VAR, 10 anos, descumpre sua função desde o jogo de estreia – 11/08/2026 – O Mundo É uma Bola
Ainda uma párvulo, mas parecendo estar entre nós há séculos, tamanha sua incrustação, o avaliador assistente de vídeo faz anos. Exatos 10, neste dia 12 de agosto.
Quando alguém completa mais 365 dias (ou 366, a cada quatro anos) de vida, espera ter um feliz natalício. Se esse alguém é o VAR, não há quem possa estar mais feliz.
Polêmico, o avaliador de vídeo evoluiu gradativamente e tornou-se um personagem relevante ao extremo no futebol. Começou referto de dúvidas e de desconfianças para, em um estalar de dedos, ser protagonista, mais que os outros envolvidos no jogo, seja o avaliador de campo (totalmente influenciável pela tecnologia), sejam os jogadores, sejam os treinadores, sejam os torcedores.
O VAR, das quais embrião surgiu no início dos anos 2010, em um projeto da Federação Holandesa de Futebol denominado Arbitragem 2.0, entrou em cena com o intuito de evitar/emendar “erros claros e óbvios”. Constituía-se basicamente na utilização de imagens em vídeo para a checagem de jogadas.
Fifa e Ifab (o órgão que cuida das regras do esporte) encamparam a proposta, e testes começaram a ser feitos, a passos lentos, primeiramente sem que houvesse contato do avaliador de vídeo com o de campo, que seguiria (e segue) uma vez que o definidor de cada veredicto.
Logo, no dia 12 de agosto de 2016, quando o mundo olhava para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, realizou-se em Novidade Jersey, nos EUA, a primeira partida em que o VAR atuou para valer. O duelo pela terceira repartição da liga norte-americana terminou com goleada do mandante, o New York RB II, por 5 a 1 sobre o Orlando City B, diante de 478 torcedores.
O VAR apresentou logo em sua estreia o seu cartão de visitante, e antecipou o que se tornaria praxe no decurso dos anos: que ele não seria evidente nem interferiria somente em obviedades. Até hoje, mesmo quem acompanha futebol com afinco pergunta-se com frequência: está checando o quê? E por que vagar tanto?
A primeira mediação da história do VAR não podia ter sido dissemelhante: confusa e polêmica. O presente repete o pretérito.
Naquela noite de domingo, o avaliador Ismail Elfath, 34 anos à estação, assinalou uma falta de Conor Donovan, do Orlando, em Junior Flemmings, do NY RB, muito perto da traço da grande superfície. Pelo fone, ouviu mensagem do VAR, Allen Chapman. Foi ao monitor, voltou ao gramado, manteve a marcação da falta fora da superfície e expulsou Donovan.
Não se conhece a razão de Elfath ter ido rever o lance, já que o diálogo com Chapman não foi divulgado e não sabemos o que ele viu para acionar o colega de campo. Assim, infere-se que ou a checagem era relacionada a ter sido pênalti (falta dentro da superfície) ou ao padroeiro ter impedido, uma vez que “último varão”, uma chance clara de gol, o que seria passível de expulsão.
E eis que a barafunda se estabelece.
Se a verificação era sobre ser pênalti, e concluiu-se que não era, Elfath –que cresceu enormemente na curso e na Despensa do Mundo deste ano apitou a semifinal entre Argentina e Inglaterra– não poderia ter expulsado Donovan. Deveria ser respeitada a marcação original, que seria falta não suficiente para cartão vermelho.
Resta a segunda escolha: Donovan evitou uma oportunidade nítida de gol, e sua exclusão seria justificável.
Só que desde quando isso é um erro evidente e óbvio? Se o lance fosse indiscutível, irrefutável, Elfath levaria a mão ao bolso e tiraria o vermelho na hora. A única obviedade é que era uma jogada passível de tradução. E, se há subjetividade, o VAR tem que permanecer quieto.
Não ficou e, passados dez anos, continua a falar quando não deve, e o contrário também acontece: silencia quando tem que se pronunciar. Basta ver qualquer jogo para provar.
Em nome da “justiça no futebol”, o VAR fez-se necessário, virou imprescindível. Uma justiça duvidosa, já que não é imune a erros e a favorecimentos, espero eu (sem ter crença), não propositais.
Merece parabéns pela sua dez de vida? A maioria dirá que sim. Eu sou minoria. Meus parabéns são cheios de restrições, pois o VAR é um raso.
Do jeito que (não) funciona, prescindo dele. Aceito erros, desde que não escandalosos, em prol de um futebol com menos interferência e trâmites. Com menos revisões de centímetros. Com menos “foi gol, mas não comemore ainda”. Com menos burocracia.
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