Usar chatgpt e ia é ser cúmplice de crime, diz

Usar ChatGPT e IA é ser cúmplice de crime, diz Ted Chiang – 04/08/2025 – Ilustrada

Celebridades Cultura

Ted Chiang escreveu pouco, mas o suficiente para ser muito comemorado dentro da literatura de ficção científica. Ganhou alguns dos principais prêmios do gênero, uma vez que o Hugo, o Nebula e o Locus, além do PEN/Malamud por seus contos.

As unicamente duas coletâneas de narrativas curtas publicadas por levante rebento de chineses-taiwaneses que migraram para os Estados Unidos foram editadas no Brasil pela Intrínseca —”Expiração”, a mais recente, e “História da sua Vida e Outros Contos”, de quem raconto principal deu origem ao filme “A Chegada”, de 2016, em que uma linguista vivida por Amy Adams tenta se legar com alienígenas.

Linguagem, consciência, livre-arbítrio, memória, identidade, passagem do tempo e o impacto social das tecnologias estão entre os temas discutidos por Chiang e o fizeram ser comparado a nomes uma vez que Philip K. Dick, Jorge Luis Borges, Ursula K. Le Guin e Margaret Atwood. “Assim uma vez que esses predecessores tão ecléticos, Chiang explora os clichês convencionais da ficção científica de maneiras altamente não convencionais”, escreveu Joyce Carol Oates em uma resenha de “Expiração” para a New Yorker.

A revista americana adora perfurar suas páginas para Chiang. Foi nela, em agosto do ano pretérito, que ele publicou o tentativa “Por que a IA não vai fazer arte”. O texto argumenta que a produção de uma obra artística passa necessariamente pelo esforço e pela intenção do artista e que, por isso, as inteligências artificiais não são capazes de produzir alguma coisa que possa ser chamado de arte.

As ideias sobre as IAs trouxeram Chiang ao Brasil. Nesta terça-feira (5), ele ministra em São Paulo a palestra “Uma vez que a IA Transforma Linguagem e Storytelling”, organizada pela filial de notícia Pina.

Em entrevista num hotel da cidade, bem-humorado, Chiang afirma que não usa IAs para ortografar. “Por dois motivos. O primeiro é que, muito, às vezes me descrevo uma vez que um ‘vegano de LLM’ [sigla em inglês para grandes modelos de linguagem]. Não uso LLMs, uma vez que o ChatGPT, por princípio, devido ao enorme dispêndio ambiental, da exploração da mão de obra e porque esses modelos são construídos com base no roubo de propriedade intelectual”, diz. “Usar o ChatGPT me faria sentir cúmplice de um violação, da mesma forma que os muitos veganos se sentem ao consumir mesocarpo.”

“Mas, se, hipoteticamente, houvesse um LLM eficiente energeticamente, socialmente ético a ponto de os trabalhadores serem muito tratados e se esses LLMs fossem treinados unicamente com trabalhos em domínio público, ainda assim eu não usaria. Ortografar é uma forma de entender o que estou pensando, e não quero usar uma instrumento do dedo para fazer isso por mim. Não vejo uma vez que ela poderia me ajudar, porque se quero entender os meus pensamentos, preciso desenredar o que estou pensando.”

O primeiro ponto é moral. O segundo, uma particularidade de Chiang. Será que as IAs não poderiam fazer muito um trabalho artístico ou criativo?

“O que se procura em uma obra? Você está procurando alguma coisa pelo qual alguém pagaria? Não sei se essas obras ficarão boas o suficiente para que as pessoas paguem por elas. O mais provável é que os interessados em IA generativa busquem alguma coisa não para o qual as pessoas paguem, mas alguma coisa onde possam colocar publicidade. Ninguém vai remunerar para ouvir essa música, mas posso pôr comerciais ali. Logo, se é isso o que querem, portanto aí, sim, a IA pode ajudar.”

Mas, para Chiang, uma obra de arte demanda uma conexão que as máquinas não conseguem proporcionar. “Algumas pessoas diriam que a pintura é uma forma de os humanos se conectarem. Música é uma forma de conexão. Ficção literária é uma forma de conexão. A IA não pode fazer esse trabalho, porque não há conexão. Se você assiste a um filme para saber a visão de mundo de um cineasta, não terá isso numa produção gerada por IA. Se você observa uma pintura e entende a visão de mundo de um artista, certamente não verá isso numa imagem gerada por IA. Logo depende do que achamos que é o propósito de filmes, pinturas, música ou literatura”.

No léxico artístico de Chiang, esforço e intenção são duas palavras indissociáveis à produção de qualquer um que se proponha a fazer arte —o que, para ele, distancia as máquinas desse tipo de trabalho.

“Fazer arte envolve alguns aspectos fundamentais que, em termos simples, significam destinar muito esforço. E as empresas vendem IA generativa não com a mensagem ‘você pode fazer arte se esforçando muito’. O que vendem é ‘vai ser fácil’”, critica ele.

“Uma empresa de tintas não pode chegar e expressar ‘cá está uma tinta vermelha, agora você pode fazer arte tão fácil quanto aquele outro artista’. A diferença é que, quando um artista cobre uma tela de tinta vermelha e diz ‘isso é arte’, pode-se discutir se é boa ou não, mas a premissa é que o artista teve uma intenção ao fazer aquilo, refletiu sobre o que estava fazendo. Essa diferença está na intenção. Em universal, a arte é uma forma concentrada de intenção e de esforço significativo. Se alguém precisa de unicamente cinco segundos para restringir um botão com um comando, isso não me interessa, não é arte.”

As IAs não têm, segundo Chiang, o poder de produzir uma obra de arte, mas não devem ser descartadas da infraestrutura da produção cultural. Para o responsável, o cinema é uma superfície que pode ser muito amiga das máquinas.

“Fazer filmes é dispendioso e trabalhoso. Para alguém entrar dentro do negócio do cinema, tem de encarar muitas barreiras. Se você tem uma teoria para um filme, provavelmente precisará de muito quantia para criá-lo. Para fazer arte visual ou música, não precisamos de tanto quantia, e para literatura menos ainda. São diferentes meios, com diferentes tipos de barreiras para acessá-los. O impacto das IAs será maior em um meio uma vez que o cinema, porque é onde as barreiras são mais altas.”

Para Chiang, a ficção científica, tão afeita a antecipar uma vez que as tecnologias vão impactar a vida humana, costuma nos enganar quando o ponto é lucidez sintético. “Ela retrata a IA uma vez que uma espécie de mente com objetivos e desejos próprios, geralmente opostos aos humanos. Esse é um grande clichê. Mas a IA que temos no mundo real não é zero disso. Na verdade, é tão dissemelhante que é quase indefinido usar a frase ‘lucidez sintético’ para descrever essas duas realidades —a que vemos em filmes e a que lidamos no dia a dia—, porque são muito diferentes”, afirma.

“Não temos zero parecido com HAL 9000, de ‘2001 – Uma Odisseia no Espaço’. Acho que as empresas que vendem produtos de IA querem produzir essa associação. Querem que você pense que elas têm um resultado sofisticado desse jeito. Mas o que elas realmente oferecem não é zero disso.”


Recomendações de Ted Chiang

A Folha pediu a Ted Chiang que recomendasse autores que gosta de ficção científica. Ele citou dois.

Ray Naylor: “Li um ótimo livro dele, chamado ‘The Mountains in the Sea’. Ele trata sobre a notícia com um tipo de polvo que talvez tenha subjugado uma forma de linguagem”.

Ruthanna Emrys: “Ela escreveu um romance óptimo, chamado ‘A Half-Built Garden’. É um livro sobre contato com alienígenas. É muito interessante, referto de ideias. Entre outras coisas, os alienígenas só querem negociar com mães que estejam com seus filhos, porque veem nelas alguém em quem podem responsabilizar. Também tem ideias sobre diferentes formas que o capitalismo pode tomar, e um mundo com múltiplas estruturas políticas coexistindo”.

Folha

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