Tomorrowland, com david guetta e alok, ignora novidades 12/10/2025

Tomorrowland, com David Guetta e Alok, ignora novidades – 12/10/2025 – Ilustrada

Celebridades Cultura

Maior festival de música eletrônica do Brasil e um dos maiores da América Latina, o Tomorrowland chegou a seus dez anos consolidado entre os fãs das linhas mais pop da música eletrônica. Quando o tema foge ao mainstream, porém, o evento desliza.

O festival é um grande parque da música eletrônica. A herdade Maeda, em Itu, no interno paulista, abriu as portas na última quinta-feira para muro de 10 milénio pessoas no camping solene do evento. No dia seguinte, as pistas receberam um público de 60 milénio pessoas que passeavam por seis palcos, com muro de 50 DJs —150 apresentações até o término do evento.

É a chance que o público brasiliano tem de ver e rever nomes uma vez que David Guetta. O DJ francesismo entregou um set com versões reduzidas de seus grandes sucessos, uma vez que “Sexy Bitch” e “Day and Night”, um delícia para quem se contentava com a música eletrônica radiofônica nas décadas de 2000 e 2010.

Outro que voltou ao país é Armin van Buuren. Com dezenas de apresentações em solo brasiliano no currículo, o DJ e produtor holandês tem vivido uma novidade subida na curso com o resgate do trance —gênero da música eletrônica em que é mando.

O set uniu clássicos, uma vez que a filete “Techno-Trance”, e novidades, faixas mais adequadas à maior pista do evento. De vestimenta, no palco principal o que dita a regra é a união de “build-up” e “drop”, isto é, a construção de um orgasmo e seu auge —quando vem a batida e o público, com pés na dança ou celular em riste, vai ao delírio.

Além do holandês e de Guetta, o festival escalou 22 DJs que também aparecem na lista “Top 100 DJs”, da revista DJ Mag. O ranking da publicação especializada é uma espécie de selo de qualidade na indústria.

Há nomes brasileiros ali, uma vez que Vintage Culture e Alok. O primeiro levou seu tech-house pesado e previsível. Já o goiano apresentou “Something Else”, projeto paralelo que se propõe menos pop ao retornar para suas raízes no estilo psytrance —no Tomorrowland, a proposta ficou mais no papel.

Muito do que sai do interceptação entre essa lista e o line-up do Tomorrowland Brasil é ultraprocessado, plástico, um “fast food” da música eletrônica —nomes repetidos à exaustão no festival. É o caso de Maddix, DJ holandês que fez um set incoerente, ou das gêmeas Nervura, com uma sequência tediosa de hits, uma vez que elas tendem a fazer ano em seguida ano.

Não que parecesse um problema para o público que lotava a pista. Muitos dos que vão ao festival buscam aquilo de sempre, uma tal experiência —a estada no acampamento, as fantasias e roupas coloridas, a pirotecnia dos palcos com seus motivos entre art nouveau e fantasia medieval. Nesse parque temático, a música muitas vezes é coadjuvante.

É essa mercantilização dos valores “tranquilidade”, “paixão”, “união” e “saudação”, mote de movimentos da música eletrônica da dezena de 1990, que fez do Tomorrowland uma das grifes mais importantes no rotação desse estilo músico.

Nos últimos anos, a edição brasileira do festival vem se abrindo a novidades do país. Segue centrada no mainstream, mas passa por experimentos com percussões afro-brasileiras cruzadas a house e techno, abraça o tech-house do Meio-Oeste, o desande, e tem entradas pontuais de funk em algumas batidas e “samples” de voz.

Na prática, porém, a tentativa ainda é tímida. Brasileiros destaques da sátira, Cashu e RHR foram escalados para esta edição, mas tocaram para pistas vazias nas primeiras horas de sexta —filete também reservada a nomes bem-sucedidos uma vez que Omoloko e Eli Iwasa, no sábado, e Ananda, no domingo.

Espanta que não haja nem sequer um DJ latino-americano no line-up além dos brasileiros. Nas pistas de sexta, bandeiras de vários países da região eram encontradas a torto e a recta. No camping, espanhol e inglês são língua franca depois do português. Não faltam nomes que poderiam subir ao palco do festival neste ano.

Quando chegou ao Brasil, há uma dezena, o Tomorrowland encontrou um cenário em que, fora do mainstream, artistas, fãs e gêneros penavam para manter suas cenas vivas. Hoje, as cenas vêm se tornando centrais, criam celebridades locais, chamam a atenção da prelo e influenciam listas de principais DJs do mundo.

Referência inabalável no que há de mais mercantil da música eletrônica, o Tomorrowland poderia tratar com mais atenção o que há de novo nas pistas do país e da América Latina. Não por humanitarismo, mas por curadoria. Estar atilado ao recíproco é antever as mudanças do mainstream. A Disney não sobreviveu centena anos com o mesmo parque de sempre.

Folha

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