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Depois de desvendar o mistério dos Illuminati no Vaticano, desenredar uma sociedade secreta de Leonardo da Vinci e desvendar a maçonaria em Washington, o professor Robert Langdon retorna para uma novidade façanha. Dessa vez, o personagem de Dan Brown vai a Praga, buscando o paradeiro de Katherine Solomon, seu atual par romântico.
Segundo o responsável diz ao jornalista Rodrigo Salem, que o visitou em sua morada, Langdon é um revérbero romantizado de si mesmo. Esse novo livro, “O Sigilo Final” (trad. Fernanda Abreu, Arqueiro, R$ 79,90, 560 págs.), vem depois de um pausa de oito anos sem publicar, o mais longo de sua curso. Nesse período, Brown lidou com a morte de sua mãe e aprendeu a lastrar seu lado científico com o místico.
Depois do sucesso com a série de Robert Langdon, que ganhou adaptações para o cinema com Tom Hanks na pele do simbologista, Brown conta à Folha que vive um dilema à la Taylor Swift. Ele diz que já pensou em redigir coisas diferentes, mas sempre encontra resistência dos seus editores. “Sei redigir música pop, mas quero criar folk”, brinca Brown.
Acabou de Chegar
são os lançamentos destacados pela Tudo a Ler nesta semana
“Xamãs Elétricos na Sarau do Sol” (trad. Silvia Massimini Felix, Autêntica Contemporânea, R$ 79,80, 296 págs.) ambienta uma narrativa de música, rito e delírio entre os vulcões do Equador. Na obra de Mónica Ojeda, jovens rumam a esse cenário para festejar a sarau do Sol indígena. “O vulcão aparece porquê uma mãe assustadora e acolhedora ao mesmo tempo, símbolo de uma natureza que não é contemplada de longe, mas vivida”, escreve a sátira Sylvia Colombo.
“O Projeto” (Zahar, R$ 79,90, 176 págs.), do jornalista David Graham, analisa a transformação que a extrema direita tem imposto aos Estados Unidos. Segundo o responsável, a guerra cultural do grupo em torno de Donald Trump é secção de um projecto de décadas, enquanto o escora a Jair Bolsonaro é um improviso. Ao repórter próprio Igor Gielow, o americano que escreve na revista The Atlantic afirma que as mudanças promovidas por Trump tendem a ser permanentes.
“O Exposição Vazio” (Companhia das Letras, trad. Antônio Xerxenesky, R$ 89,90, 160 págs.) é uma reflexão do uruguaio Mario Levrero sobre sua falta de inspiração. No livro, o responsável embarca em uma terapia grafológica, escrevendo páginas à mão, mais preocupado com o formato do que com o teor. Porquê diz o crítico Alex Castro, não é problema um responsável redigir sobre seu fracasso em redigir, mas também não é problema o leitor optar por ler outros autores.
E mais
O livro “A Vocábulo e o Poder – Uma Travessia Sátira por 40 Anos de Democracia Brasileira” será lançado pela Cultura Brasileira, selo do grupo editorial Record, a partir de um projeto realizado ao longo dos últimos dois anos na Folha. O colunista Rodrigo Tavares, a secretária-assistente de Redação e editora de Pluralidade Flavia Lima e o repórter próprio Naief Haddad organizam um volume que reúne 40 artigos históricos publicados no jornal desde a redemocratização, acompanhados de 40 textos inéditos de outros autores comentando os originais.
Entre cenários utópicos e catastrofistas relacionados ao porvir da perceptibilidade sintético, o livro “Cointeligência” (trad. Roberta Clapp, Intrínseca, R$ 59,90, 224 págs), do professor Ethan Mollick, propõe o caminho do meio. Com exemplos práticos e acessíveis, ele cria um manual para qualquer usuário de computador aprender a trabalhar em colaboração com a IA. Segundo o crítico Pedro Burgos, o manual funciona porque não promete certezas, mas oferece práticas testáveis.
Em “Cinéfilo Nem É Gente” (Sapopemba, R$ 69,90, 208 págs.), o crítico Gabriel Trigueiro quer dar destaque para filmes que “fogem do hype e do buzz”, porquê ele mesmo diz. Em tempos de streaming, seu livro procura ser um anuário, reunindo suas impressões sobre produções diversas —de documentário da Xuxa a thrillers de Alfred Hitchcock. Segundo o colunista Mauricio Stycer, que assina o prefácio, Trigueiro executa a “arte de transformar livros ruins em boa literatura”.
Além dos Livros
A sátira literária Rita Palmeira é a novidade curadora da Flip. Doutora em literatura brasileira que integrava a equipe da Livraria Megafauna, ela passa a ocupar o vetusto incumbência de Ana Lima Cecilio na próxima sarau, que deve suceder em Paraty entre junho e agosto de 2026. Palmeira já participou de edições anteriores porquê mediadora, inclusive na última edição, quando fez secção da conversa entre a francesa Neige Sinno e a portuguesa Anabela Mota Ribeiro.
Em seguida os sucessos de “Torto Arado” e “Salvar o Queimada”, o noticiarista Itamar Vieira Junior lança “Coração Sem Temor” no próximo mês no Brasil —depois segue para o mundo. O novo romance já tem contrato assinado para ser publicado em mais oito países, segundo o Tela das Letras, incluindo Portugal, Reino Unificado e Estados Unidos.
Nesta semana a cidade de Bath, no interno do Reino Unificado, vive os tempos de Jane Austen. Todos os anos, o município recebe o Jane Austen Festival, que celebra a autora britânica com uma programação extensa que inclui passeios, aulas de esgrima e partidas de críquete, com bailes em que trajes regenciais são obrigatórios. Mulheres circulam em vestidos longos, e homens desfilam de fraque e chapéu. Neste ano, a sarau é próprio, já que Austen completaria 250 anos em dezembro.
