Ao lado do Brasil, Senegal persegue protagonismo no Sul Global

Ao lado do Brasil, Senegal persegue protagonismo no Sul Global

Brasil

Com uma população de quase 4 milhões de pessoas na região metropolitana, a capital do Senegal, Dacar, é o ponto do continente africano mais próximo das Américas – unicamente 2,9 milénio quilômetros separam Dacar e o Brasil. A cidade é sede do 10º Fórum Internacional de Dacar sobre Sossego e Segurança na África, evento de dois dias que terminou nesta terça-feira (21).

O encontro reúne chefes de Estado e representantes de 38 países – sendo 18 dos 54 africanos – além de integrantes de dez organismos internacionais, porquê Organização das Nações Unidas (ONU) e União Europeia (EU). O Brasil está representado pela embaixadora no Senegal, Daniella Xavier.


 Dacar - 21/04/2026 - Fórum Internacional de Dacar. Foto- Divulgação
 Dacar - 21/04/2026 - Fórum Internacional de Dacar. Foto- Divulgação

Na cerimônia de orifício, o presidente senegalês, Bassirou Diomaye Faye, classificou Dacar porquê uma capital do diálogo estratégico africano e internacional.

“Um espaço de reflexão e troca sobre caminhos para desenvolver soluções endógenas [internas] para os desafios de segurança do continente”, discursou.

Além de diagnosticar desafios, debater temas e propor soluções para o continente, o evento é uma forma de substanciar o protagonismo do Senegal na região. O país se destaca por ser considerado um dos mais estáveis da África.

Mais que a liderança regional, o país de quase 19 milhões de habitantes procura estender a influência internacional em parceria com outras regiões do mundo, notadamente o chamado Sul Global, do qual o Brasil também procura ser expoente, conforme avaliam profundos conhecedores das relações internacionais entrevistados pela Filial Brasil.

Histórico de tranquilidade e segurança

O diplomata Leonardo Santos Simão, gerente do Escritório da ONU para a África Ocidental e Sahel, destaca que o Senegal tem uma história de desenvolvimento da tranquilidade e segurança, sem nunca ter sofrido um golpe de Estado.

O moçambicano lembra que a África enfrenta momentos “conturbados” por razão de conflitos internos, regionais, terrorismo e violação organizado.

A região do Sahel, tira continental de costa a costa que marca a transição entre o deserto do Saara e as savanas ao Sul, é apontada porquê epicentro do terrorismo internacional, sofrendo ameaças de grupos jihadistas (extremistas islâmicos), porquê Al-Qaeda e Estado Islâmico.


 Dacar - 21/04/2026 - Fórum Internacional de Dacar.  Leonardo Santos Simão - Representante Especial do Secretário-Geral junto do Escritório das Nações Unidas para a África Ocidental e do Sahel - CRÉDITO Bruno de Freitas Moura/Agência Brasil
 Dacar - 21/04/2026 - Fórum Internacional de Dacar.  Leonardo Santos Simão - Representante Especial do Secretário-Geral junto do Escritório das Nações Unidas para a África Ocidental e do Sahel - CRÉDITO Bruno de Freitas Moura/Agência Brasil

Dacar – 21/04/2026 – Superintendente do Escritório da ONU para a África Ocidental e Sahel, Leonardo Santos Simão. Foto: Bruno de Freitas Moura/Filial Brasil

A edição 2026 do Índice de Terrorismo Global aponta que a região responde por mais da metade de todas as mortes por terrorismo no mundo em 2025, concentradas em três países: Mali, Burkina Faso e Niger.

As demais nações da região são Senegal, Gâmbia, Mauritânia, Guiné, Chade, Camarões e Nigéria.

>> Entenda porquê a África quer superar o terrorismo

“Senegal, através deste diálogo regular, oferece justamente esse espaço de troca de ideias, de troca de opiniões sobre porquê enfrentar, na prática, esses desafios do nosso tempo”, disse o diplomata, destacando que o fórum recebe representantes de países de fora da África.

Sul Global

O representante da ONU enfatizou que o Senegal faz segmento de uma aglutinação internacional defendida pelo Brasil, o Sul Global – grupo de nações em desenvolvimento que compartilham problemas sociais.

Simão assinala que o Sul Global serve porquê instância para uma espécie de diálogo interno do Sul, de modo a identificar quais são os desafios comuns; e também na interlocução entre o Sul Global e o Setentrião Global (países ricos).

“Nascente Sul está cada vez mais uno”, disse. “Senegal é segmento desse esforço também. Está no mesmo diapasão que o Brasil e outros países do Sul no trazer desta voz do Sul Global para que sejam encontradas soluções para os problemas da pobreza e da exclusão”, sustentou.

Leonardo Simão aponta ainda que a soberania dos países africanos “é um imperativo cada vez maior”.

Para ele, os países do Setentrião têm que entender que “as relações do pretérito já não são aceitas, precisam ser revistas”.

Entre as delegações estrangeiras no Fórum Internacional de Dacar estão integrantes de governos europeus que possuem pretérito de política colonial, porquê Alemanha, Espanha, Portugal e a França – que colonizou Senegal até 1960. 

Soft power

O professor moçambicano Carlos Lucas Mamboza, perito em Estudos Estratégicos, Segurança e Resguardo, considera que a realização do fórum é um “instrumento simples” de soft power.

No jargão do mundo diplomático, soft power é a habilidade de influenciar relações internacionais por meio de atração e persuasão, em vez de coerção e uso de força militar.

“Procura projetar a imagem de um Estado seguro, com capacidade institucional, capacidade de mediação dos conflitos na zona do Sahel, mas também na África porquê um todo”, explica diretamente de Maputo, capital de Moçambique.

O tema do fórum deste ano é “África enfrenta os desafios da segurança, integração e soberania: Quais soluções sustentáveis?”.

Para Mamboza, também professor de África na Relações Internacionais na Universidade Federalista Fluminense (UFF), a escolha do objecto evidencia um grande dilema que os Estados africanos têm sofrido.

“É a urgência de lastrar uma segurança interna, os processos de integração regional e a preservação da soberania em um cenário internacional marcado por uma intensa competição entre as grandes potências, nomeadamente China, a Rússia e os Estados Unidos”.

O professor ressalta que o encontro apresenta agenda mais ampla, trazendo questões relacionadas a mudanças climáticas, pandemias, criminalidade transnacional, cibersegurança e assuntos tecnológicos.

“Indica um esforço do continente em se posicionar de forma autônoma na definição de suas próprias prioridades estratégicas”, completa.

América do Sul

Carlos Lucas Mamboza destaca que Senegal também apresenta uma temporada diplomática ligada à América do Sul e ao Brasil. O país é um dos integrantes da Zona de Sossego e Cooperação do Atlântico Sul (Zopacas), federação com mais de 20 países, a maioria africanos, voltada para a manutenção da segmento Sul do Oceano Atlântico livre de guerras e de disputas geopolíticas.

Há menos de duas semanas, o Brasil assumiu a liderança do grupo, em um evento no Rio de Janeiro. 

“Senegal emerge porquê um gavinha importante entre a África Ocidental e o espaço estratégico do Atlântico Sul, conectando-se diretamente com os interesses do Brasil”.

Nas palavras do professor, é uma cooperação Sul-Sul. Ao comentar interesses conjuntos dos dois países, Mamboza citou a resguardo de reformas na governança global. Um exemplo é no Recomendação de Segurança (CS) da ONU, pleito idoso do Brasil e de africanos.

Atualmente, unicamente cinco países têm presença permanente no juízo e poder de veto (Rússia, Estados Unidos, China, Reiuno Uno e França), nenhum deles da América do Sul ou da África.

Entre as funções do CS estão a imposição de sanções internacionais e permitir mediação militar.

Estados Unidos

O protagonismo buscado por Senegal foi reconhecido pela delegação dos Estados Unidos que seguiu para Dacar, conforme o subsecretário ajuntado do Departamento de Estado (equivalente ao Ministério das Relações Exteriores), Richard Michaels.

“A liderança do Senegal em questões de segurança regional demonstra o impacto transformador que os países africanos podem compreender quando traçam seu próprio caminho rumo ao sucesso”, afirmou.

“Saudamos uma novidade temporada de liderança africana, com atores nacionais e regionais avante do enfrentamento dos desafios do continente — sejam eles econômicos, de segurança ou políticos”, completa o diplomata dos Estados Unidos.

Richard Michaels afirmou ainda que os Estados Unidos estão “redefinindo de forma principal” a relação com parceiros africanos, “agora baseada em transacção mutuamente lucrativo, em vez de ajuda e obediência”.

Minerais críticos

O representante do governo americano deixou simples que o país tem interesse em participar da masmorra de exploração dos chamados minerais críticos, recursos essenciais para tecnologias modernas, resguardo e transição energética.

“África é o epicentro da corrida global por minerais críticos”, definiu.

“Estamos trabalhando com parceiros africanos para edificar cadeias de suprimentos seguras, transparentes e comercialmente viáveis, que garantam que os países africanos capturem mais valor de seus próprios recursos”, concluiu.

* O repórter viajou a invitação do Ministério da Integração Africana, Negócios Estrangeiros e Senegaleses no Estrangeiro.

Fonte EBC

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