Notícias Favoritas

O seu portal favorito de notícias na Internet

Uma fake news para chamar de minha 02/10/2026
Celebridades Cultura

Uma fake news para chamar de minha – 02/10/2026 – Gustavo Alonso

Não há mais para onde passar. Depois de passarmos anos reclamando das fake news e de seu grande risco para o debate político no Brasil e no mundo, agora temos a certeza de que fake news são boas, desde que sejam nossas.

Nas últimas semanas, a máquina do petismo usou duas estratégias para brigar os adversários: moralismo e fake news. As duas eram consideradas detestáveis quando usadas contra o petismo há não tanto tempo.

Em 1989 Collor acusou Lula de ter uma filha fora do enlace. No programa de TV de Collor, a mãe Míriam Cordeiro afirmou que Lula lhe ofereceu verba para abortar a filha de ambos, Lurian, e que ele a teria deserto durante a gravidez. O incidente foi um dos momentos de maior impacto emocional daquela eleição, contribuindo para a guia de Lula para Fernando Collor.

O incidente espargido uma vez que o “caso da bolinha de papel” ocorreu durante as eleições presidenciais de 2010, quando José Serra disputava o segundo vez contra Dilma Rousseff. Em uma marcha no calçadão de Campo Grande, no Rio de Janeiro, militantes do PT e do PSDB entraram em confronto. Em meio ao tumulto, o candidato José Serra foi atingido na cabeça por uma bolinha de papel e continuou caminhando. A equipe de Serra alegou que ele teria sido atingido depois por um objeto mais pesado (um rolo de fita crepe ou tubo plástico), o que o levou ao médico.

Em seguida deixar o lugar, Serra realizou exames, que não constataram lesões. Mas os médicos recomendaram repouso devido a sintomas de tontura e náuseas. A “bolinha de papel” foi uma fake news abortada por falta de verossimilhança. O excesso do incidente virou piada e meme na idade.

E uma vez que olvidar a “mamadeira de piroca” e o “kit gay” da eleição de 2018? Os bolsonaristas tomaram a vanguarda na produção de fake news, catalisando o jogo das mentiras e exageros. Esta semana, bolsonaristas distorceram uma fala descuidada de Lula sobre prevenção ao cancro de próstata, uma vez que se o presidente tivesse dito que as mulheres estivessem “acostumadas ao toque íntimo”.

De tanto recolher com temas morais e fake news, o petismo e seus simpatizantes contra-atacaram. Primeiro contra os da própria esquerda, minando alternativas. Nas eleições contra Marina (2014) e Ciro (2018 e 2022), os petistas mostraram-se eficazes produtores de fake news em seu próprio gabinete do ódio.

Importante também não olvidar a principal fake news do petismo, aquela capaz de capitalizar tudo na vitimização do partido: a caracterização do impeachment lícito de Dilma em 2016 —embora criticável em sua legitimidade— uma vez que golpe de Estado. Clamaram tanto pelo golpe que ele de trajo quase veio em 8 de janeiro de 2023.

Nesta eleição somos bombardeados por uma curiosa fake news. Um matéria sobre o qual ninguém comentava tornou-se meão na eleição. A peta contada infinitas vezes é a de que Flávio Bolsonaro irá destituir Nossa Senhora Aparecida do título de padroeira do Brasil. Para produzir o pânico universal, bastou restaurar o projeto de lei de um deputado evangélico arquivado em 2008.

De ontem para hoje, mais uma fake news. A de que o debate na Mundo não teria ocorrido pela “falta de coragem” de Flávio. Todos sabemos que houve uma cronologia de acontecimentos que não sustenta essa teoria.

E assim chegamos ao ponto em que vale tudo pelo poder. Fake news é só aquela certeza duvidosa produzida por alguém que não é do nosso grupo. Nós nunca produzimos fake news, finalmente estamos do lado claro da história.

Já que é assim, resolvi produzir uma fake news de minha lavra, e assim contribuir para o show de terraplanismo do debate político vernáculo.

Vocês já perceberam que o logo dos carros BYD, quando vistos pelo retrovisor, parece “CHE”? Repare! Tá provado: a China faz reviver o mito do comunista Che Guevara! E assim implanta mensagens inconscientes através dos sedutores carros elétricos.

Quando tive essa revelação, me orgulhei. Os colegas com quem compartilhei esta revelação foram tomados por epifania. Achei que tinha revelado um esquema mundial de controle das mentes.

Antes de ver-me uma vez que pai solo de fake news, resolvi consultar o oráculo de nosso tempo, a internet. Uma rápida pesquisa me mostrou que há outras pessoas que também chegaram à mesma desenlace. Encontra-se confirmação para tudo na internet, de pacto satânico no disco da Xuxa tocado de trás pra frente ao pânico pueril anticomunista.

Somos poucos, é verdade, mas vamos transformar o mundo com a certeza dos ignorantes! Posso não ser pai solo de uma notícia falsa, mas o que importa? A fake news é de todos nós. Produtores de fake news de todo mundo uni-vos!


LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul inferior.

Folha

LEAVE A RESPONSE

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *