José Mourinho fará nesta terça-feira (8) sua estreia na Champions League uma vez que técnico do Real Madrid em sua segunda passagem pelo clube. De volta ao Santiago Bernabéu para comandar a equipe em um novo ciclo, o português foi escolhido pelo presidente Florentino Perez para liderar a reformulação do estrelado elenco, que já recebeu um investimento de 260 milhões de euros (R$ 1,5 bilhão) em reforços em seguida uma temporada sem títulos.
Depois de já ter iniciado o trabalho no Campeonato Espanhol —no qual vem de uma frustrante itinerário para o Bétis, por 1 a 0—, o Real de Mourinho terá pela frente a Inter de Milão, às 16h (de Brasília), no Santiago Bernabéu, no primeiro grande teste do projeto que colocou o português avante do time que acumulou frustrações em 2025/26.
Na mais recente delas, em maio, ainda sob o comando de Álvaro Arbeloa, o time madrilenho viu seu maior rival ocupar o título espanhol pela primeira vez em um clássico.
Válido pela 35ª rodada, o confronto entre Real Madrid e Barcelona era a última chance para a equipe da capital manter viva a remota esperança de ocupar o torneio.
Mesmo que tivesse vencido, o Real provavelmente só teria prolongado o que seria inevitável. Mas o Barça nem isso permitiu. Com um 2 a 0 e uma atuação dominante, provocando gritos de “olé” no final da partida, a equipe catalã confirmou a conquista.
Fechar a temporada dessa forma foi a pingo d’chuva para o presidente Florentino Perez promover significativas mudanças no Santiago Bernabéu. A encetar pela saída de Arbeloa.
A destituição era inevitável. Com exceção de 2004/05, quando Vanderlei Luxemburgo havia chegado na reta final da temporada e foi mantido mesmo sem títulos, nas outras quatro temporadas mais recentes (2003/04, 2005/06, 2009/10 e 2020/21) sem troféus, o Real Madrid também demitiu seu treinador ao final da disputa.
Para o lugar do espanhol, o português José Mourinho foi o escolhido para encabeçar a reformulação que Florentino Perez definiu uma vez que necessária. Anunciado oficialmente em 11 de junho, o treinador deixou o Benfica para liderar o projeto que promoveu a saída de alguns jogadores e, sobretudo, o investimento de 260 milhões de euros (R$ 1,5 bilhão) em reforços.
O ex-zagueiro do Liverpool, Ibrahima Konaté, e o ex-meio-campista do Manchester City, Bernardo Silva, chegaram sem custos de transferência, enquanto um pacote estimado em até € 60 milhões (R$ 357,6 milhões) foi acordado para trazer Marc Cucurella do Chelsea. O lateral-direito Denzel Dumfries veio da Inter por € 20 milhões (R$ 119,2 milhões), o atacante Carlos Espi chegou do Levante por € 25 milhões (R$ 149 milhões) e o ponta Yan Diomande foi contratado em um negócio que pode chegar a um recorde para o clube de € 140 milhões (R$ 834,4 milhões), vindo do RB Leipzig.
O Real ainda pagou 15 milhões de euros (R$ 89 milhões) ao Benfica para tirar Mourinho do seu contrato com o clube português.
A manutenção do brasílico Vinicius Junior, com seu contrato renovado até 2032, também foi vista pelos torcedores uma vez que um reforço para os próximos anos. O brasílico de 26 anos foi intuito de alguns clubes na janela, principalmente o Arsenal, mas decidiu permanecer na Espanha.
De tratado com o site The Athletic, braço esportivo do The New York Times, Mourinho teve papel decisivo não só nas contratações uma vez que na permanência do brasílico. Ainda segundo a publicação, o Real Madrid não vinha envolvendo seus técnicos nos processos de contratações nos últimos tempos. Os ex-técnicos Carlo Ancelotti, Xabi Alonso e Arbeloa não foram consultados uma vez que Mourinho.
Essa é provavelmente uma das principais razões pelas quais existe um consenso, desde a diretoria do Real Madrid até Mourinho, de que esta janela de transferências foi um sucesso, e que o elenco agora está pronto para competir por todos os títulos, sendo a Champions League o principal objetivo.
Embora não tenha conquistado o troféu durante sua primeira passagem pelo Real, de 2010 a 2013, Mourinho negou que se sinta em dívida com a torcida por justificação disso.
“São duas fases diferentes”, disse ele quando questionado se tinha alguma dívida com o clube. “Quando saí em 2013, ganhamos o que ganhamos e perdemos o que perdemos, e demos tudo de nós. E isso foi tudo. O que preciso fazer agora não tem zero a ver com o pretérito”, acrescentou.
Os 15 vezes campeões europeus buscarão ocupar a Champions pela primeira vez desde 2024, mas estão sob pressão para apresentar um bom desempenho nesta temporada, em seguida duas temporadas sem um título importante.
Para Mourinho, as conquistas recentes do clube são mais importantes do que o jejum. “Em 2010, nem sequer chegávamos às quartas de final da Liga dos Campeões e fazia muito tempo que não jogávamos uma semifinal. Agora, conquistamos seis vezes em pouco mais de uma dez”, afirmou.





