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Vontade de abandonar o mundo se repete entre os povos
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Vontade de abandonar o mundo se repete entre os povos – 23/08/2026 – Luiz Felipe Pondé

Hoje vamos manter uma certa intervalo desse mundo raso em que vivemos, um mundo histérico, em que todos querem desabrochar uma vez que a pessoa mais lítico de todas, com mais seguidores engajados para fazer melhores negócios ou, simplesmente, picaretas —é impressionante uma vez que o século 21, a partir das suas redes sociais, catapultou a prática da picaretagem profissional em níveis antes inimagináveis. Os psicanalistas que o digam —hoje, tem um em cada esquina.

Vamos falar um pouco da santidade e repousar, por qualquer tempo, na sua perenidade uma vez que fenômeno. Refiro-me à santidade, tal uma vez que a Igreja Católica e a Ortodoxa entendem, além de outras igrejas cristãs da bacia oriental do Mediterrâneo.

Muitas vezes, a vontade de deixar o mundo se repete na história de diferentes povos. Na maioria das vezes, uma vez que segmento de uma experiência religiosa que vê no mundo um pouco a ser, de alguma forma, evitado.

Essa tradição, conhecida uma vez que monástica —termo ligado à origem da fuga do mundo por segmento de cristãos nos primeiros séculos da era geral— não é exclusiva do cristianismo, apesar de as tradições espirituais guardarem diferenças no seu modo de viver a repúdio do mundo ou de justificá-la.

No caso especificamente cristão, essa forma de vida se confunde com a de um dos primeiros indivíduos canonizados uma vez que santos pela igreja cristã nascente —que eram portanto múltiplas— nos primeiros séculos da era geral, não necessariamente a católica, uma vez que entendemos hoje.

Trata-se de Santo Antão, que viveu entre 251 e 356 da era geral —ou era cristã—, aproximadamente. Leste egípcio copta é considerado, pela tradição cristã, o fundador da vida monástica.

Rebento de uma família de lavradores com algumas posses, Antão, posteriormente a morte de seus pais, ao ouvir no luminar da igreja cristã copta da sua cidade —fundamental na história do surgimento do cristianismo— a passagem em que Jesus diz que quem quiser segui-lo, deve partilhar suas posses entre os pobres e viver na pobreza e na humildade, decide fazer o que Jesus disse. Leva sua mana à vivenda de donzelas cristãs e segmento para o deserto do Egito.

Santo Antão não queria somente viver uma vez que Jesus, ele queria encontrar Deus —ou Cristo, uma vez que consagrará o Concílio de Niceia em 325 da era geral.

Cá vale um pequeno reparo. Leste Concílio de Niceia, instaurado pelo imperador Constantino, visava discutir duas teorias acerca da pessoa de Cristo. Ou ele seria da “mesma substância” do Pai (“homoousios”, em helênico), portanto, incriado e, também, Deus, ou ele seria, uma vez que queriam os arianos, os derrotados, mas, não extintos em Niceia, criados por Deus, uma vez que todos nós.

Importante ter em mente que o arianismo existe até hoje entre cristãos, ainda que não confessem o seu verdadeiro nome.

Santo Antão defenderá a posição de Niceia, de que Jesus continua vivo e é da “mesma substância” do Pai —na linguagem dos cultos se dizia assim porque Antão, iletrado, dificilmente entraria em controvérsias ontológicas sofisticadas, conhecidas uma vez que fundadoras da cristologia.

Segundo a manadeira mais antiga da vida de Santo Antão —Santo Atanásio de Alexandria, mais jovem, mas contemporâneo, em segmento, do monge, e que foi, também, um potente patrono da posição de Niceia contra o arianismo—, ele, supostamente, quando questionado por arianos, teria respondido: “Eu O vi”, ou seja, viu Jesus, vivo no deserto.

Santo Antão passou para a história da santidade uma vez que alguém que enfrentou o mal exteriormente —não que isso não o afetasse interiormente.

O grande demônio e seus pequenos demônios, na figura de animais ferozes, mulheres sedutoras, pessoas deformadas, insetos devoradores, tentaram duramente Antão, para que ele desistisse de Deus e do Cristo.

Sua experiência no deserto, inclusive, passará para a história da arte e da literatura uma vez que as famosas “tentações de Santo Antão”. Entre muitos grandes que voltaram a essas tentações de Santo Antão, figura o grande Gustave Flaubert, que escreveu de 1848 a 1874 a sua “Tentação de Santo Antão”, reescrita várias vezes neste período.

Segundo o historiador René Fulop-Miller, no seu “Os Santos que Abalaram o Mundo”, da José Olympio Editora, vale confrontar as experiências exteriores de desespero de Antão com o longo desespero interno, ou psicológico, uma vez que diríamos nós hoje, de Santo Agostinho.

Assim, os dois santos antigos repetem o perfil, muitas vezes desesperador, dos heróis do Velho Testamento. Viver com a mão de Deus sobre sua cabeça nunca foi coisa fácil.

Folha

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