O dançarino de rua chinês Wu Yufei passou a maior parte de seus 13 anos de carreira se apresentando sozinho, mas, neste ano, encontrou novos parceiros —um grupo de robôs com movimentos elegantes.
O artista de 27 anos, natural de Sichuan, chegou à final do programa “America’s Got Talent” (AGT), exibido nos EUA, ao lado de seus colegas robôs, alcançando um palco ao qual esperava chegar havia anos.
Fã de longa data de ficção científica, Wu afirmou que dançar com os robôs do grupo Homies lhe proporcionava uma “sensação muito mágica”.
Wu Yufei treina com os robôs humanoides para a final do programa “America’s Got Talent”
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Frederic J. Brown – 19.set.26/AFP
Depois de meses treinando com eles, seus dançarinos robóticos agora parecem ser mais do que simples “máquinas frias e sem vida”, afirmou.
“É quase porquê se houvesse uma espécie de espírito de equipe”, declarou Wu à sucursal de notícias AFP, enquanto ele e o grupo de dança formado por humanoides —fabricados pela empresa chinesa de robótica Unitree— se preparavam para a final do concurso exibido na televisão nesta semana.
A dança de robôs virou uma verdadeira febre na China depois que máquinas da Unitree protagonizaram uma apresentação de grande repercussão na gala anual do Festival da Primavera chinês, o espetáculo televisivo mais testemunhado do país.
Desde portanto, empresas e organizadores de eventos de todo o país vêm correndo para contratar robôs a termo de entreter e atrair visitantes.
Treinar robôs para dançar envolve tomar movimentos humanos complexos, executar simulações de computador e depois transferir os resultados para as máquinas, segundo profissionais do setor.
Para Fang Zhenghua, diretor artístico responsável pelas apresentações de Wu e da Unitree no “America’s Got Talent”, treinar um robô para dançar é porquê “produzir uma psique”.
“O impacto da IA nas apresentações de dança, ou o impacto dos robôs na dança — no início, eu era bastante contrário a tudo isso”, comentou Zhenghua.
Mas, com o tempo, trabalhar com engenheiros qualificados —que ele descreve porquê as “mães” dos robôs— mudou sua perspectiva.
COREOGRAFIA PROGRAMADA
Treinar robôs exige a participação de dançarinos humanos e depende muito dos engenheiros para solucionar problemas, sobretudo em tempo real durante as apresentações.
“É preciso fazer muitos ajustes minuciosos”, admitiu Liu Zhiquan, responsável pela comercialização da BridgeDP, empresa de tomada de movimentos para robótica.
Uma coreografia de 30 segundos pode levar dias, às vezes semanas, para ser aperfeiçoada, relatou Zhiquan, e os artistas precisam estar dispostos a fazer concessões.
“Se os dançarinos não tiverem privança com tecnologia, será preciso repetir muitas tomadas”, afirmou.
Wegers Wei, do estúdio de dança Limit Crew, com sede em Xangai, disse que, ao produzir coreografias para robôs, evita movimentos que sabe que serão difíceis para eles.
“Se percebermos que algumas sequências não ficam boas nos robôs ou dão a sentimento de que eles estão cometendo erros, nós as alteramos”, comentou Wei, cujos robôs conquistaram o primeiro e o segundo lugares na categoria de dança de rua nos Jogos Mundiais de Robôs Humanoides deste ano.
Segundo Wei, os robôs são bons em movimentos de rotação, conhecidos entre dançarinos de rua porquê power moves, porque é “exclusivamente uma questão de ajustar a potência dos motores e o torque dos braços”.
No entanto, coreografias que exigem flexibilidade corporal são extremamente difíceis para os robôs, afirmou.

Wu Yufei treina coreografia com robôs humanoides
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Frederic J. Brown – 19.set.26/AFP
Outro ponto fraco é a musicalidade. Na maioria das vezes, a dança de robôs consiste na reprodução de movimentos programados.
Ao contrário dos humanos, as máquinas não conseguem improvisar nem “fazer ajustes na hora” se a música mudar de repente, indicou Wu Yufei.
PARA ALÉM DO ENTRETENIMENTO
Embora o público em universal na China veja a dança de robôs principalmente porquê entretenimento, profissionais do setor a consideram uma oportunidade de exibir o design, as capacidades e a confiabilidade das máquinas.
“É por isso que todos estão tão interessados em apresentar esses tipos de dança de subida complicação”, disse Guo Renjie, fundador e CEO da empresa de engenharia robótica Zeroth.
Um relatório recente do Morgan Stanley projetou que o mercado chinês de robótica humanoide poderá atingir US$ 2 bilhões (R$ 10,24 bilhões) em valor neste ano.
Responsável por mais de 97% das remessas globais de robôs humanoides no primeiro semestre de 2026, a indústria chinesa também enfrenta um questionamento cada vez maior de investidores e formuladores de políticas públicas.
Muitas empresas têm dificuldade para encontrar usos comercialmente viáveis para seus humanoides para além do entretenimento.
Executivos de empresas de robótica humanoide reconheceram publicamente que o setor ainda está a anos de compreender seu próprio “momento ChatGPT” —o ponto em que os robôs se tornarão úteis para as pessoas comuns.
“Acho que todos deveriam dar tempo para que oriente setor alcance todo o seu potencial”, avaliou Guo, da Zeroth.
A Unitree fez uma estreia explosiva no mercado de ações de Xangai em agosto, disparando 629% ao longo do primeiro dia de negociações. Desde portanto, seu valor de mercado caiu muro de metade em relação ao pico.
De volta ao estúdio de gravação do “America’s Got Talent”, Wu destacou outra vantagem dos robôs: a rapidez com que seu grupo robótico conseguia aprender as coreografias.
“O conhecimento deles pode ser replicado com extrema rapidez”, afirmou. “Não exclusivamente um único robô aprende rapidamente, porquê todos eles podem aprender as mesmas coisas ao mesmo tempo, o que é bastante terrífico”, complementou.





