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A Leste do Palácio: Entrevista com Nam Joo hyuk e Yoon Seo
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A Leste do Palácio: Entrevista com Nam Joo-hyuk e Yoon-Seo – 28/08/2026 – K-cultura

Gu-cheon, um caçador de fantasmas solitário e rebelde, afunda em um lago para tirar a própria vida. É logo que ele entra no mundo dos espíritos —semelhante ao mundo prepóstero de “Stranger Things”—, onde luta contra criaturas macabras usando uma gládio. Cada viagem, no entanto, consome sua robustez yang, positiva.

O caminho dele cruza com o da princesa Saeng-gang, que tem yang em excedente. Ela também é dotada de habilidades xamânicas e consegue ouvir os mortos, mas é forçada a escondê-las. A dupla recebe a missão do rei de se livrar do “fantasma do lago”, que matou todos os príncipes do palácio no pretérito e volta prometendo exterminar a linhagem real.

A trama guia “A Leste do Palácio”, k-drama lançado pela Netflix no mês pretérito. O novo investimento do streaming foge das comédias românticas, o gênero predilecto no Brasil das séries sul-coreanas. A tensão cresce entre os personagens ao longo dos oito episódios, mas não é o foco. No lugar, a produção combina fantasia e drama histórico, categorias também populares.

“As pessoas se sentem atraídas pelos elementos de fantasia e sobrenaturais porque eles permitem que cada testemunha use a própria imaginação”, avalia o ator Nam Joo-hyuk. Ele dá vida ao protagonista, que odeia o dom de transitar entre os dois mundos, motivo pelo qual sempre foi temido por todos ao volta.

“Acho que pensamos muito nessas coisas, né? Deixamos a imaginação decorrer solta. Pensamos: ‘E se isso tivesse sucedido no pretérito?'”, completa Roh Yoon-seo, atriz que faz a princesa destemida. “O gênero de fantasia permite que essas perguntas ganhem vida. Aliás, são coisas que não esperaríamos que acontecessem na vida real. Existe uma alegria em poder vê-las lucrar forma visualmente.”

A série traz ainda pitadas de terror, o que provoca alguns sustos, e joga holofote no xamanismo. O conjunto de práticas ancestrais aparece com frequência em produções mainstream da Coreia do Sul —até em “Guerreiras do K-pop”—, mas não é familiar entre o público brasílico.

O xamanismo é um pouco enraizado na cultura coreana, afirma Roh. “Por isso, acho originário que as pessoas tenham curiosidade. Ele tem muitos elementos capazes de despertar a curiosidade.”

Seu colega de cena credita a popularização do tema à “Lendas da Cidade Natal”, de 2009. “É uma série lendária à qual todos nós assistíamos enquanto crescíamos. Tudo o que vimos acabou se expandindo e evoluindo para muitos dos diferentes projetos que abordam o xamanismo hoje em dia”, explica.

Ele conta: “Pensar que aquele garotinho que assistia ao programa na TV, morrendo de susto das histórias de fantasmas, agora cresceu e é protagonista de uma série porquê ‘A Leste do Palácio’ é muito jocoso”.

O personagem de Gu-cheon funciona porquê um professor para o público leigo, ao abordar os diferentes tipos de entidades e rituais. Ele explica, por exemplo, que um ak-gwi nasce quando alguém que carrega um carma pesado morre. Há outros “gwi”, porquê o won-gwi, espírito incapaz de seguir adiante porque o ressentimento se fincou nela e que só é libertada quando a origem do problema é confrontada.

Um bicho que parece um ursinho de pelúcia meio macabro e meio fofo, com olhos grandes e corpo rechonchudo, segue o caçador e atua porquê conforto cômico. É um gwi-mae do tipo ggeomeoksali, espírito formado por robustez negativa (yin) que se alimenta do yang das pessoas.

As almas penadas e outras entidades acabam usadas porquê peças no jogo de poder da família real, que luta pela sucessão do trono. Elas se proliferam pelo palácio, onusto de yin devido às intrigas e assassinatos que ocorreram ali no pretérito. No comando está um rei que mata quem precisa, incluindo os próprios parentes, para manter seus segredos escondidos.

Os atores veem com surpresa a febre dos k-dramas pelo mundo nos últimos anos. Para Nam, esse sucesso se deve ao interesse de tanta gente por tudo o que é coreano. “Isso nos traz um grande siso de responsabilidade”, ele pondera. “Acredito que essa responsabilidade despertou em nós uma paixão ainda maior, uma vontade genuína de apresentar os melhores projetos ao restante do mundo.”

Segundo Roh, o k-pop desempenhou um papel fundamental em perfurar caminho para muitos se interessarem pela k-cultura. “Saber de todo esse carinho no mundo inteiro por tudo o que nós, coreanos, criamos me deixa muito orgulhosa”, ela conta.

A atriz de 26 anos estreou em 2022 e, apesar de recente, tem construído uma curso elogiada, destacando-se em séries e filmes porquê “Intensivão de Paixão” (2023) e “Pequena do Século 20” (2022).

A novidade da Netflix era aguardada por marcar o retorno de Nam Joo-hyuk em seguida o serviço militar obrigatório. Seu último trabalho foi em “Vigilante”, de 2023. Ele ganhou notabilidade por títulos porquê “Vinte e Cinco, Vinte e Um” e “Fada do Levantamento de Peso, Kim Bok-joo”.

“Quando você está no Tropa, isso te dá muito espaço mental para refletir sobre muitas coisas”, ele conta, e diz ter se questionado porquê gostaria de viver a temporada dos 30 anos —hoje, está com 32.

O ator cita a maneira porquê a série “aguça a imaginação” e as “ótimas cenas de ação” o atraíram ao papel. “Não foi uma questão de pensar: ‘Quero fazer isso?’ Foi mais porquê: ‘Não há nenhum motivo para eu recusar um projeto porquê nascente’.”

“A Leste do Palácio” virou um dos hits do ano, conquistando tanto o público internacional quanto o coreano. O final deixa espaço para uma segunda temporada —um pouco incomum nos k-dramas. O streaming, porém, ainda não se pronunciou sobre uma prolongação.


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Folha

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