‘A Ilha Esquecida’, com hip hop e animes, anima o folclore – 24/09/2026 – Ilustrada
Seres metamorfos habitam o folclore filipino, porquê sereias e demônios saqueadores de sonhos. Esse universo fantástico ganha vida com pinceladas neon frenéticas em “A Ilhéu Esquecida”, novidade animação da Dreamworks que renova a audácia do estúdio possuidor de franquias lucrativas porquê “Shrek”, “Porquê Treinar Seu Dragão” e “Kung Fu Panda”.
São tempos em que estúdios vêm enfrentando críticas pela extensão interminável de suas histórias e por uma percela de títulos pouco empolgantes. Ainda assim, a Dreamworks tem conseguido emplacar produções frescas, porquê fez com “Robô Selvagem”, devotado a examinar a maternidade pelos olhos de um autômato. O filme chegou à corrida pelo Oscar no ano pretérito.
Outro trunfo foi “Gato de Botas 2: O Último Pedido”. Anunciado sob a suspeição de que seria uma extensão caça-níquel, o longa surpreendeu ao abordar de forma criativa os efeitos da impaciência e do pânico. O filme também apostou na mistura da estética tridimensional, que hoje domina as animações comerciais, com traços 2D de diferentes estilos. A técnica vem se tornando cada vez mais frequente desde “Varão-Aranha No Aranhaverso”, de 2018.
Foi com o “Gato de Botas 2” que os diretores e roteiristas Joel Crawford e Januel Mercado ganharam a crédito para, agora, produzir “A Ilhéu Esquecida”. No novo filme, a mixagem de diferentes padrões de ilustração foi elevada à máxima potência, em um ritmo frenético que emula a personalidade caótica de Jo, a protagonista, e a cultura hip hop filipina da qual ela é fã.
A animação incorpora trejeitos típicos dos animes, desenhos japoneses que estendem sua popularidade a países asiáticos vizinhos. O traço foi usado também em “Guerreiras do K-pop”, filme fenômeno da Netflix que foi coroado com o Oscar de animação neste ano.
A estética colorida e caótica serve à história do filme, diz Mercado, ambientado nos anos 1990, estação que antecipou o mundo do dedo. As fotografias ainda eram impressas e as mensagens escritas com punho, papel e caneta.
“O público, principalmente a geração mais jovem, sente falta do que é palpável”, diz Crawford. “Tenho três filhos adolescentes que me pedem uma câmera polaroide e CDs. Hoje, temos celulares e tiramos milhares de fotos, mas nunca mais olhamos para elas. Há um pouco de privativo naquilo que é palpável e temporário.”
“A Ilhéu Esquecida” acompanha Jo e Raissa, que se conhecem na escola ainda crianças e firmam uma amizade até o prelúdios da vida adulta. As duas trocam cartinhas, gravam músicas em CDs uma para a outra e carregam pulseiras com vários pingentes, cada um para simbolizar qualquer momento privativo vivido juntas. Mas a relação fica balançada quando Raissa anuncia a mudança para os Estados Unidos, onde fará faculdade.
Enquanto Jo é revoltada e explosiva, sem muitos planos para o porvir, Raissa é estudiosa e certinha. Criada por uma família tradicional, ela se tornou um refúgio seguro para Jo, abandonada pelo pai e criada pela avó.
Uma noite antes do voo de Raissa, as duas encontram a chave do portal para Nakali, cenário fantástico das histórias da avó de Jo. Ambas acordam na ilhéu mística porquê se tivessem tido uma noite de festança naquela terreno misteriosa, mas não lembram de zero. Para piorar, elas perdem a chave que leva de volta ao mundo humano.
A partir daí, Jo e Raíssa iniciam uma viagem por Nakali para restaurar a memória e retornar para vivenda. A procura acaba por meditar sobre porquê as relações, mesmo que passageiras, podem deixar marcas profundas na idetidade de cada um.
A dupla encontra no caminho um demônio com impaciência de separação da mãe, um tritão hipervaidoso e um homem-cachorro, tão deslocados quanto elas, que decidem acompanhá-las em sua jornada. Os três brincam com arquétipos masculinos ao mesmo tempo em que revelam porquê traumas pessoais podem interferir na maneira porquê cada um se relaciona.
Cenários e personagens são uma fusão de lendas do folclore filipino, mas o filme também mostra elementos típicos da cultura cotidiana do país. Em perceptível momento, por exemplo, Jo invade a sarau de família de Raissa, em que quitutes estão dispostos diante de um enorme retrato de Jesus. Ou, ainda, a prática do karaokê porquê momento recreativo.
Para os diretores, a animação se consolidou porquê um terreno fértil em Hollywood para explorar culturas além da americana. Hoje, diante das disputas ideológicas que abalam o mundo, a tendência é ainda mais possante.
“Na animação, quando você sintetiza um personagem de um jeito quase cartunesco, todo mundo consegue se enxergar nele. Há uma frase de Matriz Teresa que diz que a maior doença do mundo é a solidão. Infelizmente, essa frase é mais relevante do que nunca”, diz Crawford.
Antes de ser lançado, “A Ilhéu Esquecida” gerou certa espalhafato nas redes sociais entre fãs LGBTQIA+. Para muitos, o laço entre Jo e Raissa poderia ser interpretado porquê romântico, ainda que as duas se tratem porquê amigas. Um tanto parecido aconteceu com “Luca”, da Pixar, que trazia uma amizade entre dois meninos frequentemente lida porquê a representação de um romance, embora o estúdio nunca tenha apresentado a relação dessa forma.
Jo usa roupas geralmente associadas a meninos, e o tritão, por exemplo, é afeminado. São características que aparecem em uma grande animação depois de, no ano pretérito, veículos americanos especializados em entretenimento apontarem que a Pixar optou por extinguir trejeitos queer do protagonista de “Elio”.
Não é a primeira vez que a Dreamworks dá passos menos convencionais na representação de seus personagens. “Shrek” trouxe Doris, a mana de Cinderela, e o Lobo Mau de camisola, que chacoalharam os papéis de gênero. Em 2020, o estúdio lançou ainda a série animada “She-ra: As Princesas do Poder” na Netflix, que terminou com um ósculo entre a protagonista e Catra, a vilã redimida.
Mercado diz entender o apelo de “A Ilhéu Esquecida” para a comunidade queer. “Esse filme é para qualquer pessoa que já tenha se sentido dissemelhante ou excluída. É sobre produzir laços e encontrar relações significativas que fazem você se sentir seguro e fortalecido para ser quem é.”





