‘As Crônicas de Gelo e Fogo’ faz 30 anos ainda incompleta – 06/08/2026 – Ilustrada
Três décadas depois de estrear “As Crônicas de Gelo e Queimada”, George R.R. Martin ainda não conseguiu terminar o trabalho mais marcante de sua vida.
Lançado em agosto de 1996 nos Estados Unidos, “A Guerra dos Tronos”, primeiro volume da saga, completa 30 anos agora enquanto os leitores ainda aguardam “The Winds of Winter” (os ventos do inverno, em tradução livre), o sexto dos sete livros planejados pelo responsável. Hoje com 77 anos, ele está há mais de uma dez adiando seu prazo de entrega.
Quando começou a grafar a saga “As Crônicas de Gelo e Queimada”, em 1991, imaginava que ela renderia exclusivamente um história. Em 2006, com quatro dos livros já publicados, confirmou que a história seria finalizada em mais três volumes, “A Dança dos Dragões”, publicado em 2011, “The Winds of Winter” e “A Dream of Spring”, os dois que nunca chegaram às livrarias.
Ao combinar dificuldade histórica, anfibologia moral e a ordenado possibilidade de morte de qualquer personagem, Martin ajudou a redefinir o subgênero da fantasia épica —também chamada subida fantasia, se refere a histórias que se passam em mundos totalmente descolados do real.
Ambientada em Westeros, um continente hipotético com dinastias e religiões próprias, a série reúne mais de 2.000 personagens com nomes, dos quais 24 já narraram capítulos em primeira pessoa. A graduação da narrativa costuma ser apontada pelo redactor uma vez que um dos motivos da lentidão do processo de escrita.
O primeiro livro teve um início humilde: Martin chegou a participar de um evento sem nenhum testemunha durante a turnê de divulgação. O reconhecimento só veio anos depois. “O Festim dos Corvos”, de 2005, foi seu primeiro romance a estrear no topo da lista de mais vendidos do jornal The New York Times. Em 2018, os cinco volumes publicados já haviam vendido mais de 85 milhões de exemplares no mundo.
O ponto de viradela para a saga foi a adaptação para a TV. “Game of Thrones” foi uma das séries mais assistidas da história da HBO. O incidente final, exibido em 19 de maio de 2019, registrou 13,6 milhões de espectadores simultâneos.
Em entrevista à revista Vanity Fair em 2014, Martin, que já havia publicado os primeiros cinco volumes da série, afirmou que era “alarmante” o quão próxima a série de TV estava de ultrapassar seu ritmo de escrita. Isso acabou acontecendo na sétima temporada, exibida em 2017. Coube aos produtores produzir um final para a história, que acabou recebido de forma polarizada pelos fãs.
Uma das teorias mais populares entre os leitores é que Martin tenha descartado o que já tinha escrito posteriormente a reação negativa ao final do programa. O responsável evita comentar o final da adaptação e, quando perguntado se o livro terá o mesmo final, ele diz sim e não.
Seu método dificulta o progressão. Martin escreve os capítulos de cada personagem separadamente e revisa continuamente o texto.
Ao longo dos anos, o responsável fez sucessivas previsões que acabaram não se concretizando. Antes mesmo da publicação de “A Dança dos Dragões”, acreditava que terminaria o livro seguinte em três anos. Depois perdeu prazos, disse que a obra sairia em 2017, brincou que os fãs poderiam prendê-lo se ela não estivesse pronta até julho de 2020 e, em 2022, afirmou que havia concluído murado de três quartos do manuscrito, que já ultrapassava 1.200 páginas e ainda exigia centenas de páginas adicionais.
As únicas provas concretas de que o romance —ou segmento dele— existe são capítulos divulgados entre 2012 e 2016 e atualizações ocasionais em seu blog.
Em dezembro de 2024, ficaram fortes os rumores de que o sexto livro da série poderia nunca transpor. Em entrevista ao site The Hollywood Reporter, ele afirmou estar 13 anos retardado. “Toda vez que falo isso, penso: ‘Porquê eu consegui estar 13 anos retardado?’ Não sei. É uma coisa que acontece um dia de cada vez.” No ano seguinte, ele chamou “The Winds of Winter” de “a maldição da minha vida”.
A idade do redactor tornou-se outro elemento recorrente nas discussões. Em agosto de 2025, quando participava da convenção Worldcon, nos Estados Unidos, Martin foi confrontado por uma fã que lhe disse que ele “não vai persistir muito mais tempo” e questionou se ele permitiria que outro responsável terminasse a série depois de sua morte. Martin encerrou o quadro sem responder.
No post mais recente em seu blog, feito em 3 de agosto de 2026, o responsável afirmou estar passando por um momento de depressão e tristeza. O texto tem o título “Better Late Than Never” (antes tarde do que nunca) e não menciona o curso de “As Crônicas de Gelo e Queimada”.
A editora Suma, que detém os direitos de publicação de Martin no Brasil desde 2019, afirma compartilhar a expectativa dos leitores, mas ressalta que não há previsão solene de publicação.
Nos 15 anos desde o último volume de “As Crônicas de Gelo e Queimada”, o universo de Westeros segue em expansão. Martin publicou obras derivadas, uma vez que o “Atlas das Terras de Gelo e Queimada” (2012) e a história ilustrada “A Subida do Dragão” (2022).
A coletânea “O Cavaleiro dos Sete Reinos”, lançada em 2015, ganhou uma adaptação para a TV, enquanto a HBO também exibe a série “A Vivenda do Dragão” —ambas produções em que Martin está creditado uma vez que pai, roteirista e produtor-executivo. Estão em desenvolvimento ainda séries de animação, um filme e videogames.
Em participação no programa The Late Show with Stephen Colbert, em outubro de 2022, Martin disse já saber o que acontecerá quando finalmente publicar “The Winds of Winter”. Basta o livro chegar às livrarias para que, no dia seguinte, comecem as cobranças pelo próximo.





