Big techs usam outras empresas para deixar US$ 300 bi fora dos balanços – 20/09/2026 – IA
San Francisco (EUA) e Nova York
|Financial Times
As big techs estão ampliando o uso de garantias para respaldar dívidas destinadas a data centers de IA e chips, assumindo até US$ 300 bilhões (R$ 1,54 trilhão) em compromissos em menos de um ano, ao mesmo tempo que registram pouca coisa dessa exposição em seus balanços.
Usadas pela primeira vez pela Meta em um enorme projeto de data centers no ano pretérito, as chamadas garantias de valor residual foram adotadas pela Broadcom —uma vez que segmento de seu concórdia de financiamento de chips para a Anthropic— e pela Nvidia —para oferecer suporte à OpenAI e a outros clientes que compram seus chips.
Esses acordos, nos quais empresas de tecnologia garantem um valor horizonte mínimo para chips ou data centers, somam-se a um conjunto crescente de estruturas criativas de financiamento adotadas pelas gigantes do setor para apressar o boom da infraestrutura de IA. Segundo estudo do Financial Times, as big techs ofereceram até US$ 300 bilhões nessas garantias somente nos últimos 12 meses.
Sede da Nvidia em Santa Clara, nos EUA; empresa está ampliando uso de garantias de valor residual junto de outras big techs
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Benjamin Fanjoy – 26.ago.26/Getty Images via AFP
Banqueiros descrevem as garantias uma vez que “eficientes do ponto de vista do balanço”. Elas normalmente dão respaldo a dívidas emitidas não pelas próprias empresas de tecnologia, mas por veículos de propósito específico que detêm a infraestrutura, permitindo que os grupos de tecnologia emprestem sua solidez financeira aos negócios sem precisar contabilizar integralmente os passivos.
O aumento das garantias acrescenta uma categoria de exposição caso a aposta de vários trilhões de dólares das big techs em IA não dê retorno devido a um uso aquém das expectativas, ao excesso de oferta de capacidade computacional ou ao fracasso na geração de modelos de negócios sustentáveis em torno da tecnologia.
“Houve uma expansão significativa da exposição extrapatrimonial no último ano”, afirmou Doug Colandrea, diretor sênior da escritório de classificação de risco KBRA. “Isso acrescenta um proporção muito saliente de dificuldade aos perfis de risco de crédito dessas empresas”.
À medida que seus planos de gastos com IA começam a superar seus fluxos de caixa, as empresas de tecnologia passaram a se concentrar mais na gestão de seus balanços para preservar suas classificações de crédito de proporção de investimento e manter o entrada às maiores fontes de dívida corporativa de insignificante dispêndio.
No totalidade, analistas do Morgan Stanley contabilizaram mais de US$ 3,1 trilhões (R$ 15,95 trilhões) em compromissos extrapatrimoniais e suporte de crédito concedidos por sete hiperescaladores e fabricantes de chips.
“Há preocupação com todos esses compromissos futuros porque todos estão numa corrida para obter capacidade computacional”, comentou Tim Musial, gerente de renda fixa da CIBC Private Wealth US.
Para os credores, as garantias de valor residual oferecidas pelas gigantes de tecnologia ajudam a atenuar as preocupações com a rápida obsolescência da tecnologia atual, enquanto eles desembolsam dezenas de bilhões de dólares para financiar data centers de IA e chips.
As empresas de tecnologia concordam em resguardar déficits específicos caso esses ativos precisem um dia ser vendidos ou realugados e alcancem valor subordinado a um mínimo reservado.
A introdução dessas garantias no financiamento de IA viabilizou crédito mais barato para os projetos beneficiados, cujas taxas normalmente ficam unicamente entre 1% e 1,5% supra das cobradas na dívida da própria garantidora, segundo pessoas a par do ponto.
A Broadcom foi a primeira trabalhador de chips a adotar as garantias neste ano, assumindo uma exposição de US$ 29 bilhões (R$ 149,21 bilhões) em junho para vender 1 gigawatt (GW) em chips a um veículo de propósito específico que os arrendará à Anthropic.
A garantia faz segmento de um programa de financiamento de fornecedores elaborado pela Broadcom e pelo Google para fornecer chips ao laboratório de IA.
O recente balanço trimestral da Broadcom mostrou que o suporte de crédito teve pouco impacto sobre seu próprio balanço. Pessoas a par do ponto disseram que a trabalhador de chips provavelmente ofereceria garantias para ajudar a financiar segmento das entregas de chips previstas para o próximo ano, que incluíam outros 5 GW deste resultado para a Anthropic, além de 1,3 GW em semicondutores personalizados para a OpenAI.
A empresa disse aos investidores que “a potente trajetória de rentabilidade dos principais laboratórios de IA de fronteira e o valor perenal dos ativos subjacentes” significavam que havia baixa verosimilhança dessas garantias precisarem ser utilizadas.
No mês pretérito, a Nvidia, rival da Broadcom, revelou um programa semelhante de financiamento de fornecedores.
A trabalhador de chips afirmou que poderia oferecer suporte de valor residual de até 25% em operações estruturadas pelo Goldman Sachs e por um grupo de investidores de Wall Street que pretendem reunir, em conjunto, US$ 500 bilhões (R$ 2,57 trilhões) em capital para infraestrutura de IA equipada com tecnologia da Nvidia.
A Nvidia também concedeu US$ 105 bilhões (R$ 540,23 bilhões) em garantias à SB Energy, subsidiária do SoftBank que está construindo um enorme multíplice de data center em Ohio (EUA) para a OpenAI.
A companhia liderada por Jensen Huang não registrará nenhum passivo em seu balanço até o início dos contratos de arrendamento da OpenAI, em 2028, e, portanto, a estrutura das garantias limitará seu peso nas contas da empresa.
Em troca, o multíplice usará exclusivamente equipamentos da Nvidia durante 20 anos. Banqueiros do Morgan Stanley e do Goldman Sachs foram fundamentais na estruturação dos acordos.

Data center construído pela Meta em El Paso, nos EUA
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Brandon Bell/Getty Images via AFP
“[As garantias de valor residual] têm um mecanismo contratual simples pelo qual o ativo precisa ser monetizado por meio de um processo competitivo de venda, e o valor desse ativo é logo inferido de qualquer exposição decorrente da garantia”, avaliou Richard Myers, gerente de mercados de capitais para produtos estruturados do Morgan Stanley, que introduziu esse tipo de contrato na infraestrutura de IA.
Uma vez que a garantidora cobre unicamente a diferença entre o preço de venda e o valor reservado, as garantias de valor residual “recebem um tratamento mais eficiente no balanço do que uma garantia de pagamento típica”, afirmou.
A Meta foi o primeiro conglomerado do setor a adotar essa feição de financiamento de IA, concedendo uma garantia de valor residual de US$ 28 bilhões para respaldar sua joint venture com a Blue Owl no desenvolvimento do data center Hyperion, de 2 GW, na Louisiana (EUA).
O projeto ocupa 4 milhões de pés quadrados (371 milénio metros quadrados) e deverá entrar em operação até 2030, consumindo virilidade suficiente para abastecer o equivalente de 1,5 milhão de residências.
“Ter data centers próprios e capitalizá-los no balanço exige um volume muito grande de capital”, afirmou Myers, que passou meses elaborando a estrutura de garantias para que a Meta pudesse gozar de alguns dos benefícios da propriedade sem arcar com todo o ônus no balanço.
As garantias acabaram ajudando a captar US$ 27 bilhões (R$ 138,92 bilhões) em dívida para o data center, a uma taxa menos de 1,5% supra dos títulos da própria Meta, com pouca exposição registrada nos livros contábeis da empresa. O grupo de tecnologia usou uma estrutura semelhante em julho para respaldar um data center de 1 GW que está sendo construído em El Paso (EUA).
Embora as garantias sejam em sua maioria extrapatrimoniais, as agências de classificação de risco afirmam que fazem ajustes nos indicadores de alavancagem dos grupos de tecnologia para refletir esses compromissos.
Analistas da S&P afirmam que acrescentam o montante pelo qual o valor reservado supera sua própria estimativa do preço que os data centers ou os chips alcançariam em uma venda sob condições adversas.
Pierre Georges, gerente de pesquisa de infraestrutura da S&P Global, disse que a maior diferença que havia observado entre o valor sob estresse e a dívida em qualquer operação com garantia de valor residual era de tapume de 25%, o que, em uma estrutura de US$ 20 bilhões (R$ 102,9 bilhões), acrescentaria um ajuste de alavancagem de aproximadamente US$ 5 bilhões aos passivos da garantidora.
Especificamente no caso da Meta, Georges afirmou que a S&P aplicou uma “redução grande” à avaliação do data center Hyperion, mas ainda assim concluiu que ele valia mais do que a dívida respaldada, o que significava que não era necessário nenhum ajuste na alavancagem da Meta.
“A verdade que vemos hoje é que a diferença, mesmo considerando o valor sob estresse, fica mais próxima de zero na maior segmento do tempo”, afirmou.





