Autor de ‘La Casa de Papel’ expõe falta de remuneração – 26/05/2026 – Ilustrada
O roteirista espanhol Javier Gómez Santander, patrão dos roteiristas de “La Vivenda de Papel”, da Netflix, ajudou a redigir uma das séries de língua não inglesa mais populares do planeta, vista em dezenas de países, transformada em fenômeno global, estendida por cinco temporadas e desdobrada em derivados.
Ainda assim, a circulação da obra não se traduz em remuneração em todos os mercados onde ela é exibida. Do Brasil, por exemplo, ele nunca recebeu zero. “Sei que a série foi muito vista em toda a América Latina e não recebemos de nenhum país. O que me parece mais preocupante é que os criadores brasileiros não tenham direitos”, disse ele à Folha nesta terça, no Rio2C.
Convidado da Gedar (Gestão de Direitos de Autores Roteiristas) para participar do evento carioca, Javier sobe ao palco GlobalStage, na Cidade das Artes, nesta quarta-feira (27), às 10h, no pintura “O Valor da Geração”. Ele divide o pintura com a diretora francesa Noémie Saglio, o roteirista brasílico Cauê Laratta e André Mielnik, presidente da entidade.
A discussão secção de uma pergunta que parece simples: quanto vale uma obra depois que ela continua circulando por anos em plataformas e emissoras?
Javier diz que “La Vivenda de Papel” gerou pagamentos para ele em países porquê Espanha, França, Itália, Bélgica e Polônia, mas não em mercados porquê Brasil ou outros países latino-americanos. Mas ele evita transformar isso numa reclamação pessoal.
Para ele, o problema não é deixar de receber por uma série específica. O problema é o protótipo brasílico. “Desse jeito, tanto faz se você faz uma série assistida por uma pessoa ou por 1 milhão”, afirma. “Alguém vai lucrar muito moeda com isso e não vai ser você.”
A discussão aparece num momento em que entidades do setor tentam progredir no Projeto de Lei 4.968/2024, que atualiza regras de direitos autorais para o envolvente do dedo e prevê mecanismos de remuneração pela circulação online das obras.
Em universal, o roteirista brasílico recebe um valor na entrega do texto e nunca mais. Segundo dados divulgados pela Gedar, 85% afirmaram nunca ter recebido remuneração ulterior pela exibição de suas obras. Exclusivamente 2% disseram receber sempre direitos de exibição e 27,5% falaram que vivem exclusivamente de redigir roteiro.
Os números vieram de pesquisa feita pela Associação Brasileira de Autores Roteiristas (Abra), baseada em 584 respostas entre murado de milénio associados. Para o presidente da Gedar, André Mielnik, o caso do roteirista espanhol ajuda a explicar uma distorção maior.
“O exemplo do Javier é muito interessante. O Brasil é uma das maiores economias do mundo, um dos maiores mercados de streaming, e uma obra porquê a dele obviamente vai circunvalar intensamente. Portanto por que ele não recebe?”, afirma.
A proposta discutida pela entidade prevê um sistema em que empresas exibidoras, porquê plataformas de streaming, contribuam para um mecanismo de remuneração distribuído entre autores conforme a circulação das obras.
O projeto em discussão foi desenhado especificamente para o envolvente do dedo e não altera regras para cinema, TV oportunidade ou TV por assinatura. Segundo Mielnik, os percentuais não seriam fixos em lei: seriam negociados entre plataformas, emissoras e entidades de gestão coletiva, em acordos próprios para cada empresa.
A lógica, segundo ele, seria semelhante à de sistemas já existentes em outras áreas de direitos autorais, em que obras mais exibidas geram maior remuneração aos autores.
Para Javier, a discussão não envolve somente lucrar mais moeda. Envolve conseguir galgar os períodos entre um trabalho e outro. Ele diz que os direitos autorais funcionam porquê uma espécie de colchão numa atividade em que projetos levam anos, fracassam com frequência e o próximo trabalho nunca está guardado.
“É uma profissão de muita incerteza. Você nunca sabe exatamente quando vai voltar a trabalhar.” Ele próprio chegou ao roteiro vindo do jornalismo político e econômico na televisão espanhola. Posteriormente anos cobrindo eleições, crises financeiras e política europeia, deixou as redações para fabricar histórias de ficção.
Hoje diz ter encontrado um caminho entre as duas atividades. Continua investigando histórias reais, acompanhando fontes e passando semanas em apuração, mas agora usa esse material para edificar ficção baseada em histórias reais. “Com a ficção eu posso fazer o jornalismo que sempre sonhei.”





