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Apostas em bets avançam entre jovens e ampliam risco de
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Apostas em bets avançam entre jovens e ampliam risco de dependência

Cada vez mais jovens têm buscado ajuda para largar a subordinação de bets, avalia Luiz Carlos*, integrante de um grupo de suporte para pessoas com problemas de jogo, a irmandade Jogadores Anônimos. Segundo ele, já é generalidade encontrar adolescentes na tira de 14 anos procurando ajuda para sofrear o vício.

“Hoje quem chega à irmandade é muito jovem. Já chegou até de 14 anos escoltado pelo psiquiatra. Mas chegam jovens de 15, 16, 19, 20 anos, até 30, 35 anos”, conta ele.

O jovem Gustavo Pereira é um dos que enfrentaram graves problemas financeiros e de saúde mental por conta da compulsão por bets. Atualmente com 24 anos de idade, ele começou a fazer apostas online aos 18 anos. Em um período de seis anos, chegou a perder meio milhão de reais por culpa do vício.

“Ganhava muito muito na idade, já fiz R$ 10 milénio virarem R$ 300 milénio, já fiz bancas inimagináveis, fiz R$ 10 milénio virarem R$ 200 milénio, R$ 240 milénio, e perdi tudo. Portanto o verba começou a perder valor para mim, eu comecei a perder a dimensão do verba, na minha conta não tinha todo aquele valor, mas lá na bet tinha, e o vício faz isso, te enche de ganância”, diz o jovem.
 


Santa Catarina - 17/09/2026 - O jovem Gustavo Pereira começou a vender café nas ruas de Lages, em Santa Catarina, para recomeçar a vida após deixar de apostar em bets - Foto: Gustavo Pereira/Arquivo Pessoal
Santa Catarina - 17/09/2026 - O jovem Gustavo Pereira começou a vender café nas ruas de Lages, em Santa Catarina, para recomeçar a vida após deixar de apostar em bets - Foto: Gustavo Pereira/Arquivo Pessoal

Gustavo Pereira começou a vender moca nas ruas de Lages, em Santa Catarina, para reencetar a vida posteriormente deixar de apostar em bets – Foto: Gustavo Pereira/Registro Pessoal

Gustavo conta que está há tapume de dois meses sem apostar e tenta reencetar a vida vendendo moca nas ruas de Lages (SC). Ele mantém um perfil no Instagram onde posta conteúdos sobre seu trabalho e sobre porquê faz para superar o vício e evitar recaídas.

“Eu dormia pensando em apostar e acordava pensando em apostar. Nestes seis anos, eu enfrentei muitas coisas, mudei com a depressão, uma síndrome do pânico, e graças a Deus eu me libertei disso. Hoje vendo moca na rua e, se estou cá, foi graças a Deus, à minha fé, me apeguei nas pessoas que senhoril, consegui superar isso, e hoje meu propósito de vida é ajudar pessoas”, relata Gustavo.

Especialistas afirmam que a facilidade de chegada às plataformas de jogos pelo celular amplia a exposição de jovens às bets. Dados do Fundo das Nações Unidas para a puerícia (Unicef) mostram que uma em cada cinco pessoas no mundo começa a apostar em jogos online até os 11 anos de idade. O número chega a 78% a partir de 12 anos. Os dados, de 2021, continuam atuais.

É o que indica uma pesquisa deste ano feita no Brasil e divulgada pela Frente Parlamentar Mista de Ensino. Entre 1.912 estudantes dos ensinos médio e fundamental, 9,5% fizeram a primeira aposta aos 11 anos. Quase metade dos entrevistados no 3º ano do ensino médio fizeram apostas.

Pesquisa do Instituto Brasílico de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT) mostrou que canais voltados ao público infantil exploram a falta de maturidade financeira de crianças e adolescentes para promover apostas ilegais.


Brasília (DF), 14/09/2026 - Bets. Mariana Kehl. Foto: Mariana Kehl/Arquivo Pessoal
Brasília (DF), 14/09/2026 - Bets. Mariana Kehl. Foto: Mariana Kehl/Arquivo Pessoal

Psicóloga Mariana Kehl, membro da Sociedade Brasileira de Psicologia – Foto: Mariana Kehl/Registro Pessoal

A psicóloga Mariana Kehl, membro da Sociedade Brasileira de Psicologia, explica que o jovem é mais vulnerável a apelos desse tipo porque o cérebro dele ainda está em construção. Enquanto o núcleo ligado à sensação de prazer e à dopamina funciona em ritmo apressurado, as regiões que controlam os impulsos e avaliam riscos só terminam de amadurecer aos 20 e poucos anos.

“O jovem sente intensamente o prazer de lucrar uma aposta, mas ele, em contrapartida, ainda não dispõe do esplendor para frear o impulso da aposta seguinte”, diz.

Cassino no bolso

Luiz Carlos tem 71 anos e lembra que, quando começou a jogar, na dez de 1980, não existia celular. Na idade, o vício eram as máquinas de videopôquer. “Saía do jogo 4h, 5h da manhã, socando o quadro do meu coche, me machucando, chorando, prometendo que nunca mais voltaria, e no outro dia eu estava lá, jogando novamente.”

”Graças a Deus eu não jogo hoje, porque, se eu jogasse, estava perdido. Na minha idade, a gente tinha que trespassar de vivenda para jogar. Hoje não precisa mais, você carrega um cassino dentro do seu bolso”, afirma.

A subordinação de Luiz Carlos é a mesma de quem aposta online, porquê Rogério* (53 anos), Rodrigo* (47) e Carla Xavier* (41), também frequentadores do Jogadores Anônimos.

Luiz Carlos está há 15 sem jogar. Carla e Rogério estão há mais de um ano longe do vício, enquanto Rodrigo está há seis meses sem apostar. A dieta foi conquistada graças à irmandade Jogadores Anônimos.

Segundo Carla, o grupo tem recebido principalmente pessoas que já perderam tudo por culpa de apostas. “[Elas] já não tem mais onde pedir ajuda. Portanto já estão desacreditadas da vida, já estão pensando em suicídio, estão devendo para um monte de gente. Essas são as pessoas que procuram o grupo. E, com as apostas online, isso cresceu demais, porque está tudo na palma da mão hoje.”

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Compulsão e endividamento

Relatório do IBICT concluiu que pelo menos 24 milhões de brasileiros apostaram em bets em 2024, sendo que quase metade ficou endividada.

São muitos os relatos de quem passou pelo problema, porquê Rogério, que frequenta a irmandade Jogadores Anônimos. Ele diz que no prelúdios as apostas pareciam inofensivas. Percepção que mudou quando elas começaram a controlar a vida dele de forma negativa.

“Começaram a comprometer o meu orçamento, dificultar o pagamento das minhas contas, comecei a comprometer a minha renda.”

Segundo o diretor do IBICT, Tiago Braga, as apostas online não são um investimento, mas um gasto. O descontrole aumenta o risco.

“Quanto mais você aposta ou quanto mais você gasta recursos com a aposta, menos você terá recursos para o seu horizonte. E isso a gente está falando de questões do cotidiano porquê aluguel, comida, vestuário, instrução.”

Ele aponta ainda o risco de “de ideação suicida associada ao endividamento por jogo.”

Endividamento e ensino superior

Pesquisa da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES) aponta que 34% dos entrevistados afirmaram que precisariam parar de gastar com apostas para conseguir iniciar uma graduação em 2026.

Entre aqueles que já estão no ensino superior, 14% relataram ter procrastinado as mensalidades ou trancado o curso por culpa dos gastos com bets.


Brasília (DF), 14/09/2026 - Bets. Paulo Chanan. Foto: Paulo Chanan/Arquivo Pessoal
Brasília (DF), 14/09/2026 - Bets. Paulo Chanan. Foto: Paulo Chanan/Arquivo Pessoal

Diretor-geral da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), Paulo Chanan – Foto: Paulo Chanan/Registro Pessoal

Para o diretor-geral da ABMES, Paulo Chanan, os dados são um alerta importante, mas não se pode generalizar o comportamento dos jovens. O que é verosímil declarar, segundo ele, é que, para uma parcela relevante deles, o verba talhado às apostas interfere diretamente em decisões relacionadas à instrução, o que cria uma barreira suplementar ao chegada e à permanência no ensino superior.

A pesquisa mostra ainda que 34% afirmaram ter deixado de investir em cursos, idiomas ou outras formas de tirocínio por culpa dos gastos com apostas. Outro oferecido: 33% deixaram de investir em ateneu ou atividades físicas.

Segundo Paulo Chanan, as instituições de ensino podem contribuir com informação, prevenção, orientação, guarida e encaminhamento adequado quando necessário, já que o tema passou a fazer segmento de uma verdade social que também chega ao envolvente acadêmico.

O diretor-geral frisa que as instituições não podem ser responsabilizadas sozinhas pelo enfrentamento do problema. Para ele, deve ter uma atuação conjunta que envolva instrução, saúde, comportamento, regulação e políticas públicas.

O estudo da ABMES não avaliou indicadores de desempenho acadêmico nem de saúde mental.

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ECA Do dedo

Para aumentar o rigor em relação às plataformas, o governo federalista sancionou, em setembro de 2025, o Regimento Do dedo da Muchacho e do Juvenil (ECA Do dedo). Divulgado porquê Lei Felca, o ECA Do dedo entrou em vigor em março de 2026 e atualizou a proteção de crianças e adolescentes no envolvente virtual com novas regras para aplicativos, jogos e redes sociais.

Para o jurista perito em recta do dedo Felipe Moreira, a maior novidade é a responsabilidade compartilhada entre as plataformas, as famílias e o próprio Estado.


Brasília (DF), 14/09/2026 - Bets. Felipe Moreira. Foto: Felipe Moreira/Arquivo Pessoal
Brasília (DF), 14/09/2026 - Bets. Felipe Moreira. Foto: Felipe Moreira/Arquivo Pessoal

Jurista perito em recta do dedo Felipe Moreira – Foto: Felipe Moreira/Registro Pessoal

Moreira ressalta ainda a geração de mecanismos de aferição de idade confiáveis, “não mais sendo verosímil aquela utilização de sou maior de 18 anos com um simples clique, a geração de verificação de padrões de segurança maiores também nesses jogos e, em privativo, a geração de mecanismos de fiscalização por segmento dos pais das atividades que vêm sendo desenvolvidas por seus filhos.”

Antes, para entrar em sites restritos, bastava digitar uma data de promanação, que podia ser falsa, para atestar a idade. Agora, quem tem menos de 18 anos não pode apostar online, e menores de 16 anos só podem usar redes sociais vinculados a responsáveis.

O ECA Do dedo proíbe também o chegada às loot boxes, caixas com itens aleatórios pagos, que se assemelham a jogos de contratempo.

A advogada Luana Mendes diz que o controle parental não significa somente um não, mas instrução do dedo. Ela destaca a valimento de ensinar a moço a identificar situações perigosas, a não fornecer informações pessoais, não conversar com desconhecidos e denunciar comportamentos abusivos.

Luana ressalta que estabelecer uma relação de crédito com a moço é fundamental para que ela possa “se sentir segura a ponto de procurar um adulto quando alguma situação dentro do jogo, dentro do envolvente do dedo, gerar susto e desconforto.”

O regime também amplia a responsabilidade das instituições de ensino, que devem substanciar a cidadania do dedo e podem ser responsabilizadas em caso de preterição diante de cyberbullying. Influenciadores mirins não podem fazer publicidade velada.

A psicóloga Mariana Kehl avalia que a publicidade feita por influencers é um risco, sobretudo para crianças e jovens.

“Quando o pregão vem na voz de um influenciador que esse jovem acompanha diariamente, ele não é processado porquê publicidade. Ele é processado porquê uma recomendação de alguém de crédito, o que rebaixa as defesas críticas que qualquer consumidor adulto poderia mobilizar diante de um mercantil tradicional.”


Brasília (DF), 14/09/2026 - Bets. Tiago Braga. Foto: Tiago Braga/Arquivo Pessoal
Brasília (DF), 14/09/2026 - Bets. Tiago Braga. Foto: Tiago Braga/Arquivo Pessoal

Diretor do Instituto Brasílico de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT), Tiago Braga – Foto: Tiago Braga/Registro Pessoal

Tiago Braga, do IBICT, destaca estudo realizado pelo instituto que mostra porquê influenciadores estavam utilizando o Facebook, o X (macróbio Twitter), o TikTok e principalmente o YouTube para estimular jovens e crianças a apostar online.

Para o jurista Felipe Moreira, a legislação é suficiente, mas a regulamentação da lei precisa ser cumprida e observada tanto pelo Poder Público, no contexto fiscalizatório, quanto pelas empresas que atuam no setor. 

*Sobrenome postergado a pedido dos entrevistados.

Colaborou Luciene Cruz



Fonte EBC

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