Tony Bellotto está seduzido desde a noite de segunda-feira, quando teve uma experiência muito dissemelhante ao subir num palco. A plateia do Theatro Municipal do Rio de Janeiro o testemunhou receber, sorriso cândido sob o cabelo pequeno e grisalho, seu primeiro prêmio Jabuti pelo romance “Vento em Setembro”.
“Eu nunca tive um reconhecimento crítico muito grande, ou até tive, mas nunca imaginei concorrer a prêmios uma vez que esse”, conta ele à Folha. “Quando o livro chegou aos finalistas, fiquei realizado. Não esperava lucrar do Chico Buarque, do Marcelino Freire. O livro do Jeferson [Tenório] é ótimo.”
O plumitivo saiu depois para comemorar em família. Sua esposa e “primeira leitora sempre”, a atriz Malu Mader, parecia tão exultante quanto ele na cerimônia. Na manhã seguinte, o guitarrista dos Titãs pegou o celular para racontar a novidade a outra presença que tem sido frequente, a médica que acompanha seu tratamento de cancro no pâncreas.
Diz, rindo, que a mensagem foi “zero uma vez que um troféu Jabuti para fazer a gente olvidar das mazelas”. E tranquiliza seus admiradores ao racontar que tem encarado a doença “de maneira pragmática e realista”, posteriormente se restabelecer muito de uma cirurgia recente.
Voltou a fazer shows. Diz que, durante a grande turnê que reuniu os Titãs há pouco, sentia um incômodo na poste terrível uma vez que uma hérnia de disco. Zero a ver com a quesito de hoje, mas ele lembra para contrastar com a “vida mais normal” que tem conseguido levar.
“Agora que tenho uma doença mais grave, ela não me incomoda tanto porque não dói. Estou naquela, um dia de cada vez”, afirma o artista de 65 anos. “E me aprofundando nos meus conhecimentos de zen budismo.”
A vitória uma vez que romancista literário no Jabuti vem depois de 30 anos uma vez que plumitivo de tramas de suspense uma vez que as do detetive Remo Bellini, sucesso tamanho que foi ao cinema com Fábio Assunção no papel do investigador.
Boa-praça, Bellotto soa sincero ao manifestar que não arrisca o que pode ter cativado os jurados do prêmio mais importante da literatura brasileira depois de 11 romances publicados, mas evita invocar de coroação de uma curso longeva, porque a celebração vem uma vez que um incitação para fazer mais e mais.
Não quer dar detalhes sobre o novo livro que está quase finalizando, porque um de seus mestres, Rubem Fonseca, ensinou que isso dá má sorte. Mas diz que desde a indicação do romance no Jabuti —o livro da Companhia das Letras também foi semifinalista do Oceanos—, já recebeu três propostas de diretores para transformar a obra em audiovisual.
“Vento em Setembro” é um livro que mistura as tintas do thriller às da autobiografia de formação, tiradas da juventude do responsável no interno de São Paulo. Labareda o processo de “meio psicanalítico”, lembrando que se divertia ao levar até dúvidas de vírgula às suas sessões de terapia.
“Tem uma ironia, um sentido meio paródico que exagera a visão que eu tenho dos anos 1970, a quantidade de preconceitos, misoginia, homofobia, vexame masculina que eu vivi na mocidade. Apesar de todo o pintura que a história abre, ironiza e critica, é sobre uma procura de identidade.”
Bellotto tem um oração sólido para separar sua elaboração músico da literária —o título “Vento em Setembro”, aliás, remete ao “Luz em Agosto” de um de seus autores favoritos, o americano William Faulkner.
“A música é um trabalho, em princípio, coletivo”, diz o compositor. “Quando primícias a ortografar música, já penso uma vez que aquilo vai toar quando eu mostrar para a filarmónica, quando chegarem sugestões dos parceiros, quando outros instrumentos entrarem no conspiração.”
Mas não é só isso. “O trato com a vocábulo é totalmente dissemelhante, muito preciso, parecido com a verso. Na prosa vem aquele fluxo, cada vocábulo não importa tanto quanto o ritmo da frase inteira. A letra de música é vocábulo por vocábulo. A prosa é frase a frase.”
Desde moleque ele já se dividia entre tocar e ortografar literatura, no primícias coisas “muito ruins” inspiradas na sensação da idade, os autores latino-americanos uma vez que Gabriel García Márquez e Mario Vargas Llosa.
Aquilo ficou entorpecido quando a música começou a “ocupar um espaço muito grande” nos anos 1980, com os Titãs. Voltou a pensar nisso no primícias da dez seguinte, estimulado por um professor de filosofia que era camarada de seus pais, Nilo Odália —homenageado com um personagem no novo livro.
Aí sua pegada literária já era outra. Mas quem espera encontrar a vaga dos Titãs nos seus romances acaba malogrado. São manifestações muito diferentes de sua arte, o que é bom —e costuma ser regra.
“Alguns dos meus heróis roqueiros se aventuraram pela prosa. O caso óbvio é o Bob Dylan, mas o Pete Townsend do The Who também tem um romance recente. E você não encontra uma coisa na outra. Quando lê a prosa do Dylan, não tem a letra ou a melodia da música dele”, afirma. “É quase uma vez que ser engenheiro e ser técnico de natação.”
