael características semelhantes às de seu irmão, uma vez que a regra.

“Ele sempre teve uma certeza de que chegaria [à F1]. E é uma coisa que eu sempre vi no meu irmão. O meu irmão sempre teve certeza de que era aquilo ou eu não sei o que faria da vida”, contou.

Se chegar à categoria era o primeiro grande objetivo, manter-se nela será outro repto, tão difícil quanto. Na avaliação de Dudu, Câmara ainda precisa aligeirar seu desenvolvimento técnico para diminuir a intervalo em relação a pilotos que tiveram contato mais precoce com os monopostos, uma vez que Kimi Antonelli, atual vencedor e mais jovem vencedor da história da F1, aos 20 anos, pela Mercedes.

O brasiliano e o italiano correram juntos em categorias de base, no kart e em fórmulas regionais na Europa. Mas Antonelli teve uma formação mais acelerada nos monopostos e, segundo Dudu, chegou a essa lanço com maior conhecimento sobre o funcionamento dos carros.

“Não era uma diferença de talento puro. Talvez o Kimi tivesse respostas mais fáceis para algumas situações porque cresceu dentro da oficina do pai. Ele cresceu andando de tudo, fazendo de tudo. Portanto tinha mais facilidade para saber o que fazer com o sege, uma vez que mudar a guiada, uma vez que se adequar.”

A crédito de Dudu no potencial do idoso pupilo permanece intacta. Mesmo reconhecendo que ainda há etapas a executar, ele acredita que Câmara pode dividir novamente as pistas com Antonelli em disputas por posições importantes na F1.

“O Rafa é uma pedra bruta. Se for lapidada da melhor maneira verosímil, será um dos dois melhores pilotos da geração dele, junto com o Kimi”, finalizou Dudu.

Folha

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