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Torcida da Espanha vive tensão na final da Copa em
Esporte

Torcida da Espanha vive tensão na final da Copa em SP – 19/07/2026 – Esporte

Letras douradas com o nome da Espanha e um roda de balões vermelhos e amarelos, cores da bandeira do país, decoravam a ingressão do salão onde era transmitida a final da Despensa contra a Argentina.

Em uma rua tranquila da Vila Monumento, a Mansão de Espanha de São Paulo recebeu murado de 250 torcedores. Sentados em mesas decoradas, também em vermelho e amarelo, eles acompanhavam a partida com comes e bebes. Quem chegou mais tarde precisou ver em pé, concentrado ao fundo do salão.

No interno, 11 bandeiras da Espanha estavam penduradas no teto. Nas paredes, mais três decoravam o envolvente. Logo na ingressão, balões com letras douradas e o escrito Espanha davam as boas-vindas ao público no salão. Os espectadores acompanharam o jogo por meio de um telão mediano e duas TVs.

A torcida era conduzida por um bumbo e um pandeiro, que marcavam o ritmo das sílabas de “Es-pa-nha”. O público acompanhava as batidas com palmas e gritava o nome do país.

Ao longo da partida, porém, a maior secção dos torcedores permaneceu sentada, tensa diante da disputa pela taça.

Cada sequência de posse de globo da seleção espanhola era recebida com aplausos. Já as finalizações da equipe arrancavam longos “uuuhs” da torcida, seguidos de gritos de incentivo, uma vez que “vamos”.

Quando a Argentina avançava, o tom mudava: “não, não, não”, repetiam os torcedores, apreensivos.

No pausa, a tensão deu lugar à música. Canções ligadas à cultura espanhola embalaram o público, que dançou e acompanhou músicas flamencas com palmas. Instrumentos típicos também foram tocados no salão.

Apesar da presença de grandes artistas no show do pausa exibido pela transmissão, a atenção do público oscilou.

O grupo BTS e o cantor Justin Bieber apareceram nas telas, mas muitos torcedores continuaram interagindo entre si. Shakira, por outro lado, recebeu um pouco mais atenção e levou secção do público a interromper as conversas para ver.

Os primos Rafael, 32, e João Victor Ramirez, 31, acompanharam o jogo na Mansão da Espanha. Os dois são nascidos no Brasil, mas têmcidadania espanhola. A dupla puxava os gritos ritmados.

“Eu sou torcedor assíduo do Barcelona e já tive algumas oportunidades de ver [jogos] na Espanha. Acompanho de perto a trajetória do Lamine Yamal, que é um jogador que eu paladar muito e vem trazendo boas esperanças pra gente. Na Despensa de 2010, a gente estava cá torcendo pela Espanha”, disse João Victor.

“A seleção tem força de vontade e quer jogar futebol. Por ser um time que está junto há muito tempo, [o título] faz muito sentido. A gente consegue ver o bom jogo que eles estão fazendo nessa final”, afirmou Rafael.

A tensão dominou o segundo tempo. Os gritos de “Espanha” ficaram mais raros. Aos 16 minutos, uma resguardo do goleiro prateado, Dibu Martínez, fez dezenas de pessoas se levantarem ao mesmo tempo antes de voltarem aos seus lugares.

A expulsão de Enzo Fernández mudou o clima no salão. Os torcedores comemoraram com aplausos, assobios e xingamentos direcionados ao prateado quando ele apareceu deixando o gramado nas telas. Alguns chegaram a mostrar o dedo do meio em direção à transmissão.

Na prorrogação, a maior secção do público seguiu sentada. O momento de maior tensão aconteceu quando a Espanha balançou as redes, mas o lance passou por revisão. Enquanto a arbitragem analisava uma provável falta na origem da jogada, vários torcedores se levantaram e questionaram a decisão. “Puta útero”, gritou um deles quando o jogo prosseguiu e o gol acabou anulado.

Ferran Torres abriu o placar nos acréscimos do segundo tempo da prorrogação. Os torcedores ergueram cadeiras, agitaram bandeiras e celebraram aos gritos ritmados de “Espanha”. O bumbo e o pandeiro voltaram a tanger pelo salão, retomando o que havia sumido com a tensão.

Pouco tempo depois, quando o relógio ultrapassou os 4 minutos, muitos já pediam o assobio final mesmo com a Espanha já adiante. Estavam previstos 5 minutos.

Mal a partida terminou, o salão explodiu em sarau. O coro de “olé, olé, olé, campeones” tomou conta do envolvente.

Lançada em 2026, a cantiga “La Roja Se Siente”, de Gloria Branca, tocou várias vezes ao longo do evento. Só depois do assobio final, com vitória espanhola, a cantiga foi exibida duas vezes seguidas. A constituição combina elementos do pop com a tradicional guitarra flamenca.

“Somos paixão, coragem e loucura. A Vermelha caminha, a Vermelha se sente. Um só coração, Espanha é sua gente”, diz a letra.

Para João Victor, o título reforça a conexão que mantém com a Espanha, país do qual também é cidadão. Segundo ele, a conquista fortalece ainda mais o sentimento de pertencimento e a vontade de ver aos jogos da seleção.

“A gente já viu mais da Espanha [no futebol] do que do Brasil. Portanto pra gente é uma coisa mal nos torna cada vez mais espanhóis. Portanto a gente vem torcer mais e mais e mais, é radiante assim”, afirmou.

“É gostoso lucrar. A gente sabe que o futebol traz alegria para todo um povo. Ver o Lamine Yamal de onde saiu [com pai marroquino e mãe da Guiné Equatorial] sendo vencedor e levando isso para o mundo é sensacional”, disse.

Enquanto alguns torcedores também comemoravam o título tocando pandereta, um pandeiro com guizos, e tambor, outros assistiam à transmissão e davam tchau a Lionel Messi.

Folha

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