Bilionários da big tech invadem a moda de luxo; entenda – 14/07/2026 – Ilustrada
No dança do Met Gala deste ano, a atriz Sarah Paulson —do seriado “American Horror Story”— apareceu no tapete vermelho com uma máscara no formato de uma nota de dólar cobrindo os olhos. A geração, dos designers de tendência Matières Fecales, era segmento de uma coleção intitulada “O Um Porcento”, um conjunto de roupas no qual a dupla canadense se propôs a pensar sobre a ganância e a prevaricação decorrentes do poder extremo.
Vulgar, o secundário podia ser lido uma vez que um observação sobre o namoro das grandes fortunas com a tendência de luxo. A festança de maio em Novidade York, um evento de alcance global para as grifes mais desejadas, teve uma vez que patrocinadores e anfitriões Jeff Bezos, o possuinte da Amazon, e sua mulher, Lauren Sánchez. Em fevereiro, Mark Zuckerberg, chefão da Meta, e sua mulher, Priscilla Chan, sentaram na primeira fileira do desfile feminino da temporada de inverno da Prada, na Semana de Tendência de Milão.
Em ambas as situações, os tecnocratas foram ciceroneados por Anna Wintour, a ex-editora da Vogue americana e uma das mulheres mais influentes do universo da tendência —ela legitimou a presença dos magnatas da big tech num clubinho antes fechado para quem definia o bom sabor.
Se algumas das maiores contas bancárias do mundo agora se sentam na disputadíssima fileira A dos desfiles e brindam suas taças de espumante com as principais figuras do setor, é de se perguntar —o que os bilionários da tecnologia querem com a tendência? Porquê eles foram da sarau da posse do segundo procuração de Donald Trump, onde marcaram presença, para o individual e esnobe cercadinho das grifes de luxo?
Para a diretora criativa de tendência Camila Yahn, o universo fashion pode dar aos bilionários a imagem de ilustrados que eles não têm. “Eles já são donos de tudo. De uma vez que a gente se comunica, da novidade forma de consumir, agora com a perceptibilidade sintético também são donos dessa segmento, dominam a política. Mas eles não tinham uma coisa, que era a cultura. São pessoas inteligentes, polêmicas, espertas, disruptivas, horríveis, mas não são considerados cultos. Nunca falamos ‘que bom sabor o Elon Musk tem!’. Leste é o principal capital da tendência, principalmente de luxo —é onde a cultura acontece”, diz ela.
Yahn ressalta o lugar da tendência uma vez que um espaço de formosura, bom sabor e olhar estético e, até poucos anos detrás, restrito a quem era convidado a entrar. Gente cafona, mesmo com as contas bancárias mais polpudas do planeta, era barrada por quem montava as listas de convidados dos eventos. Os ricaços se contentavam em gastar seus dólares nas lojas das marcas, seja com as roupas prontas para usar, o “prêt-à-porter”, ou com a subida costura, as peças exclusivíssimas feitas sob medida.
Segundo a prelo americana, Bezos e sua mulher doaram US$ 10 milhões para o Met Gala deste ano, em torno de R$ 50 milhões. Quem queria respirar o mesmo ar do parelha precisava desembolsar R$ 500 milénio por um invitação, ou US$ 100 milénio. O quantia arrecadado no dança serve para financiar o Hábito Institute, o departamento de tendência do museu Metropolitan.
Não faltaram protestos contra a influência dos Bezos no evento —que aconteceu depois de Lauren Sánchez exarar a toga de uma edição do dedo da Vogue americana no ano pretérito—, mas os atos não ofuscaram o imenso sucesso do Met Gala, que se provou incancelável.
No caso do desfile da Prada, os fashionistas ficaram horrorizados com a presença do executivo da Meta. Os convidados já estavam posicionados à espera do show quando Zuckerberg e sua mulher chegaram, sem falar com ninguém —a apresentação começou logo que o parelha sentou. Rumores davam conta de que a maison italiana lançaria óculos inteligentes com a Meta, mas não houve nenhum pregão.
Zuckerberg, Bezos —e Elon Musk— não são figuras muito vistas de modo universal, seja pela riqueza obscena que acumulam ou pela imensa influência sobre a sociedade e a política que detêm. Logo o que a tendência, sempre tão seletiva, ganha ao se associar com eles?
Mariana Cerone, professora do núcleo de luxo da Escola Superior de Propaganda e Marketing de São Paulo, a ESPM, observa que as marcas calculam os riscos ao se colarem a figuras detestadas, porque sabem que a polêmica, mais do que os personagens, pode ser motor de negócios.
Ela lembra do caso da Balenciaga, que ficou vinculada à sexualização infantil devido a um pregão no qual uma petiz segurava um ursinho de pelúcia enfeitado com acessórios de epiderme sadomasoquistas —o bichinho era uma bolsa vendida pela marca. Embora tenha sido cancelada nas redes sociais, pedido desculpas pelo pregão e enfrentado um colapso de reputação gigantesco, a maison não só não quebrou uma vez que trocou de estilista e segue lançando coleções e sendo desejada, diz Cerone.
Cerone acrescenta que o mercado de luxo tem a capacidade de operar no olho do furacão da crise, de modo a manter a ânsia dos consumidores por seus produtos tão grande que ela não arrefece diante de escândalos. Ou seja, fabricar uma controvérsia, no término, pode ser bom.
“Em algumas situações, tem aquele jargão popular —falem mal mas falem de mim. A polêmica é importante. A nossa sociedade, hoje, vive na base do conflito. Porquê a gente tem a polarização do bom e mal, gordo e magro, bonito e mal-parecido, as marcas que sabem a valimento da cultura precisam saber trabalhar nos dois extremos”, diz Cerone. “Não adianta produzir uma estratégia para viver de um lado só.”
Cerone argumenta que as controvérsias levam quem não sabia recta o que era uma marca a prestar atenção nela. Assim uma vez que no mercado de ações, a professora afirma ser uma operação arriscada trabalhar com os “haters” e o boicote. Porém, grifes já poderosas, uma vez que as do calendário das semanas de tendência internacionais, dificilmente perderiam clientes por isso.
Aliás, as especialistas concordam que o cenário político dos Estados Unidos é um tecido de fundo favorável à expansão da influência dos magnatas americanos da tecnologia sobre a tendência, até logo considerada um patrimônio cultural europeu. Para Cerone, o capital econômico tende a lucrar mais peso numa era conservadora uma vez que a atual. Yahn é direta: “O Trump abriu a porta da frente para esses caras todos, eles estão com Trump em tudo. Inclusive, Elon Musk fazia segmento do governo”.





