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Brasil será teste para uso de IA em eleições, diz
Tecnologia

Brasil será teste para uso de IA em eleições, diz OpenAI – 19/09/2026 – IA


São Paulo


O Brasil será o grande teste para o uso de lucidez sintético em eleições no mundo e representará um tirocínio para vários pleitos do ano que vem. É logo que Bruno Lewicki, 51, head de políticas públicas da OpenAI na América Latina, define a visão do gigante de lucidez sintético sobre a eleição brasileira deste ano.

Em entrevista ao podcast A Máquina, série da Folha publicada pelo Moca da Manhã durante o período eleitoral, Lewicki diz que a empresa se preparou e acredita em uma eleição sem sobressaltos ligados ao uso de IA. Mas afirma que muitas das regras do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) são novas e não se sabe uma vez que serão aplicadas.

Em relação ao veto a teor gerado por IA nas 72 horas anteriores e 24 horas posteriores ao pleito, acredita que não é responsabilidade das empresas, mas, sim, das redes sociais. “A norma do TSE não fala em geração de imagens ou teor sintético. A norma veda a publicação, a republicação e o impulsionamento desses conteúdos.”

A Folha e o UOL têm um convénio mercantil com a OpenAI que viabiliza o fornecimento de teor jornalístico para o ecossistema de lucidez sintético da empresa de tecnologia.


O head de políticas públicas da OpenAI para a América Latina, Bruno Lewicki, participa de evento no Rio.


Ricardo Moraes – 09.jun.26/Reuters

Uma vez que a OpenAI se preparou para a eleição?

O primeiro ponto é a transparência. Quando a gente fala em lucidez sintético no Brasil, um dos grandes questionamentos das pessoas é: “Ah, mas o que foi gerado por lucidez sintético versus o que não foi? Hoje em dia não dá mais para saber o que é real ou não”. Tudo que é gerado no ChatGPT sai com uma etiqueta do dedo, com metadados sobre a origem do registo, e uma marca d’chuva invisível, que também permite saber se uma imagem foi gerada pelo ChatGPT.

Teve até um caso recente no Brasil, em que um suposto relatório da Polícia Federalista circulou em redes sociais, e uma jornalista de uma sucursal de checagem de fatos mostrou que era IA [relatório atribuído à PF em que a instituição afirmava não haver indícios de crimes do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) em conversa com o empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master]. Ela se beneficiou de uma utensílio que a gente disponibilizou ao público.

É uma página à disposição de todos, você faz o upload ali, coloca uma imagem ou um áudio. Por motivo dessa etiqueta do dedo e dessa marca d’chuva invisível, a página instantaneamente diz: “Olha, esse registo foi gerado integralmente ou com ajuda do ChatGPT”.

E quando é texto, dá para checar?

Por essa utensílio, não. Tem várias outras, mas nenhuma é proprietária. O segundo ponto é o aproximação à informação. Cá no Brasil, são 215 milhões de mensagens diárias enviadas ao ChatGPT. É uma manancial muito preciosa de informação, desde que seja informação de qualidade. O padrão já é treinado para evitar informações que não sejam fidedignas, com vieses, mas também por meio de várias parcerias que a gente tem com o setor de mídia, inclusive a própria Folha.

E um desvelo que se intensificou nesse período eleitoral é incluir fontes oficiais uma vez que o TSE, por exemplo, ou fontes de jornalismo de qualidade.

E o terceiro ponto é o monitoramento manente pelas nossas equipes de segurança, lucidez, integridade, de todas as políticas de uso dos nossos produtos, que já proíbem a vastíssima maioria de tudo que as pessoas pensam que pode suscitar qualquer sonido em processos uma vez que eleições. Mas não basta proibir, é preciso ter sistemas internos que permitam detectar e impor essas políticas, e a gente tem pretérito por um aprimoramento manente desses sistemas para ter certeza de que estejam em bom funcionamento para as eleições no Brasil.

O que é proibido em teor eleitoral?
O TSE, todo ano eleitoral, publica novas regras, trazendo novas questões que vêm sendo suscitadas. Uma das inovações de 2026 foi que modelos de IA não podem ranquear, recomendar, sugerir, propiciar ou desfavorecer direta ou indiretamente candidatos, partidos. É uma questão que a gente já trata, porque o padrão já é treinado para não ter viés em qualquer questão e sobretudo em material política eleitoral, que é tão sensível. Mas essa é uma norma novidade também, sobre a qual não tem jurisprudência ainda do TSE.

Houve relatórios dizendo que os modelos, não só o ChatGPT, ainda estão recomendando, ranqueando. Temos aprendido muito e aplicado esse tirocínio para que a utensílio evolua. A gente tem políticas muito robustas que proíbem a personificação indevida para fins eleitorais ou para difamar alguém. O uso em campanhas eleitorais também é vedado, a não ser para certas atividades mais administrativas. E, de um mês para cá, o ChatGPT no Brasil tem anúncios, na versão gratuita e em uma das pagas, mas não tem anúncios políticos ou eleitorais. Também não tem no resto do mundo. Mas, no Brasil, não tem, em próprio em atenção ao traje de que é um ano eleitoral e não seria o momento para ter isso.

Que outras políticas existem para impedir desinformação eleitoral?
O padrão é treinado para evitar qualquer conversa que sugira supressão de voto, interferência no processo eleitoral. Boa segmento do trabalho das equipes internas de segurança é para evitar interferências no processo eleitoral. Isso já aconteceu em outras eleições e foi objeto da atuação da empresa. Na Índia, em 2024, houve uso do ChatGPT em combinação com redes sociais usando personas falsas de mídia. Vinha de um ator não sediado naquele país, com o objetivo de privilegiar um partido em detrimento de outro. Não teve grande engajamento, não causou um prejuízo, até porque foi detectado pelos nossos sistemas.

Estudos do ITS (Instituto de Tecnologia e Sociedade) e do Observatório IA nas Eleições indicam que, apesar de isso ser vedado, vários chatbots, não só o ChatGPT, ainda ranqueiam e recomendam candidatos. O que vocês têm tentado aprimorar?
É um pouco multíplice, pelo próprio modo uma vez que o padrão trabalha, uma lógica dissemelhante de um sistema de procura. O padrão de lucidez sintético não é uma base de dados, uma enciclopédia que tem as respostas. Ele leva muito em conta o contexto, quem é o usuário, qual a conversa, e a partir daí ele constrói uma resposta específica para a pergunta feita. Falando desses estudos, são instituições pelas quais nós temos o maior reverência. Mas esses estudos começaram a coletar material em fevereiro, e os últimos foram coletados em julho. A campanha nem tinha começado ainda. Hoje estamos em uma posição que ainda não está refletida nos últimos estudos. Pedimos um novo estudo ao professor Diogo Reis, para complementar na questão temporal, e tomar alguns dos melhoramentos que conseguimos implementar nos últimos meses e semanas. Esse estudo já reflete algumas dessas melhorias —em 33 tentativas, em 32 o padrão se negou a ranquear ou recomendar.

Vocês mobilizaram mais gente ou tecnologia por motivo da eleição brasileira?

Não no sentido de que foram contratadas pessoas a mais. Agora, é uma tecnologia que se aprimora todo dia. O Brasil está sendo um grande case de eleições. Em 2026, temos um momento de viradela por motivo da disseminação que a IA tem no mundo hoje. Vai ter uma série de eleições no ano que vem, na França, por exemplo, e muito do que está sendo testado no Brasil será um tirocínio muito importante. Eu vejo isso internamente, interesse de colegas meus que trabalham com políticas públicas, relações governamentais na França, na Espanha…

O Brasil sendo um grande case de eleições no mundo, quais são os principais desafios?

O objetivo é prometer que a eleição transcorra muito, sem sobressaltos. Incidentes podem sobrevir? É uma possibilidade em uma eleição que tem mais de 20 milénio candidatos. Mas a gente encara esse processo com muita tranquilidade, temos o estado da arte do que pode ser oferecido hoje no campo da IA. Por outro lado, a gente encara esse processo com uma humildade muito grande, tentando aprender e emendar.

O TSE determinou levante ano que nenhum teor usando IA possa rodear, mesmo rotulado, 72 horas antes da data da eleição e 24 horas depois. Uma vez que vocês estão se preparando para satisfazer isso?
A norma do TSE não fala em geração de imagens ou teor sintético. A norma veda a publicação, a republicação e o impulsionamento desses conteúdos. Mas uma vez que qualquer outra norma, principalmente certas normas do TSE, que são novidades para essa eleição, precisamos esperar para ver uma vez que o TSE vai impor na prática, porque ainda não tem jurisprudência.

Portanto, no entendimento de vocês, esse veto só se refere a compartilhamento? Se iniciar a rodear uma imagem de IA nesse período, a rede social é que será a responsável?
A norma tem as previsões de responsabilidade para a rede social e para quem disseminou o teor. A gente vai continuar atuando com todas as camadas de resguardo, podemos indicar a proveniência, monitorar usos que sejam contrários às nossas políticas.

Recentemente, um pesquisador da Anthropic, que havia trabalhado antes na OpenAI, disse que há uma corrida desenfreada para desenvolver uma superinteligência sintético e que isso pode destruir a humanidade até o término da dez. Uma vez que você encara a possibilidade de a IA levar à ruína da humanidade?
Estou na empresa desde janeiro deste ano e estou muitíssimo muito impressionado com o quanto a empresa se preocupa com a segurança e se tarifa por ela. Existe um debate muito franco e honesto dentro das empresas tanto sobre os benefícios que a IA pode trazer em um horizonte muito próximo, quanto sobre os potenciais riscos. Eu tenho visto uma preocupação muito grande dessas empresas se traduzindo em medidas concretas, não só por conta de incidentes uma vez que o da Hugging Face.

A OpenAI fez uma série de pronunciamentos em que deixou simples que estava desacelerando a pesquisa de fronteira e, em algumas frentes, a havia suspendido. Mas essa discussão da cibersegurança não deve permanecer só a incumbência de pessoas e empresas sentadas lá em San Francisco decidindo pela humanidade. É muito importante que os governos sigam se engajando em parceria com o setor privado, com a liceu, a sociedade social. E a OpenAI e o Sam Altman repetem que é um setor que vai perguntar um nível de coordenação internacional que vá além dos governos individualmente.


RAIO-X | Bruno Lewicki, 51

Jurista formado pela Uerj, é head de políticas públicas para a América Latina da OpenAI. Já foi diretor global de políticas públicas do Airbnb e sócio do escritório BMA.

Folha

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