Werner Herzog dá aulas de cinema em Açores por R$

Werner Herzog dá aulas de cinema em Açores por R$ 50 mil – 20/04/2026 – Ilustrada

Celebridades Cultura

Há mais vacas do que pessoas na ilhéu de São Miguel, e pelo menos uma delas estava prestes a se tornar uma estrela.

Durante 11 dias em janeiro, Werner Herzog, o cineasta teutónico, realizou um workshop na ilhéu, a maior do arquipélago dos Açores, no Atlântico Setentrião, e entre os 50 participantes, vários estavam considerando incluir uma vaca em seus curtas-metragens.

Uma teoria foi apresentada por Sabri Benalycherif, 48 anos, fotógrafo de Lisboa, e Jill Mulleady, 47, cineasta argentina. A visão deles para um curta envolvia uma vaca entrando em uma igreja.

“Uma vez que vocês vão fazer uma vaca subir os degraus e entrar na igreja?”, perguntou Herzog, 83 anos, severamente à dupla. “Vocês podem se dar mal, porque a vaca pode ser teimosa e nunca dar um único passo para cima. Ela pode permanecer selvagem.”

“Mas você moveu um navio por cima de uma serra”, lembrou-lhe Mulleady educadamente, referindo-se à cena de seu homérico de 1982 “Fitzcarraldo”, em que a equipe arrastou um navio a vapor de 320 toneladas por uma colina íngreme na Amazônia peruana.

Herzog balançou a cabeça. “As pessoas pensam que eu faço coisas impossíveis, mas não. Eu faço o que é realizável”, disse ele. “Eu sabia que era provável movimentar um navio por cima de uma serra.”

Ele explicou que teve três meses para resolver o problema. Esses cineastas não tinham esse tempo. “Vocês têm que fazer o que é realizável, e dentro dos dois dias de filmagem que vocês têm cá, isso não parece ser realizável”, disse Herzog.

Esse era o cerne de seu workshop: Pegue sua câmera, faça a tomada, esqueça os storyboards, não exagere e, supra de tudo, faça o que é realizável. Para muitos, esse juízo foi, se não revolucionário, certamente libertador.

Os participantes vieram de lugares tão distantes quanto Havaí, Austrália e Índia. Foram agrupados em duplas com base em estilos cinematográficos e idiomas compartilhados e, em alguns casos, signos astrológicos compatíveis. Ao final do workshop de 11 dias, eles tinham que filmar, editar e exibir um filme de cinco a dez minutos, em qualquer estilo, seja narrativo, poema visual ou documentário.

O nome Werner Herzog se tornou uma espécie de sinônimo de cinema independente e ousado —o próprio varão é um ícone. E, no entanto, seus filmes conceitualmente densos dificilmente agradam às bilheterias. Muitos os descreveriam porquê inacessíveis, melhor apreciados por estudantes de cinema, cinéfilos e outros cineastas, já que abordam temas complicados sobre assuntos porquê a vida no galeria da morte e famílias de aluguel no Japão. Ele é tanto um personagem, com seu sotaque teutónico, voz incorruptível e filosofias irreverentes, quanto as lendas que cercam sua abordagem de fazer filmes — mesmo para aqueles que nunca os viram.

E Herzog se tornou objeto de fascínio para uma novidade geração que está descobrindo seu trabalho — mormente depois que o meme do “pinguim niilista”, tirado de seu documentário de 2007 “Encontros no Término do Mundo”, viralizou em janeiro, o que coincidiu com seu workshop.

Herzog começou sua Rogue Film School em 2009, em Los Angeles, onde mora desde o final dos anos 1990. O curso de quatro dias com programação intensa custava US$ 1.500 (murado de R$ 7.500) aos participantes. O objetivo não era aprender a fazer filmes, mas ouvir Herzog, que deixa simples que não ensina cinema —isso pertence às escolas de cinema, das quais ele é há muito tempo um crítico vocal. Fazer cinema, disse ele, é sobre gerenciar o caos ou “domar”.

As sessões do workshop eram tão populares que Herzog as tornou mais longas e elaboradas. Ele começou a trabalhar com a produtora Extática Cine, sediada em Barcelona, que as realizou em Cuba, na floresta tropical peruana e em Las Palmas, nas Ilhas Canárias. Escolheram São Miguel para 2026 porque sua paisagem invernal sombria e mítica era ideal para o cinema.

Herzog anunciou o workshop deste ano por meio de sua novidade conta no Instagram, que Simon, seu rebento mais novo, havia criado para ele. Também novidade era a etiqueta de preço proeminente — 8.800 euros (murado de 51.600 reais) — que chocou muitos de seus seguidores no Instagram, que deixaram comentários sobre privilégio e fundos fiduciários.

“Te senhoril, rosto, mas 8.000 euros exclui totalmente a classe trabalhadora do curso. Não curti”, escreveu um.

Participantes porquê Aleksandra Szczepanowska, 46 anos, que mora em Novidade York, estavam preparados para o dispêndio. “Fazer um videoclipe limitado, sem orçamento, em Novidade York custa 20.000 dólares. Logo isso é quase barato demais”, disse ela.

A Extática Cine explicou que o preço cobre, entre outras coisas, hospedagem e alimento, transporte na ilhéu, tradutores, um banco de dados de atores e locações locais, uma chance de distribuição e, simples, tempo com Werner Herzog. Em seguida remunerar a equipe organizadora e as despesas, murado de um terço dos ganhos vai para a Instauração Werner Herzog em Munique, que supervisiona a preservação e conservação de suas obras.

Herzog cativou seus 50 participantes enquanto recontava histórias que já havia descrito centenas de vezes, muitas das quais aparecem em suas memórias de 2023, “Cada Um Por Si e Deus Contra Todos”. Ele falou sobre crescer na Baviera rústico, sua relação de trabalho frequentemente tempestuosa com o ator Klaus Kinski e porquê hipnotizou o elenco de seu filme de 1976 “Coração de Vidro”.

Herzog comandava as conversas durante as refeições e continuava depois o jantar, quando exibia trechos de seu extenso catálogo, porquê “Aguirre, a Ódio dos Deuses”, “O Varão Urso” e “Serpente Virente”, pausando para invocar atenção para detalhes específicos. Às vezes, oferecia insights ou fragmentos de sua vida pessoal que provocavam risos e espanto.

“Qualquer primata pode produzir um filme hoje”, disse Herzog em determinado momento. “Aliás, eu já vi um filme feito por uma ovelha.”

Muitos dos cineastas se agarravam a cada termo sua.

“Ele é meu pai no cinema”, disse Hao Wang, 33 anos, diretor de Chengdu, China, que havia completado anteriormente o curso de Herzog na plataforma online MasterClass. Durante o workshop, ele ensinou Wang a sibilar, uma habilidade que acredita ser importante na direção de uma equipe.

Herzog observou enquanto Jordan McAfee-Hahn e Matúš Ďuraňa filmavam uma vaca à borda de um penhasco, o oceano cinza cintilando prateado no horizonte em uma tarde ventosa. O filme deles, que chamaram de “Lola Sonha com o Mar”, apresentava um jovem quinteiro correndo detrás de Lola, a vaca, que era inexplicavelmente atraída pelo corpo d’chuva.

A vaca que interpretava Lola não queria se sentar. Ela reclamou cumeeira, até que finalmente cedeu e se agachou na grama.

Para se tornarem “bons soldados do cinema”, Herzog disse aos participantes que eles devem aprender a mourejar com os imprevistos. “De repente um pouco dá terrivelmente inexacto, seu segundo protagonista tem que ir ao hospital e você sabe que ele não vai voltar nos próximos três meses, portanto você tem 60 segundos para mudar seu roteiro e tornar plausível que a pessoa não está lá, até mesmo transformar isso em uma vantagem para a história”, disse Herzog. “Isso acontece o tempo todo em um set, e você tem que ser capaz de responder instantaneamente. Não há tempo. Não sobra tempo para zero.”

Em seguida 11 dias intensos em São Miguel, Herzog partiu para debutar a promover seu filme mais recente, “Bucking Fastard”, estrelado pelas irmãs Rooney Mara e Kate Mara porquê gêmeas idênticas. Ele também estava finalizando um livro de seus stills de filmes a ser lançado pela editora alemã de livros de arte Taschen e fazendo trabalho de dublagem no próximo filme de animação de Bong Joon Ho, “Ally”, sobre criaturas das profundezas do mar. Haveria pouco, se é que haveria, tempo para resfolgar entre uma coisa e outra.

Quando chegou a hora de se despedir de seus protegidos, depois uma exibição de seus trabalhos finalizados, Herzog examinou o grupo com seu olhar subtil.

“O mundo porquê cineastas agora é de vocês”, disse-lhes. “O mundo é de vocês. Vocês vão transpor, mas devem permanecer rebeldes. Meu juízo é formar células rebeldes em todos os lugares.”

Muitos aproveitaram cada oportunidade para sentar ao lado de Herzog e fazer perguntas ou se mostrar, enquanto alguns escolheram aspirar silenciosamente a sabedoria do cineasta à intervalo, porquê Dean Wei, cineasta de Pequim.

“Eu só queria ouvi-lo.”



Folha

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