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Kneecap: Acusação de terrorismo vira música no álbum 19/05/2026
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Kneecap: Acusação de terrorismo vira música no álbum – 19/05/2026 – Ilustrada

O grupo de rap Kneecap, da Irlanda do Setentrião, gravou seu terceiro disco enquanto Mo Chara, um de seus integrantes, tinha de ir prestar depoimentos à Justiça de Londres. Ele vinha sendo indiciado de terrorismo por supostamente ter mostrado, há dois anos, uma bandeira do grupo islâmico Hezbollah em show —o que é transgressão no Reino Unificado. O músico negou a história, e o caso foi encerrado.

Mas uma gravação com gritos de fãs pedindo sua liberdade do lado de fora do tribunal foi usada na tira “Carnival”, uma das 14 músicas de “Fenian”, o novo álbum do trio, lançado neste mês. A letra debocha da denúncia, evocando Gerry Conlon, irlandês que passou 15 anos na prisão em Londres posteriormente ser injustamente sentenciado uma vez que terrorista —a história é retratada no filme “Em Nome do Pai”, de 1993, com Daniel Day-Lewis.

“Fomos usados uma vez que distração para o que está acontecendo na Palestina, porque a cada minuto que ocupávamos o noticiário era um minuto a menos para falar sobre esse genocídio”, diz o DJ Próvaí, um dos integrantes do Kneecap. “Isso não é por possibilidade —é proposital. Os políticos sabem que, se conseguirem produzir esse carnaval de distrações, desviam a atenção das pessoas das atrocidades que estão cometendo.”

“Fenian” vinco a aposta do Kneecap em um rap politicamente combativo, cantado em irlandês e em inglês, que denuncia o colonialismo em seu país de origem e o conflito em Gaza. Foi pelo envolvimento na razão palestina, aliás, que o trio de Belfast entrou na mira das autoridades britânicas no ano pretérito.

Primeiro-ministro do Reino Unificado, Keir Starmer pediu que o Kneecap fosse retirado do Glastonbury, o principal festival do país. Eles acabaram se apresentando e causaram um alvoroço. O show teve xingamentos que abrangeram do próprio político ao tabloide Daily Mail —além de, evidente, ataques ao governo de Israel. A performance não foi transmitida pela BBC.

O The Guardian deu nota máxima ao show, em que a plateia e os artistas exibiram bandeiras e símbolos palestinos. O crítico Alexis Petridis disse que povo se dividia entre “rodas punk e mosh pits”, em incentivo à orquestra, e afirmou que a sensação era “genuinamente emocionante”, chamando a performance de “momento selvagem”.

Àquela profundeza, o Kneecap já era sabido por ter feito um tanto semelhante nos Estados Unidos. Em abril do ano pretérito, no festival Coachella, o trio exibiu o slogan “foda-se Israel, liberdade para a Palestina” no telão, puxou cantos do público em obséquio da razão e fez um oração contra a guerra em curso em Gaza. Os organizadores disseram que foram pegos de surpresa.

A polícia investigou o Kneecap pelos comentários no Glastonbury, mas encerrou afirmando que as evidências eram insuficientes para uma pena. Meses antes, o trio já havia vencido o governo do Reino Unificado na Justiça posteriormente ter sido impedido de receber um subvenção estatal.

Essa coleção de embates rendeu problemas ao Kneecap, que está repudiado de alguns países, uma vez que Canadá e Hungria. Ao mesmo tempo, ampliou o alcance do grupo, que começou com os integrantes ouvindo as canções rebeldes irlandesas —cancioneiro tradicional que retrata as rebeliões contra o domínio da Diadema Britânica no território.

“Ouvimos bandas uma vez que Wolfe Tones, Irish Brigade e outras que, de certa forma, satirizavam a ocupação britânica da Irlanda”, diz Próvaí. “Algumas eram sobre assassinatos, outras sobre heróis irlandeses. E há canções mais divertidas sobre mitologia.”

A partir dessa tradição, o trio escolheu tutorar o linguagem próprio. O hip-hop veio depois, uma vez que “plataforma para narrar as histórias do povo e das pessoas das ruas”, diz o artista. “Os irlandeses são muito conhecidos por serem contadores de histórias e, desde as canções rebeldes, música e política caminham juntas.”

Para o DJ, viver é política —se você vem de onde ele vem. Próvaí recorda o Domingo Sangrento, quando o tropa britânico abriu lume “contra 13 pessoas desarmadas”, em 1972, uma vez que uma história que perdura. Cita também a pobreza na comunidade de onde veio, em Derry, a segunda maior cidade do país.

“Umas 17 pessoas da minha família moravam na mesma moradia”, diz. “Não tinha moradia nem ofício, portanto as pessoas vão às ruas reclamar por direitos civis. Crescemos nessas áreas, ouvimos essas histórias. Nossas famílias viveram na pobreza, enfrentaram tempos difíceis e foram para o conflito. Não temos uma vez que evitar sermos políticos.”

O Kneecap lançou o primeiro EP em 2018, mas ganhou notoriedade com “Fine Art”, o álbum de estreia, de 2024. O rap hedonista e de flow habilidoso do trio tinha uma vez que bandeira a resguardo da língua irlandesa —questão controversa mesmo dentro do próprio país.

O disco veio na esteira de “Kneecap – Música e Liberdade”, filme do mesmo ano estrelado por Michael Fassbender, que narra uma versão ficcionalizada da história do grupo —um trio de rap de Belfast em procura de salvar o linguagem irlandês. Levou um prêmio, e concorreu a outros cinco, no Bafta, o Oscar inglês.

Agora em “Fenian”, eles trabalham com o produtor Dan Carey, destaque na novidade cena de rock britânica, com discos de Black Midi e Fontaines D.C. no currículo. Ele foi a um show do Kneecap em Wembley e tentou trasladar a vontade daquela performance na sonoridade do álbum.

As novas faixas têm batidas secas e instrumentais de grime e música eletrônica. “Não queremos nos somar a um gênero”, diz Próvaí. “Obviamente fazemos hip-hop, mas nosso som às vezes é dançante, às vezes soa uma vez que grime, também tem aspectos mais viajantes ou melancólicos.”

O título, “Fenian”, refere-se originalmente a guerreiros da mitologia irlandesa, mas hoje é usado de maneira depreciativa na Irlanda do Setentrião e no Reino Unificado. Para o DJ, é irônico que um disco com esse nome esteja em segundo lugar na paragem britânica —detrás unicamente de Michael Jackson.

Em termos de oração, o álbum também reflete o ano turbulento do Kneecap sob os holofotes. A música “Liar’s Tale”, por exemplo, é uma resposta direta ao primeiro-ministro britânico, e também um ataque ao israelense, Benjamin Netanyahu.

O conflito em Gaza motiva “Palestine”, feita em parceria com o rapper palestino Fawzi. Há anos tratando da razão palestina, diz Próvaí, o Kneecap agora quis exibir o ponto de vista de um artista fundamentado em Ramala.

Para o DJ, há semelhanças entre a atuação de Israel em Gaza e do Reino Unificado no país vizinho. “Houve lazeira forçada na Irlanda, uma vez que há na Palestina, porque os britânicos levaram a comida embora para fomentar guerras”, diz. “E as pessoas foram deslocadas, uma vez que os palestinos. Eles estão sendo bombardeados pelos céus. E o regime israelense, com ajuda dos Estados Unidos, está destruindo escolas e hospitais.”

Uma vez que na Irlanda do Setentrião, diz, os males da guerra atravessam gerações. “Não é só uma geração que sofre, mas todas as que vêm depois.”

O Kneecap planeja se apresentar na América do Sul onde, diz o DJ, a Europa fez estrago. Próvaí afirma que os britânicos cortaram as árvores irlandesas para fazer lume e a partir daí produzir espadas e armas e colonizar o mundo. Vê os brasileiros uma vez que “apaixonados” e diz confiar que a combinação do grupo com o público daqui seria um “combo explosivo”.

Hoje, no olho do furacão, Próvaí se lembra que o Kneecap foi criado unicamente para trovar rap em irlandês —e não ser porta-voz de movimentos. Ele diz não confiar que a música promova revoluções, mas fornece ânimo. E acha importante que a arte denuncie o que labareda de genocídios.

Nega ainda as acusações de terrorismo. “Você vê pessoas em altos cargos e governos tentando repreender bandas que falam contra eles —isso é uma ladeira escorregadia em direção ao fascismo. Poder discordar de alguém não é um recta humano imprescindível? Criam leis que ninguém fica sabendo para te colocar na enxovia por discordar deles. Mas o terror real é o que essas administrações fazem ao produzir genocídios e bombardear as pessoas dos céus.”

Folha

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